Arte

Artista angolano Blackson estreia em Lisboa com exposição sobre o corpo negro

A mostra acontece na Galeria Verso e integra uma linha curatorial dedicada a diálogos transatlânticos, com foco nas trocas culturais entre países de língua portuguesa

Março 19, 2026

Blackson. Crédito: Ira Lippke
A exposição fica em cartaz até o dia 25 de abril em Lisboa. Crédito: Ira Lippke

O artista angolano Blackson apresenta sua primeira exposição individual em Lisboa a partir desta sexta(20). Intitulada Ascender, a mostra reúne pinturas inéditas e uma vídeo-instalação que aprofundam sua investigação sobre o corpo negro como espaço de experiência, memória e projeção.

Nascido em Angola e residente em Portugal desde a infância, o artista tem desenvolvido uma pesquisa em que o corpo ocupa lugar central. Nas obras, ele articula presença, vulnerabilidade e afirmação por meio de composições em que a cor organiza o campo pictórico e sugere movimento e transformação.

“Minha proposta é mudar a narrativa na cabeça das pessoas. Que a exposição possa trazer um pensamento mais positivo e que faça com que possamos nos descobrir além do que aquilo que nos é dito pelas notícias, televisão, mídias sociais… Geralmente é uma posição negativa em relação ao que é o corpo negro”, explica Blackson à EntreRios.

Blackson_Crédito_Ira Lippke
A arte e o olhar de Blackson em “Ascender” na Galera Verso em Lisboa nesta sexta (20). Crédito: Ira Lippke

O título da mostra aponta para essa ideia de deslocamento e reinvenção. O objetivo é refletir sobre como experiências inscritas no corpo podem ser ressignificadas, abrindo novas possibilidades de construção simbólica. Elementos recorrentes, como a maçã, aparecem como referências ao cuidado e à regeneração.

“Estudei arquitetura e teve um professor que me fez desenhar maçãs o ano inteiro, não sei se inconscientemente ou não, quando decidi o que representar e o que queria que as pessoas absorvessem da minha parte, eu imaginei a maçã. ‘Quero que as pessoas se alimentem com o que eu faço’ e essa ideia foi se mantendo. É algo que está conectado ao saudável. A maçã é um símbolo daquilo que nós devemos nos nutrir, o que é bom pra nossa sociedade. E existem as boas e as más”, diz o artista.

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A exposição acontece na Galeria Verso e integra uma linha curatorial dedicada a diálogos transatlânticos, com foco nas trocas culturais entre países de língua portuguesa, como Angola, Portugal e Brasil. A iniciativa busca ampliar conexões e propor novas formas de encontro entre essas diferentes experiências.

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“Blackson trouxe muito da experiência de imigrante que ele tinha. Tivemos uma conexão imediata. A exposição traz leveza e paz, como ele mesmo costuma dizer. Estamos felizes de recebê-lo pela primeira vez na Verso”, fala o curador Filipe Campello.

Exposição: Ascender
Quando: 20 de março, a partir das 18h, até 25 de abril
Local: Verso – Rua Francisco Metrass 64, Lisboa

jordan@revistaentrerios.pt

 

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