Chefs on Fire: toque brasileiro e menu inusitado no Douro
Criado há sete anos, o Chefs on Fire se prepara para desembarcar em São Paulo no ano que vem para sua primeira edição brasileira
- Lisboa
Novembro 3, 2025
Depois de passar por Aveiro, Cascais, Vilamoura e até Madri, o Chefs on Fire encerrou a temporada de 2025 em grande estilo — e com um cenário de cair o queixo: Foz Côa.
O festival que virou sinônimo de comida boa, música, natureza e muita brasa levou sua última edição do ano para o Museu do Côa, no norte de Portugal.
Entre vinhedos, colinas douradas e o rio Douro ao fundo, o público viveu uma experiência que vai muito além do paladar. Afinal, o Chefs on Fire é mais do que um evento gastronômico — é uma imersão completa nos sentidos, com o fogo como protagonista.

A regra é clara: nada de fogão ou eletricidade. Tudo é feito na lenha, no carvão, na paciência e na paixão. E foi com essa energia que, no sábado (1) e domingo (2), oito chefs apresentaram pratos únicos, feitos para surpreender da primeira a última garfada.
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O chef Filipe Ramalho, do restaurante Páteo Real, em Alter do Chão, trouxe o sabor do Alentejo com sua feijoada da Serra com cabrito no espeto.

Já Rui Filipe, do Palatial (Braga) — que ostenta uma estrela Michelin — apostou em uma truta grelhada com berbigão, ervilha e funcho. “Me inspirei na dieta da Península Ibérica do período paleolítico. Cozinhamos tudo no fogo, de um jeito autêntico — e trabalhoso também”, contou o chef, rindo.

Mas o fogo também ganhou sotaque brasileiro com Angélica Salvador, paranaense radicada no Porto há 20 anos e chef do In Diferente, restaurante que também brilha no Guia Michelin.

Ela preparou um prato vegetariano cheio de identidade: queijo coalho, cuscuz e melaço. “O evento nos desafia a cozinhar em um ambiente totalmente diferente da nossa zona de conforto. Pensei num prato que buscasse minhas origens, mas que também mantivesse a tradição portuguesa”, contou.

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As sobremesas também surpreenderam. No sábado (1), Hugo Portela, do Cibú (Porto), criou um leite-creme de castanha assada, abóbora e gengibre.

Já no domingo (2), Nuno Castro, do Fava Tonka, em Leça da Palmeira — premiado com 1 Sol Repsol —, elaborou um cheesecake queimado com maçã e amêndoa.
“O desafio foi criar algo que remetesse às eras neolítica e paleolítica. O tema era o fogo, então o cheesecake estilo basco veio queimado na medida certa. Naquele tempo, também havia muita maçã selvagem, e estamos em uma região de amêndoas. Como não existia açúcar, usamos mel. A ideia foi unir os ingredientes disponíveis naquele período com o terroir do local”, explicou.

Entre um prato e outro, o público relaxava em sofás, poltronas e até camas espalhadas pelo vale — todas com vista privilegiada para o Douro — e aproveitava os shows. Beatriz Pessoa, Eu.Clides, Sara Cruz e Bárbara Bandeira embalaram os convidados.

Criado em 2018, o Chefs on Fire agora se prepara para um novo desafio! Em 2026, o festival desembarca em São Paulo para sua primeira edição brasileira.