Turismo

Conflito entre EUA, Israel e Irã já afeta turismo; europeus e americanos buscam novos destinos

De acordo com um estudo, Bahrein e Omã enfrentam os maiores desafios para retomar a demanda perdida

Março 12, 2026

Conflito entre EUA, Israel e Irã já afeta turismo; europeus e americanos buscam novos destinos. Crédito: EPA/ALAA BADARNEH

O conflito no Oriente Médio já começa a refletir no turismo internacional. De acordo com um estudo da plataforma Mabrian, viajantes estão redirecionando seus planos para destinos considerados mais seguros.

A análise avaliou o comportamento de viajantes do Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Estados Unidos, cinco dos principais mercados emissores para o Oriente Médio. Países como Egito, Jordânia e Turquia também podem sentir impactos da queda na demanda por viagens, embora em menor grau.

Entre as principais conclusões do levantamento está uma “deterioração acentuada na percepção de segurança dos viajantes nos destinos da região do Golfo, ainda que com intensidade variável entre os países.

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Segundo a empresa, os estados árabes do Golfo, investiram muito na última década em segurança como um dos pilares centrais de sua reputação turística. Bahrein e Omã enfrentam os maiores desafios para retomar a demanda perdida. Já o Catar, junto com Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, mostra sinais de recuperação e começa a estabilizar parcialmente o setor.

Os turistas americanos são os mais sensíveis no que diz respeito ao medo e a quererem viajar para locais seguros.

Carlos Cendra, diretor de Marketing e Comunicação da Mabrian, diz que as projeções para o início de 2026 indicavam que a Ásia Ocidental vinha ampliando sua participação no mercado turístico internacional. No entanto, com o início do conflito no Irã, houve uma mudança.

Além dos americanos, turistas europeus estão revisando seus planos de viagem, priorizando destinos mais próximos de casa. Viajantes alemães, por exemplo, têm demonstrado maior interesse por lugares como Marrocos e Grécia, enquanto os italianos preferem a Croácia, República Tcheca, Noruega e Espanha. Já os britânicos optam por Malta, Marrocos e Montenegro. África do Sul e Maldivas também ganham destaque.

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A análise ainda indica aumento do interesse por destinos no extremo Oriente, incluindo Japão, Tailândia, Vietnã, Camboja e Filipinas.

Cidades da América Latina vêm despertando maior atenção de turistas franceses, italianos, alemães e norte-americanos. Nesse contexto, Peru e Brasil aparecem como alternativas atrativas para esses mercados.

Turismo do Oriente Médio perde US$ 600 milhões por dia

O impacto econômico da crise também começa a ser medido. Segundo estimativa do World Travel & Tourism Council (WTTC), a escalada do conflito no Irã está afetando o setor de viagens e turismo em todo o Oriente Médio em pelo menos US$ 600 milhões por dia em gastos de visitantes internacionais.

De acordo com a organização, o Oriente Médio desempenha um papel estratégico no turismo global, representando cerca de 5% das chegadas internacionais e aproximadamente 14% do tráfego internacional de passageiros em trânsito.

Por isso, qualquer instabilidade na região tem efeitos em escala mundial, impactando aeroportos, companhias aéreas, hotéis, empresas de aluguel de veículos e operadoras de cruzeiros.

Os principais hubs de aviação da região, como Dubai, Abu Dhabi, Doha e Bahrein, que normalmente recebem cerca de 526 mil passageiros por dia, já registraram fechamentos e interrupções operacionais à medida que o conflito se intensifica, afetando a conectividade regional e global.

Apesar do cenário desafiador, o WTTC ressalta que o setor de viagens e turismo é um dos mais resilientes da economia mundial e experiências  anteriores indicam que a demanda turística pode se recuperar em apenas dois meses após incidentes relacionados à segurança, desde que governos e empresas do setor atuem rapidamente para restaurar a confiança dos viajantes.

susana@revistaentrerios.pt

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