Brasileiros podem financiar imóvel em Portugal? Veja regras, taxas e vantagens
Quem tem até 35 anos se beneficia de programas especiais. Tudo depende dos rendimentos e das garantias, sem diferenças por conta da nacionalidade
- Lisboa
Março 28, 2026
Portugal se tornou um dos mercados imobiliários mais atraentes da Europa e tem captado investidores de vários países. Parte deles paga à vista, mas o financiamento é opção vantajosa, especialmente para os brasileiros. “No Brasil, pagam juros elevados em aplicações, então faz sentido manter investimentos lá e recorrer ao crédito aqui”, explica Cláudia Lopes, intermediadora de crédito que tem como parceira a Remax Finance.
Cláudia diz que muitos clientes optam por comprar à vista por desconhecerem os passos para o financiamento. “Podem desistir dessa ideia porque querem comprar rápido, e são exigidos muitos documentos”. Os empréstimos são possíveis para residentes ou pessoas com cidadania portuguesa e as condições são as mesmas. “Nada varia em função da nacionalidade, e sim dos rendimentos e
das garantias.
As taxas de juros e o spread dependem apenas do risco as sociado ao cliente”, explica ela. Os bancos podem financiar até 90% do valor.

Para cidadãos com até 35 anos, o governo criou, em 2025, o programa Crédito Habitação Jovem, que cobre a diferença para chegar a 100%.
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O engenheiro carioca Thiago Silva, 32 anos, tem cidadania portuguesa e comprou uma casa perto de
Lisboa há dois meses. Ele chegou em Portugal em 2019, e as motivações para obter habitação própria
foram a insegurança de viver de aluguel e a sensação de desperdício de dinheiro.
Silva se beneficiou do Programa de Apoio à Compra de Casa Própria por Jovens (até 35 anos): isenção de Imposto Municipal sobre Transmissões (IMT) e do Imposto do Selo e ainda uma fiança do Estado de até 15% do valor do imóvel, permitindo que o banco financie os 85% restantes.
O financiamento pode chegar a 100%, no caso de imóveis até 450 mil euros. No primeiro semestre, a medida beneficiou 10,7 mil contratos, mais de um terço das compras feitas, segundo o Banco de Portugal (BdP).
A queixa de Thiago é a burocracia, mas ele concluiu que valeu a pena. Segundo disse, é preciso fazer a conta se os juros no Brasil compensam mesmo. “Transferi minhas economias quando o câmbio estava favorável. Se precisar voltar ao Brasil, tenho um montante que se valorizou”.

Janelle Tato, americana, fez outras contas. Ela começou comprando um imóvel com financiamento e, animada pelo resultado, já está comprando o segundo. Como é estrangeira Não Residente e o imóvel está fora do Espaço Schengen, ela só pode financiar até 70%, com prazos e spreads mais altos.
As condições são mais vantajosas para compradores da União Europeia ou com rendimentos em moedas fortes. Contratar um intermediário de crédito foi a melhor decisão de Janelle: “De forma rápida e simples, consegui a pré-aprovação em duas semanas”, conta, satisfeita. “Obtive todas as informações sobre bancos, taxas, prazos e condições. Rapidamente, pude comparar e decidir o melhor”.
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Para aumentar as chances de aprovação, é importante obter o número de contribuinte português (NIF), abrir conta bancária no país, dar uma entrada robusta (30% ou mais) e ter histórico bancário equilibrado.
Segundo Erilk T. Burns, líder de Comunicação Corporativa
do Millennium BCP, “o banco estabelece relações com clientes que tenham uma ligação estável e duradoura com Portugal, não diferenciando o tratamento com base na nacionalidade, mas sim nos critérios de avaliação de risco, como capacidade de crédito, loan-to-value e finalidade da operação”.
Os estrangeiros não residentes não são equiparados a quem adquire residência própria e permanente, e essa diferença impacta no valor exigido de capital próprio e na análise do risco. Apesar da burocracia, Cláudia Lopes afirma que, entre os clientes que a procuram para intermediar crédito, 40% são estrangeiros não residentes, e os brasileiros estão entre as três nacionalidades que mais solicitam empréstimos.
susana@revistaentrerios.pt