Brasileiros lideram compra de imóveis entre estrangeiros em Portugal e já representam 6,6% do mercado
Preço médio foi acima do registrado pelos próprios portugueses. Estrangeiros compraram 28% do total de imóveis comercializados no ano passado
- Lisboa
Junho 1, 2026
Os brasileiros foram responsáveis por 6,6% do total das compras de imóveis realizadas em Portugal em 2025, com um valor médio de 257 mil euros por imóvel. O valor é superior à média dos valores pagos por portugueses, de 216 mil euros. Os números estão presentes no Relatório de Estabilidade Financeira do Portugal divulgado essa semana pelo Banco de Portugal.
Os brasileiros foram os líderes entre os estrangeiros, que foram responsáveis pela compra de 28% do total de imóveis em Portugal ao longo de 2025, com um valor médio de 316 mil euros por imóvel.
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Ao todo, 23% deles eram estrangeiros residentes e 5% deles não residentes. Atrás do Brasil no ranking, estão a Angola, França, Reino Unido, EUA, Alemanha e Holanda como as nações com mais transações realizadas no país.
Para Marcelo Rubin Goldschmidt é o sócio-fundador da consultoria GMZ Advisors, os números demonstram o crescimento constante do mercado imobiliário não apenas com atratividade internacional, como também com uma demanda interna constante de residentes em Portugal de modo geral. Para ele diversos fatores contribuem para isso.
“Entre esses fatores está a atratividade do país em si, o posicionamento de Portugal diante do momento político e econômico global, e a qualidade dos empreendimentos que vêm sendo desenvolvidos, tanto em padrão construtivo quanto em potencial de retorno”, destaca.
Além disso, o crédito para habitação também tem crescido entre os estrangeiros, que representaram 17% dos novos empréstimos em 2025. Entre eles, os brasileiros estão entre os que mais pediram crédito com 7%, seguidos pelos britânicos (3%) e angolanos (2,8%) do total de transações. Os brasileiros representam 5,2% do total de novo crédito, ou seja, da política de facilidades de financiamento para jovens até 35 anos e dentro das novas regras de acesso ao crédito pelo Banco de Portugal.
“O mecanismo de financiamento é o que viabiliza a alavancagem e funciona como ferramenta essencial de acesso ao imóvel, seja para moradia, seja para investimento. Boa parte da capacidade de compra que esses números refletem só é possível por causa dele”, afirma Goldschmidt.
A procura pelo mercado imobiliário português tem crescido cada vez mais, especialmente por conta de estímulos governamentais e pela participação significativa de compradores estrangeiros, mas a escassez de oferta tem sido uma preocupação e é vista como um risco importante para o sistema financeiro em Portugal, segundo aponta o relatório.
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“Um cenário de maior restritividade da política monetária, deterioração das condições económicas ou correções abruptas nos mercados financeiros internacionais, poderá conduzir a correções noutros mercados, incluindo nos preços do imobiliário. Conter pressões do lado da procura contribui para voltar a níveis de equilíbrio”, afirma trecho do texto.
O documento ainda afirma que os preços da habitação continuaram a crescer muito acima do rendimento das famílias, tendência observada desde 2015 e que os preços permanecem “acima dos valores esperados de equilíbrio”.
Para além do mercado residencial, o comercial também se manteve em alto, com um total de 2,85 bilhões de euros em investimentos, aumento de 17% em relação a 2024.
Para o aumento da oferta o documento aponta que a falta de mão de obra mantém-se como o principal obstáculo à construção, com reflexo nos custos e na capacidade de construção. Os custos foram maiores tanto em relação aos materiais quanto em relação à contratação de pessoal.
Desde 2015, o custo da construção aumentou 48%. Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas estima que falta 80 mil profissionais no segmento. É válido lembrar que os estrangeiros são parte significativa da mão de obra da construção civil em Portugal.
Portugal continua em alta no mercado imobiliário e tem sio um dos grandes destaques em toda a Europa. Enquanto a Zona Euro registrou uma queda média de 26% no investimento imobiliário no primeiro trimestre de 2026, Portugal seguiu o caminho inverso e surpreendeu o mercado global com um crescimento de 32%, movimentando 915 milhões de euros.
O desempenho coloca o país como o segundo que mais cresceu no mundo no setor, atrás apenas de Taiwan, segundo dados do relatório EMEA Capital Markets da Colliers.
O momento atual também se dá por conta de outros elementos geopolíticos, como é o caso de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, um destino que era atraente para os investidores mas que acabou sendo impactado diretamente pela guerra entre Irã e os Estados Unidos.
“Estamos a observar uma procura mais estruturada por parte de clientes internacionais que procuram estabilidade e qualidade de vida na Europa. Além disso, a paz que as pessoas tinham ao viver em Dubai, por exemplo, foi de certa forma abalada com os mísseis que por lá caíram. É natural que procurem outro lugar e Portugal é uma ótima opção para quem quer luxo e não só”, afirma Ayres Neto, CEO da The Agency Portugal.
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