Consulado-Geral do Brasil em Lisboa inaugura espaço que receberá eventos e atividades culturais
Evento homenageou Machado de Assis com palestra do embaixador Lauro Moreira
- Lisboa
Junho 16, 2026
O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa inaugurou nessa segunda-feira (15), o Espaço Machado de Assis, um rooftop localizado no prédio do Consulado, localizado no Chiado, que será destinado a eventos artísticos e culturais.
Para celebrar o momento, o evento inaugural contou com uma palestra do embaixador Lauro Moreira com o tema Machado de Assis: Inovação, Modernidade e Universalidade sobre obra e a vida do autor que está entre os maiores escritores de todos os tempos. O prédio fica na Rua António Maria Cardoso, nº 39, Chiado, 1200-026.
O espaço do Consulado já foi um cinema, espaço de arte e cultura construído em 1908, mas desde que foi comprado pela Caixa Geral de Depósitos na década de 1970 deixou de receber eventos. O Consulado se instalou no local em 2015 e nos últimos anos passou por reformas até receber os eventos no rooftop que possui uma vista privilegiada para o Rio Tejo.
“Esse é um espaço totalmente integrado ao Chiado e todos os seus sons. Por 50 anos esse espaço não era utilizado para a cultura. Esse é um momento histórico para o Consulado que poderá receber diversos tipos de apresentações culturais e artísticas. É um espaço aberto à comunidade brasileira e a todos que nos visitam aqui”, afirma o consul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas.
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O nome para o Espaço Machado de Assis se relaciona com a própria presença do embaixador Lauro Moreira que, quando assumiu em 2005, o cargo de embaixador do Brasil junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa, não encontrava muitas obras de Machado de Assis no país lusitano. Após ações de promoção da literatura brasileira, ele afirma que o quadro mudou.
“A ausência da obra dele por aqui me deixou muito abalado. Acho que isso pode se passar com qualquer escritor. Há tempos em que uma determinada obra ou escritor cai em um certo limbo em que pouco se fala neles e depois voltam. E Machado sempre teve uma ligação com obras e com escritores portugueses, inclusive Camões, ainda que ele nunca tenha vindo para cá. Espero que Machado dure sempre a partir agora”, afirma ele, citando diversos autores e críticos portugueses que estudam e valorizam a obra do escritor brasileiro. Hoje aposentado do Itamaraty, Lauro Moreira é presidente, desde 2016, do Observatório da Língua Portuguesa, em Lisboa.
“Machado de Assis não é um capítulo na história literária do Brasil, mas na história literária do mundo. A verdade é que centenas e centenas de ensaios e estudos críticos têm sido publicados pelos mais destacados intelectuais brasileiros e estrangeiros, fazendo de Machado de Assis de longe o autor mais estudado do país e o mais admirado”, destaca.
Na ocasião em que esteve à frente da CPLP, ele organizou diversos eventos, inclusive em ocasião do centenário de sua morte, em 2008, para a divulgação das obras do escritor e abriu o espaço Machado de Assis na instituição destinado a 90 pessoas, para a realização de atividades culturais e promoção da língua portuguesa. Espaço agora reaberto no Consulado.
“Desde que assumimos a chefia desta missão diplomática, nos empenhamos em realizar um trabalho exaustivo de divulgação na imprensa, meios acadêmicos e especializados, nas universidades e ambientes culturais para a promoção desse grande autor brasileiro e de incentivarmos sua presença em Portugal. Registro com satisfação o especial destaque que Portugal tem conferido a Machado como grande escritor da língua portuguesa”, relembra.
Segundo ele, essa divulgação também representa um papel importante na promoção da própria cultura brasileira e da língua portuguesa a nível mundial.
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“Sua obra é um dos mais importantes produtos de exportação da cultura brasileira, cada vez mais demandado por leitores de várias línguas e em vários continentes. Mesmo sendo de um país bastante periférico àquela época, ele foi pouco a pouco conquistando o mundo da grande literatura ocidental”, enaltece.
Ele ainda destacou sua presença em 24 países e traduções em mais de 35 línguas, além de destaque em importantes debates literários nos Estados Unidos e ter feito parte de coletâneas de grandes autores mundiais.
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