Mobilidade

Com gasolina em alta, carros elétricos ganham força em Portugal, mas carregamento e altos custos ainda são obstáculos

Em nota exclusiva à EntreRios, governo afirma que o país está à frente na adoção de veículos elétricos

Março 18, 2026

Posto de carregamento de carros elétricos em Lisboa. Crédito: António Pedro Santos/Lusa

Em meio à discussão sobre o aumento do petróleo em todo o mundo, causado pelos impactos da guerra entre Irã e Estados Unidos, também se acende o debate sobre a importância de investimentos para aumentar a malha de veículos elétricos em Portugal.

O Governo afirma que esses veículos podem reduzir significativamente as emissões de dióxido de carbono, melhorar a eficiência energética e diminuir a dependência de combustíveis fósseis. Afirma ainda que há vantagens diretas ao consumidor.

“Do ponto de vista econômico, a mobilidade elétrica pode ser mais vantajosa para o consumidor, sobretudo ao nível do custo por quilômetro, embora este custo dependa dos locais e tipo de carregamento (lento, normal, rápido ou ultrarrápido). Ainda assim, o custo inicial de aquisição pode ser um fator determinante para muitos utilizadores”, destaca a Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), em nota exclusiva enviada à EntreRios.

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A Entidade Gestora da Mobilidade elétrica (mobi.e) afirmou que o consumo de eletricidade associado ao carregamento desses automóveis registrou um crescimento superior a 1.000% entre 2021 e 2025, passando de 17,5 GWh para cerca de 200 GWh, evidenciando um aumento significativo da demanda.

Segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), 23,2 % das matrículas de automóveis em Portugal foram de veículos 100% elétricos, acima da média da União Europeia (17,4 %).

“Estes dados colocam Portugal numa posição de destaque no contexto europeu em termos de adoção de veículos elétricos, refletindo o efeito combinado de políticas públicas, incentivos, expansão da rede de carregamento e enquadramento regulatório alinhado com o AFIR”, destaca o governo em nota.

O DGEG ressalta ainda as políticas do PNEC 2030, o novo regime jurídico da mobilidade elétrica em Portugal e o Regulamento Europeu AFIR.

O Governo destaca que tem havido uma expansão constante da rede de abastecimento desses veículos. A Mobi.e reitera que, entre 2021 e 2025, o número de pontos de carregamento de veículos elétricos aumentou 257%, passando de 3.894 para 13.904.

Ressalta, porém, que há desafios ligados ao carregamento, especialmente em edifícios mais antigos, além da necessidade de aumento da capilaridade de estações por todo o país. Para o governo é preciso pensar especialmente “em zonas residenciais de alta densidade, onde a principal alternativa aos edifícios sem garagens é o carregamento de acesso público”.

Também são necessárias, segundo o DGEG, mais estações de carregamento em condomínios e empresas.

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Especialistas destacam que o problema da rede de abastecimento é muito significativo. “A rede existente é neste momento manifestamente insuficiente para responder às necessidades. Estacionamentos que eram gratuitos para carros elétricos já estão a pensar em cobrar para provocar uma maior regulação desses pontos porque já não dão conta da procura”, destaca o professor Fernando Nunes da Silva, do Instituto Técnico de Lisboa.

Mas também é necessário avaliar quais tipos de bombas de carregamento estão disponíveis nas cidades e nas estradas.

É preciso aumentar a quantidade de postos de carregamentos rápidos para viagens, por exemplo, mas para o dia a dia é importante ter postos mais lentos que permitam o carregamento a preços baixos. Com o carro elétrico, a pessoa não quer que o carregamento custe tanto quanto o gasóleo e nos postos rápidos é isso que acontece”, detalha o professor da Universidade de Lisboa, José Manuel Viegas.

Para ele, se houver postos lentos que permitam carregar a um baixo preço e tragam até 400 km de autonomia, as pessoas não se importariam de deixar o carro carregando por quatro horas. “Tem que ter esse espaço próximo de casa ou do emprego para poder fazer esse carregamento”, acredita.

Nunes da Silva ressalta que os carros elétricos mais modernos já possuem uma maior autonomia, o que diminui a dependência de tantas paradas em postos de abastecimento.

Outro problema, porém, acaba afetando a maior disponibilidade desses veículos: o alto custo, apesar de benefícios como a redução de impostos como o Imposto Sobre Veículos (ISV) e o Imposto Único de Circulação (IUC).

“Os impostos sobre a compra de automóveis são bem altos, o que traz um custo quase proibitivo para a grande maioria das famílias. Vai demorar para haver a substituição para os carros com maior autonomia porque também são mais caros”, destaca.

renan@revistaentrerios.pt

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