A observação do eclipse total em todo Portugal nessa quarta-feira (12) tem gerado grande movimentação com quase 400 eventos previstos em diferentes regiões do país. Mas um órgão em particular tem se preparado de maneira especial para esse que será o grande evento do ano.
O Ciência Viva, que completa 30 anos em 2026, é uma agência nacional que visa divulgar, valorizar e democratizar a ciência em Portugal. Ao todo, existem 22 centros do órgão espalhados pelo país, com museus, espaços culturais e científicos e com a promoção de eventos, projetos e atividades, além de encontros entre cientistas e o público que visam ampliar o conhecimento da população, com parcerias com associações, universidades e empresas. A sede principal fica no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.
“Sabemos que sempre que se aposta e se investe em ciência, há mais desenvolvimento e as economias dos países também se desenvolvem. E o melhor é a possibilidade de se aliar lazer e ciência para as famílias”, descreve Ivone Fachada, diretora do órgão. Um dos programas mais tradicionais é o Ciência Viva no Verão, que promove mais de 800 ações gratuitas e vai até o dia 15 de setembro.
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Durante a observação do eclipse, todas as unidades do Ciência Viva terão atividades, mas uma cidade em especial é o grande centro das atenções. A cidade de Bragança, no extremo norte do país, será a única em que será possível ver 100% do eclipse, ainda que por poucos segundos.
Desde segunda-feira (10), já está acontecendo o Festival Geração Ciência, promovido em parceria com a Câmara Municipal de Bragança. com uma programação especial dedicada à observação do sol e do céu noturno, workshops, sessões de fotografia, oficinas científicas e outras atividades. O evento celebra os 30 anos da instituição, completados em 2026.
O público deve se concentrar no Centro de Ciência Viva de Bragança e npo Aeródromo de Bragança deve receber mais de 7,5 mil pessoas. Já o Parque Nacional de Montesinho, onde o eclipse será de 100% não deve receber público por conta dos riscos de incêndio.
“É muito bom ver as pessoas a desfrutar desse fenômeno astronômico. Temos recebido milhares de telefonemas e de pedidos de óculos que já estão sendo distribuídos desde o começo do ano. Ver um eclipse é algo único em nossa vida e espero que as pessoas não percam essa oportunidade”, ressalta ela.
Durante o eclipse, diversos astrônomos devem recolher dados da atmosfera e da coroa solar para a realização de estudos em campos que vão além da astronomia. “Vai haver sempre mudanças físico-químicas na nossa atmosfera quando acontece um eclipse, quando há esse grau de ocultação, também é possível estudar mais fenómenos da nossa atmosfera”, ressalta.
O evento contará com biólogos que estudarão os efeitos do eclipse na fauna selvagem, de que forma o fenômeno pode mudar o comportamento animal e que mudanças podem ser observadas. Ela acredita que diversas áreas científicas poderão apresentar os resultados em publicações especializadas.
Eclipse no ano que vem?
Para além do eclipse dessa quarta-feira (12), também haverá outros dois, em 2027 e 2028. Mas eles serão visíveis apenas em regiões muito específicas. O grande ineditismo desse ano é que o fenômeno poderá ser observado a quase 100% no país inteiro, o que só deve acontecer de novo em 2144.
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No dia 2 de agosto do ano que vem, o eclipse solar com mais de 90% poderá ser observado apenas em uma pequena região em Faro, no Algarve e deve durar pouco mais de quatro minutos. Já em 26 de janeiro de 2028, acontecerá um eclipse anular, que cria uma espécie de anel de fogo em torno do sol e poderá passar pelo Alentejo e pelo Algarve.
“Vai ser muito parecido, porque o grau de ocultação vai ser de mais de 90%. É muito semelhante, por isso, as pessoas, eu até recomendo que guardem os óculos deste ano porque servirão para o ano que vem. Se o mantiverem sem danos, podem guardá-los para voltar a usar no ano que vem”, destacou a especialista.
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