Brasileira cria negócio para ajudar mães a desenvolver carreira esportiva dos filhos
Projeto Vou Jogar na Europa oferece clínica de formação esportiva aliado à vivência internacional na Espanha e na Inglaterra
- Lisboa
Maio 3, 2026
Nesse domingo (3), é celebrado o Dia das Mães em Portugal, uma semana antes da data celebrada no Brasil. O dia é especial para as genitoras do país europeu, mas também para as brasileiras que vivem aqui.
E uma delas em especial não apenas se mudou para Portugal como transformou a própria maternidade em um negócio em que ajuda outras mães estrangeiras na curadoria de projetos para seus filhos. Trata-se de Patrícia Lemos que chegou a Portugal em 2017 ao lado de seus gêmeos, à época com cinco anos. Por aqui, ela iniciou o projeto Vou Mudar Para Portugal, que já apoiou mais de 300 famílias no suporte para essa mobilidade internacional.
Oito anos depois, ela se mudou com os filhos para Alicante, na Espanha, para que João Pedro pudesse treinar futebol e Valentina pudesse jogar vôlei em centros de treinamento especializados. Com isso, eles já participaram de treinamentos em Madri, Liverpool e Manchester. A partir dessa experiência, ela criou o Vou Jogar na Europa, que visa integrar a vivência no exterior com a formação esportiva.

“O Vou Jogar na Europa nasceu exatamente sobre o olhar atento de uma mãe. Eu percebi quantas famílias precisam de orientação para transformar, de fato, o sonho do seu filho em algo concreto, real e factível. É possível fazer isso com preparo, estratégia e técnica e quero apoiar outras famílias a realizarem seus sonhos aqui na Europa”, descreve.
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O programa terá a primeira turma a partir de 5 de julho, em Alicante, na Espanha, e uma segunda em agosto, na Inglaterra, direcionado a meninos e meninas nascidos entre 2009 e 2013. A proposta é de unir treinamentos de futebol de alta performance à vivência internacional e integração cultural, com acompanhamento integral e suporte aos jovens dentro e fora do ambiente esportivo.
Os treinamentos vão oferecer monitoramento de desempenho e da evolução física dos atletas com o acompanhamento feito por profissionais com certificações internacionais. A formação ainda prevê aulas de espanhol ou inglês, experiências gastronômicas, visitas a pontos turísticos e, para famílias, o envio diário de fotografias e relatos sobre as atividades por WhatsApp. O objetivo, no futuro, também é oferecer clínicas de voleibol.
Patrícia afirma que o objetivo é que as mães entendam que não precisam caminhar sozinhas e que possam contar também com acompanhamento especializado para que possam colaborar para a realização dos sonhos dos filhos.
“Muitas vezes, apoiar o sonho de um filho significa a gente lidar com as inseguranças, sair da zona de conforto e, muitas vezes, mudar a rota. Se eu puder inspirar outras mães a acreditarem no potencial do filho, entenderem que esse filho precisa de direção, precisa de esforço, precisa também querer pagar o preço para realizar o sonho dele”, afirma.
A empreendedora explica que o processo de curadoria de projetos de vida internacionais deve acontecer de forma muito individual porque cada família possui uma realidade distinta. Segundo ela, é preciso entender os perfis dos jovens, suas necessidades e desejos, demonstrando a eles que também existe um preparo e uma rotina a ser seguida.
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“A partir disso, nós construímos um planejamento estratégico com foco acadêmico, esportivo e migratório. Na prática, será um acompanhamento completo com orientação sobre oportunidades na Europa, análise de caminhos possíveis, uma parte jurídica de preparação documental, posicionamento internacional e muito suporte emocional”, explicou.
Patricia ainda aponta que a perspectiva de futuro para os filhos aparece como um dos principais motivos que levam as famílias a deixar o Brasil em direção à Europa. É o que aconteceu com ela, que foi para Portugal em busca de mais segurança para João Pedro e Valentina.
“É isso que move 90% das mudanças hoje, no caso de, por exemplo, de brasileiros para Portugal”, destaca.
Para a empresária, o desafio acontece de maneira dupla, já que a família vai entrar em um ambiente completamente novo e tem a responsabilidade de reconstruir sua vida em outro lugar, enquanto também tem que lidar com suas próprias angústias e inseguranças. Por isso, para além de coragem e resiliência, ela lembra que é preciso de planejamento para lidar com o novo.
“Os meus filhos são o grande motor para criar um projeto novo apoiando os jovens e famílias. Porque quando a gente se torna mãe, os sonhos se misturam, nós passamos a sonhar não só apenas por nós, mas também pelos nossos filhos”, finaliza.
renan@revistaentrerios.pt