EXPOSIÇÃO

“Complexo Brasil”: a viagem imersiva que reaproxima Brasil e Portugal

Mostra na Fundação Calouste Gulbenkian reúne artes, documentos e experiências imersivas para repensar as relações entre Brasil e Portugal

Novembro 18, 2025

“Complexo Brasil” propõe novo olhar sobre identidades e contrastes culturais. Crédito: Divulgação.

É no prédio sede do Gulbenkian, em Lisboa, que tem muito do Brasil representado em arte e muitas cores. A exposição Complexo Brasil ocupa as duas galerias do edifício com uma proposta clara: revisitar a complexa história compartilhada entre Brasil e Portugal por meio de um percurso sensorial e crítico.

Com cenografia criada por Daniela Thomas, o visitante é levado a atravessar em meio a ritmos, crenças e linguagens que moldam a cultura brasileira, em ambientes imersivos que combinam vídeos inéditos, documentos, textos e obras de arte. 

Perfomance ritual de Sandra Nanayna Tariano e Anita Ekman na Toca do Salitre de 2019. Crédito: Divulgação.

A presença simbólica de mantos rituais –  como o tupinambá, o de Arthur Bispo do Rosário e os parangolés de Hélio Oiticica – abre o trajeto, evocando a potência de incorporação e reinvenção que define o imaginário do país.

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Ao refletir sobre o Brasil como fruto de uma longa ação colonial, a mostra busca desfazer estereótipos e estimular novas pontes de entendimento entre os dois povos, num momento em que a presença brasileira em Portugal se torna cada vez mais visível e diversa.

Música popular, carnaval, artes visuais, literatura, poesia e arquitetura surgem interligados, compondo um mosaico que revela tanto a força criativa da cultura brasileira quanto os seus impasses contemporâneos. A exposição integra ainda o programa Gulbenkian Cultura, que amplia o debate com conferências, encontros e apresentações artísticas.

O olhar contemporâneo de Emerson Rocha (@de.saturno) em “Complexo Brasil”. Crédito: Jordan Alves.

A programação paralela inclui o espetáculo Complexo B, com Adriana Calcanhotto, José Miguel Wisnik e o violonista João Camarero, além de um concerto da Orquestra Gulbenkian dedicado a Villa-Lobos e Cláudio Santoro. A revista Colóquio lança também um número especial, Este Brasil, com 40 recensões de obras literárias publicadas após 2000, apresentado em dois encontros públicos.

Completa o projeto um livro de ensaios editado em parceria com a Companhia das Letras, aprofundando a pesquisa curatorial que inspira a exposição.

O Brasil em travessia na mostra que reconstrói a história para além dos estereótipos. Crédito: Jordan Alves.

Complexo Brasil, concebida por José Miguel Wisnik, Milena Britto e Guilherme Wisnik, está na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa (Avenida de Berna, 45A) de quarta a segunda, das 10h às 18h. Os bilhetes custam entre 8 euros e 14 euros. 

jordan@revistaentrerios.pt

Lisboa