Empreendedorismo

Brasileiros lideram, em Portugal, expansão de franquia mundial de escolas de música

Ao todo, já são seis unidades e mais de mil alunos na School of Rock Ibéria, que fica em Portugal e na Espanha

Março 9, 2026

Responsáveis por trazer a School of Rock para Portugal vieram da franquia brasileira. Crédito: Divulgação

Um grupo de brasileiros, liderados pelo empresário Nando Guto, é responsável por abrir e realizar a expansão da School of Rock, rede americana de franquia de escolas de música, em Portugal e na Espanha. Desde 2022, já foram abertas três unidades em Portugal (Lisboa, Oeiras e Portimão) e três na Espanha, contando com mais de mil alunos nos dois países. Ao todo, o grupo possui 420 unidades em 17 países e mais de 75 mil alunos.

Os planos para os próximos dois anos são de abrir mais seis escolas, preferencialmente em solo português e atingir 1,5 mil alunos duplicando a operação atual. O investimento médio para abrir cada unidade é de 300 mil euros, com margem de 15% para os fanqueados.

“Portugal reúne condições muito positivas para o desenvolvimento da educação musical. Existe uma forte valorização da cultura, um público interessado e um contexto económico que permite planear um crescimento sustentado. A nossa meta é levar esta metodologia a cada vez mais cidades portuguesas”, afirmou Guto.

O empresário, que desde 2015 já atuava como diretor musical na franquia brasileira, explicou que o movimento de vir para a Europa começou a ser desenhado após o forte crescimento que a rede vivia no Brasil. A primeiras conversas para o novo negócio aconteceram em 2017 até se concretizar em 2022.

“Quando olhamos para o mapa global, percebemos que a Europa era o único continente onde a marca ainda não estava presente. E, dentro da Europa, Portugal foi uma escolha lógica: proximidade cultural, facilidade de adaptação e um mercado com bom potencial”, analisou.

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Em 2024, a Direção-Geral das Artes (DGArtes) reforçou o apoio a projetos de promoção artística e cultural, sinalizando a prioridade dada ao setor.

Para ele, os principais desafios foram os típicos para qualquer empresa que chega a um país novo. “Entender a dinâmica cultural do dia a dia, como as pessoas se relacionam, e principalmente adaptar processos a sistemas e regras locais com destaque para questões tributárias e burocráticas”, aponta.

Outra diferença significativa, diz ele, é o comportamento do consumidor. Enquanto no Brasil o poder de compra é limitado mas o desejo de consumo é muito forte, em Portugal e na Espanha há, segundo ele, um comportamento mais equilibrado, com uma média mais homogênea entre classes e um consumo mais previsível.

“Ao mesmo tempo, a grande semelhança é universal: a música é uma força global. Ela está no cotidiano das pessoas, mesmo quando elas não percebem. E, apesar de todas as mudanças tecnológicas, o interesse pelo aprendizado musical continua crescendo”, analisa.

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Para ele, o diferencial é que o ensino é baseado na performance e na prática em que o aluno aprende tocando, se apresenta em grandes palcos e participa de eventos e de experiências reais, o que gera “curiosidade imediata” e foi “muito bem recebido”.

Uma das parcerias da escola acontece com o próprio Rock In Rio Lisboa, que disponibiliza palcos para apresentações de alunos. Ao todo, entre 10% e 15% dos alunos querem seguir a carreira da música. Voz, guitarra e bateria são os instrumentos mais comuns.

Também há, de acordo com o executivo, um interesse cada vez maior por parte das famílias para que as crianças façam atividades extracurriculares.

“Música, esportes, idiomas estão entre eles. Esse “espaço” para a música existe em Portugal de forma muito consistente até porque o país uma cultura musical muito rica e histórica. Há um interesse genuíno por música e existem escolas excelentes”, frisa.

Guto afirma que há um movimento de expansão parecido com o Brasil, à medida que o grupo entende as minúcias do mercado local, acerta a estratégia e faz um processo de maturação.

“O foco agora é consolidar operação e marca com consistência, aprofundar a presença local, fortalecer comunidade e eventos, e acelerar a expansão de forma sustentável, sempre mantendo o padrão pedagógico e a experiência que definem a School of Rock”, finaliza.

renan@revistaentrerios.sapo.pt

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