Hotel

Conheça a antiga fábrica de cereais que se transformou em refúgio de luxo no Alentejo

Com cozinha feita inteiramente no fogo e design industrial, o hotel Moagem oferece uma experiência sofisticada e sustentável

Abril 16, 2026

Moagem – Industrial Lodge. Crédito: Renata Telles
Moagem – Industrial Lodge. Crédito: Renata Telles

Você já pensou em dormir em uma antiga fábrica de cereais? Essa é a proposta fora da caixa do Moagem – Industrial Lodge, um hotel que abriu as portas recentemente em Viana do Alentejo. Onde antes funcionavam máquinas pesadas e depósitos de grãos, agora existe um refúgio de hospitalidade contemporânea que prova que o rústico e o sofisticado podem, sim, andar de mãos dadas.

O prédio, erguido originalmente em 1949 após um incêndio na antiga estrutura da família Vasques Fadista, foi por muito tempo o coração da produção de farinha e azeite da região.

Hoje, o endereço se transformou em um projeto assinado pelo arquiteto Gonçalo Queirós Carvalho, que decidiu manter a alma da fábrica viva. Localizado a meia horinha de Évora e bem perto do Alqueva, o hotel é o ponto de partida perfeito para quem quer explorar o Alentejo profundo sem abrir mão de um design impecável.

Onde o industrial vira aconchego

A arquitetura do hotel é um detalhe à parte. Em vez de esconder o passado fabril, o projeto colocou o ferro, a pedra e a madeira como protagonistas. Pelos corredores, é possível encontrar antigos equipamentos integrados à decoração, além de peças de arte contemporânea espalhadas pelos ambientes.

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“Mantivemos o visual fabril das paredes, mas ao mesmo tempo temos as melhores camas do mundo da Hästens, pisos com aquecimento, ar condicionado… O objetivo é combinar industrial e conforto”, explica o diretor Nuno Veloso.

São 17 quartos no total e nenhum é igual ao outro. Cada acomodação foi desenhada para respeitar a estrutura original do edifício, garantindo que a luz natural e o silêncio alentejano sejam os seus melhores companheiros de viagem.

O hotel conta com 17 quartos. Crédito: Renata Telles
O hotel conta com 17 quartos. Crédito: Renata Telles

Além da estética, o hotel leva o respeito ao meio ambiente a sério. O projeto conta com painéis fotovoltaicos, reaproveitamento de águas e isolamento térmico.

Pausa para o bem-estar

Se a ideia é desconectar, a área de bem-estar do Moagem é o lugar certo. Desenhada para ser um espaço de regeneração, ela oferece uma piscina interna aquecida com circuito hidrotermal que ocupa uma das alas mais reservadas da fábrica.

Piscina interna aquecida com circuito hidrotermal. Crédito: Renata Telles
Piscina interna aquecida com circuito hidrotermal. Crédito: Renata Telles

Para quem não dispensa o ritual completo, o hotel ainda conta com sauna, banho turco e uma sala de massagens para renovar as energias. No lado de fora, um solário com móveis modernos convida para um banho de sol sem pressa.

Gastronomia feita no fogo

A cozinha do Moagem é, literalmente, o coração do hotel. Esqueça fogões elétricos ou indução: por lá, tudo acontece em torno de uma chaminé monumental de sete metros de altura, onde o fogo é a única fonte de calor. O ambiente é super íntimo e os hóspedes podem até sentar na própria cozinha para acompanhar o preparo e sentir os aromas de perto.

O chef Pedro Dias comanda o restaurante do hotel. Crédito: Renata Telles
O chef Pedro Dias comanda o restaurante do hotel. Crédito: Renata Telles

Sob o comando do chef Pedro Dias, o cardápio foca em ingredientes locais, sazonais e biológicos. Os pratos trazem a tradição do Alentejo com uma pegada leve, em menus que mudam diariamente conforme o que a terra oferece. “Focamos no sabor e na comida de conforto. Temos açorda de rio, migas, lagostim do rio… Trabalhar com fogo é voltar à essência antiga de Portugal, do mundo. Temos o desafio é combinar sabores com o fogo sem nunca mascarar o produto com a intensidade do fumo”, explica Dias.

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Área externa do hotel. Crédito: Renata Telles
Área externa do hotel. Crédito: Renata Telles

As sobremesas também ganham destaque e são inspiradas nos doces conventuais. “A sericaia, que tradicionalmente é acompanhada de ameixa de Elvas, ganhou um toque autoral. Trouxemos a essência alentejana em uma versão com azeitona em calda e gelado de azeite”, diz o chef.

Sericaia com gelado de azeite. Crédito: Renata Telles
Sericaia com gelado de azeite. Crédito: Renata Telles

Para acompanhar, a carta de vinhos prioriza produtores portugueses sustentáveis. Seja no refeitório interno, no pátio ao ar livre ou no bar com lareira central, a experiência é um convite para saborear o tempo e a boa conversa.

renata@revistaentrerios.pt

Renata Telles
renata@revistaentrerios.pt