O Brasil registrou o segundo maior crescimento no número de turistas internacionais entre os países analisados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O volume passou de 6,77 milhões de visitantes em 2024 para 9,28 milhões em 2025, uma alta de 37%, atrás apenas de Israel, que avançou 38%.
Para Carlos Eduardo Oliveira Jr., conselheiro do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP) e presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, o desempenho é resultado de uma combinação de fatores.
“O crescimento ocorreu graças à ampliação da conectividade aérea, ao aumento da promoção do Brasil no exterior e à crescente procura por destinos de natureza, cultura e experiências autênticas”, afirma.
Na avaliação de Daniel Toledo, advogado especialista em imigração internacional, a recuperação da demanda global por viagens após a pandemia também favoreceu o país. Outro fator foi a desvalorização do real, que tornou o Brasil mais competitivos para os estrangeiros.
“Vejo que o poder público teve um papel relevante, principalmente na promoção internacional do Brasil. O setor privado também investiu fortemente em hotelaria, experiências turísticas, infraestrutura e serviços“, destaca.

LEIA MAIS: Startups de turismo podem expandir negócios para Brasil e Portugal; saiba como participar do edital
Portugal cresce menos, mas segue à frente em visitantes
O desempenho brasileiro chama atenção pela velocidade do avanço, mas ainda está distante dos principais destinos turísticos em números absolutos. Portugal, por exemplo, registrou aumento de apenas 1% no mesmo período. Ainda assim, recebeu 20,77 milhões de visitantes em 2025 — mais que o dobro do total brasileiro — e ocupa a 13ª posição entre os países avaliados pela OCDE.
O levantamento reúne informações de 38 países-membros da organização e outros 15 parceiros, entre eles o Brasil.
A expansão do fluxo internacional refletiu diretamente na movimentação financeira. No Brasil, os gastos de visitantes estrangeiros passaram de US$ 5,99 bilhões em 2019 para US$ 7,34 bilhões em 2024, um crescimento de 22,5%.
Em território português, a evolução foi ainda mais expressiva: a receita passou de US$ 20,5 bilhões para US$ 30 bilhões entre 2019 e 2025, alta de 46,2%.
Tendência positiva continua em 2026
Os indicadores mostram que o ritmo de expansão continua neste ano.
Segundo a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), o país recebeu 5,2 milhões de turistas internacionais no primeiro semestre de 2026, o segundo maior volume da série histórica para o período. Os visitantes movimentaram US$ 5,6 bilhões na economia nacional, valor 12% superior ao registrado nos seis primeiros meses de 2025.
Os portugueses têm participação importante nesse cenário. Até abril, 135 mil visitantes de Portugal viajaram ao Brasil, alta de 30,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Com isso, ultrapassaram os franceses entre os europeus que mais visitam o país. A meta da Embratur é encerrar 2026 com mais de 300 mil turistas portugueses.
LEIA MAIS: Turismo brasileiro em Portugal cresce 16% e pode bater novo recorde em 2026

Turismo ainda pesa mais na economia portuguesa
Apesar da forte recuperação brasileira, o turismo continua tendo impacto econômico muito maior em Portugal.
No Brasil, a atividade empregava diretamente 2,3 milhões de trabalhadores formais em 2024, o equivalente a 4% do total de empregos. As exportações ligadas ao segmento responderam por 15,3% das exportações brasileiras de serviços, enquanto o orçamento federal destinado à área chegou a R$ 3,9 bilhões.
Já em Portugal, o setor reúne mais de 542 mil empregos, o equivalente a 12,1% das vagas do país. Em 2024, as exportações relacionadas ao turismo alcançaram 27,7 bilhões de euros, representando 47,9% das exportações portuguesas de serviços. O orçamento do governo para a atividade foi de 481 milhões de euros em 2025, valor semelhante ao equivalente em reais destinado pelo governo brasileiro.
OCDE destaca políticas para fortalecer o turismo brasileiro
Além dos resultados, a OCDE destaca iniciativas que vêm fortalecendo o turismo no país. Entre elas estão a qualificação profissional, o desenvolvimento de competências digitais, a adoção de novas tecnologias e a ampliação do acesso ao crédito para empresas do segmento.
O documento também aponta que o turismo brasileiro mantém uma trajetória consistente de recuperação desde a pandemia e ressalta programas voltados ao turismo sustentável, à inovação, aos destinos inteligentes e ao fortalecimento das ações conduzidas por estados e municípios.
Segundo a Embratur, esse trabalho também inclui a participação em feiras internacionais, a realização de viagens de imprensa (press trips), a organização de viagens de familiarização para operadores e agentes (famtours) e campanhas de divulgação em mercados estratégicos.
Na avaliação de Carlos Eduardo Oliveira Jr., o cenário permanece positivo, embora o avanço deva perder intensidade nos próximos anos.
“O país possui vantagens competitivas relevantes, como diversidade natural, patrimônio cultural e grande potencial para o turismo sustentável. A tendência é de continuidade da expansão, embora em ritmo mais moderado do que o observado no período de recuperação pós-pandemia. A manutenção desse desempenho dependerá de investimentos em infraestrutura, promoção internacional e melhoria da experiência do visitante”, conclui.
renan@revistaentrerios.pt