Nos últimos anos, alguns investimentos angolanos chamaram a atenção pela magnitude e pelo intuito de captação turística para o país. Um dos atrativos nessa atividade, que é um importante motor econômico, são exatamente seus contrastes, como a costa atlântica de 1.600 quilômetros e o deserto do Namibe, um dos mais antigos do mundo. Além das savanas e parques naturais, como os da Quiçama, Iona e Cangandala.

Tudo isso deveria significar um movimento de visitantes mais potente, não fossem algumas limitações persistentes, especialmente na rede rodoviária, como explica Carlos Gomes, 56 anos, informático português que vive em Luanda há quase duas décadas. “Os grandes problemas do turismo são os acessos — aos transportes, que são precários, aos alojamentos com preços altos e até às dificuldades para trocar euros por kwanzas. Porém, o país tem lugares lindíssimos e atrativos para o setor”.

Os aeroportos internacionais são facilitadores de acesso, claro. Destacam-se o Dr. António Agostinho Neto, de enormes dimensões, construído recentemente em Luanda, e o da Catumbela, em Benguela. Além de portos que permitem o turismo de cruzeiros e o acesso marítimo.
Este ano, pela primeira vez, em seis décadas, Angola foi o país anfitrião da feira de turismo mais influente do mundo, a ITB Berlin, na Alemanha. “Estamos a apostar, agora, no petróleo verde: o turismo”, disse Márcio de Jesus Lopes Daniel, ministro do Turismo de Angola. Já Deborah Rothe, diretora da feira, descreveu Angola como “uma joia escondida que ganha visibilidade dos holofotes internacionais”.

De Portugal, sempre houve um bom fluxo turístico de cidadãos que viveram ou nasceram em Angola, quando o país era uma das mais importantes colônias da África e onde viviam centenas de milhares de portugueses. Com a independência, em 1975, e após a Revolução portuguesa de 25 de abril de 1974, muitos regressaram a Portugal. E passaram a ser visitantes do continente africano.
Maria Ribeiro, 68 anos, médica e fotógrafa, é um desses exemplos. Cresceu no Lobito, em Angola, e voltou com a família ainda adolescente para Portugal. Em 2006, decidiu retomar as viagens ao país de origem. “É o turismo da saudade, revisitar lugares onde vivi”, diz.

Em 2016, levou as filhas e teve uma agradável surpresa. “A mais nova apaixonou-se por um angolano e foi para Luanda, e os meus três netos já nasceram lá”, conta. Maria garante que a região não perde para
outros destinos internacionais, mais populares, embora “ainda seja um turismo básico, sem luxos”.
LEIA TAMBÉM Um novo jeito de conhecer o Douro que une arte, arquitetura e vinho
A agência de turismo 100 Rotas organiza um circuito anual ao país. “Mas sempre com uma guia experiente”, afirma Francisco Agostinho, dono da agência. Ele cita Raquel Oliveira, que exerce a função há mais de uma década e é “imprescindível” para desenhar itinerários. Segundo diz, um tour de 17 dias, com passagem aérea, situa-se na faixa de 4 mil euros por pessoa, com tudo incluído. A agência, garante ele, busca sempre “lugares que tragam algo novo, que não estejam massificados, além de ser um destino rico em cultura”.

A segurança, “apesar da imagem negativa que ainda existe”, é a mesma de um país estável, garante Agostinho. O português Carlos Gomes, morador da capital, confirma: “Em Luanda, como em qualquer outra cidade do mundo, há assaltos, mas no interior ainda é possível andar com tranquilidade”.
O roteiro de turistas costuma oferecer “tradições, natureza, contato com as pessoas e um pouco de aventura”. Maria destaca o passeio pelo deserto do Namibe, feito em um jipe. “Dormi em uma tenda muito simples, mas valeu a pena”. Ela pretende regressar para fazer novamente o percurso do deserto junto ao mar.
LEIA TAMBÉM TAP expande operações no Porto com nova ligação para Cabo Verde
Em Luanda, a principal porta de entrada, há muitos patrimônios construídos por portugueses, embora boa parte já tenha sido destruída. Mantém-se a imponente Fortaleza de São Miguel, erguida no século XVI, que atrai os visitantes.

Quando se viaja para o Mussulo ou Caboledo, os pontos fortes são as praias. Ele também cita outros locais que considera únicos: “O Miradouro da Lua, perto da capital, as Cacho eiras do Binga, no Cuanza Sul, e a Fenda da Tundavala, no Huíla”.
A riqueza natural de Angola é inquestionável, destacando-se as Quedas de Calandula, em Malanje, uma das maiores da África, e a Floresta do Maiombe, dividida com o Congo e considerada a segunda maior floresta tropical do mundo, depois da brasileira Amazônia.

As 7 Maravilhas de Angola
O país regista atualmente apenas um lugar inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO. O centro histórico de Mbanza Kongo, situado ao norte de Angola, ex-capital do antigo Congo, e um dos mais importantes estados pré-coloniais, com vestígios arqueológicos e elementos que testemunham o encontro entre as culturas africanas e europeias desde o século XV.
Mas, em uma votação popular feita pelo Turismo de Angola, os locais mais apreciados e considerados as sete maravilhas do país são os seguintes:
- Fenda da Tundavala, Huíla;
- Floresta do Mayombe, Cabinda;
- Grutas do Nzenzo, Uíge;
- Lagoa Carumbo, Lunda Norte;
- Morro do Môco, Huambo;
- Quedas de Kalandula, Malanje;
- Quedas do Rio Chiumbe, Lunda Sul.
Fonte: Portal Oficial do Turismo de Angola
Esta reportagem foi publicada originalmente na edição impressa da EntreRios, disponível mensalmente em bancas de Portugal. Para ter acesso a conteúdos exclusivos e receber a revista em casa, assine aqui.
susana@revistaentrerios.pt