Brasileira cria comunidade em Setúbal para apoiar famílias imigrantes com crianças
Projeto “minines” aposta na cultura, no encontro e na rede de apoio para quem cria filhos longe do país de origem
- Lisboa
Março 9, 2026
Quando a maternidade vira projeto coletivo e cultural. Essa foi a ideia da brasileira Mariana Serafim, de 37 anos, residente em Setúbal, que transformou a própria experiência de ser mãe fora do Brasil em uma iniciativa coletiva. Após sentir a solidão de criar a filha Yara, de 2 anos, longe da família e perceber a escassez de atividades culturais acessíveis para crianças pequenas, decidiu criar o minines, uma comunidade voltada para famílias com filhos na primeira infância muitas delas imigrantes na região:
“O minines nasce daquilo que é importante para nós enquanto família: cultura, arte, curiosidade, criatividade, liberdade e expressão, sempre com a criança no centro, mas sem infantilizar as experiências”, diz Mariana Serafim.

O projeto será lançado oficialmente nesta terça, 10 de março, com uma caça ao tesouro no Bosque da Azeda, reunindo pais, mães e crianças em um encontro ao ar livre. A proposta, no entanto, vai além de um evento pontul pois a ideia é construir uma rede contínua de apoio entre famílias, promovendo experiências culturais compartilhadas em parques, cafés e espaços independentes de Setúbal, com atividades de teatro, música, dança, literatura e artes visuais pensadas para a participação de adultos e crianças.
“Grande parte das famílias que convivem conosco em Setúbal são migrantes e muitas criam os filhos sem rede de apoio. O projeto surge justamente para nos unir e criar um espaço real de troca e convivência. A ideia é ocupar a cidade com as crianças, tornar os espaços mais possíveis para as famílias e criar, a partir da infância, futuros com mais liberdade”, finaliza.
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Idealizadora do projeto, Mariana, conhecida como Nika, tem trajetória na área cultural e foi cofundadora da VALSA, espaço em Lisboa que realizou mais de 200 eventos anuais entre 2018 e 2024. Com o nascimento da filha, o foco mudou para a infância e para a criação de ambientes de convivência e integração social.
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Assim nasceu o “minines”, que funciona por meio de uma subscrição mensal de 6 euros e oferece encontros como playgroups na natureza, clubes de leitura para bebés, saraus artísticos e encontros entre mães, com o objetivo de fortalecer vínculos e tornar a cidade mais acolhedora para famílias com crianças pequenas.
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