Moda

Biquínis e maiôs ganham espaço fora da praia e ditam a moda do verão europeu

Coleções apostam em peças versáteis, conforto e referências brasileiras para acompanhar diferentes ocasiões

Julho 16, 2026

Maiôs e tops: integração de produções urbanas da Courrèges | A atriz Juliana Alves usa pulseiras e metais para transformar peças de banho em roupas | A top model brasileira Isabella Fiorentino usa maiôs como peça básica para looks de pós-praia. Crédito: Divulgação

A moda praia para 2026 confirma uma mudança clara no verão europeu: biquínis e maiôs deixaram de ser peças exclusivamente funcionais para ocupar um lugar definitivo no guarda-roupa do dia a dia. A top model brasileira Isabella Fiorentino comentou, em suas redes sociais, que gosta de usar maiôs como ponto de partida para looks que vão da praia direto para uma festa, bastando acrescentar um short e um quimono. O que no litoral brasileiro é hábito antigo, na Europa é novidade em processo de consolidação.

Não se trata de biquíni menor ou maior, nem de ousadia gratuita. A transformação que chama a atenção neste verão responde à praticidade, atitude. A moda praia passa a acompanhar almoços tardios, fins de dia prolongados e encontros improvisados, sem a necessidade de troca completa de roupa.

Para Mariana Delgado, da marca portuguesa Cantê, essa mudança está mais ligada ao comportamento do que a alguma tendência fashionista em si. “A atitude à beira-mar está cada vez mais ligada à autenticidade, ao bem-estar e à confiança. As mulheres procuram peças que as façam sentir bem consigo mesmas e que acompanhem o seu estilo de vida”, afirma.

Marca portuguesa Cantê. Crédito: Divulgação

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Esse olhar mais flexível sobre o biquíni faz parte da cultura brasileira há décadas. Viviane Guedes Cruz, fundadora da Abacaxi Brasil, loja localizada no Príncipe Real, em Lisboa, observa que essa relação entre praia e cidade se construiu a partir dos anos 1960 e 1970. “Especialmente no Rio de Janeiro, o biquíni deixou de ser apenas uma peça de banho de mar e passou a expressar estilo e comportamento”, diz. Para a estilista Fabiana Thorres, a lógica da versatilidade trouxe mais glamour à moda praia, com o uso de resinas, correntes e metais que acrescentam sofisticação às peças.

Marca Abacaxi Brasil. Crédito: Divulgação

Em Paris e Milão, as coleções de primavera-verão apresentadas no segundo semestre do ano passado reforçaram o diálogo entre roupa de banho e vestuário cotidiano, sem fronteiras rígidas, embora não apresentem exclusivamente moda praia. Entre os destaques, surgem propostas que integram maiôs e tops a produções urbanas, como visto no desfile da francesa Courrèges.

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A moda Brazil Core também atravessa as roupas de balneário e começa a ganhar força no verão europeu. Fabiana apostou no estilo inspirado na Copa do Mundo, mas traduzindo referências brasileiras. “Trouxemos o verde e amarelo, além de texturas que revelam as nossas raízes, muito presentes no trabalho”, explica. A coleção aposta em macramês e tramas elaboradas que mantêm o conforto como prioridade.

Na Abacaxi Brasil, a coleção Rio 40 Graus nasce com o objetivo de transportar para Lisboa a energia, as cores e o clima do Rio de Janeiro. Entre as novidades estão os tecidos texturizados e as estampas exclusivas, como a Biscoito Globo e a Carioca, clicadas no Rio por uma fotógrafa portuguesa — um detalhe simbólico dessa troca constante entre os dois países. “Outra grande aposta são as calças pantalonas com transparência, feitas na mesma estampa do biquíni, pensadas para sair da praia e seguir para o pôr do sol”, explica Viviane.

A influência brasileira é perceptível na modelagem. Mariana Delgado observa que atualmente, biquínis menores, com cortes mais ousados, estão mais presentes em praias do que anos atrás. “O mercado tornou-se mais diversificado e inclusivo. Há quem procure modelos mais cavados e contemporâneos, e outras banhistas que prefiram cortes clássicos”, afirma.

Segundo Fabiana, as portuguesas têm demonstrado maior liberdade na relação com o corpo. “Já vimos biquínis menores, mas que não são nem totalmente europeus nem os modelos brasileiros muito reduzidos. Existe um equilíbrio que dialoga com o comportamento local”, diz.

O aumento do turismo internacional no Brasil também contribuiu para ampliar o interesse pelo modo como o biquíni é usado nas praias brasileiras, influenciando escolhas e tendências, de acordo com Viviane. Continuam em destaque os tops de inspiração retrô, os cortes assimétricos e as calcinhas asa-delta, sempre com foco no conforto.

Esta reportagem foi publicada originalmente na edição impressa da EntreRios, disponível mensalmente em bancas de Portugal. Para ter acesso a conteúdos exclusivos e receber a revista em casa, assine aqui.

fernanda@revistaentrerios.pt

Fernanda Baldioti
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