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Da favela ao NOS Alive: Orquestra Maré do Amanhã transformou tragédia em esperança por meio da música

Projeto social do Rio de Janeiro se apresenta nesta quinta(9) no NOS Alive com repertório que inclui músicas de Carolina Deslandes, Bárbara Tinoco e Dino d'Santiago

Julho 9, 2026

Orquestra Maré do Amanhã. Crédito: Jordan Alves
Os integrantes da Orquestra Maré do Amanhã durante ensaio na quarta (8) no NOS Alive. Crédito: Jordan Alves

O que nasceu da dor encontrou na música um caminho de esperança. A Orquestra Maré do Amanhã sobe ao palco do NOS Alive nesta quinta (9), às 18h, no Palco Fado Café, levando ao público português muito mais do que música. Fundada em 2010 pelo jornalista Carlos Eduardo Prazeres, filho do maestro português Armando Prazeres, a iniciativa nasceu no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, como uma resposta à violência que vitimou seu pai. O projeto transformou um episódio de dor em uma história de inclusão social por meio da formação musical de crianças e jovens da comunidade. Para a apresentação em Lisboa, a orquestra preparou um repertório em homenagem à música portuguesa, com canções de artistas como Carolina Deslandes, MARO, Bárbara Tinoco, Dino d’Santiago e os NAPA.

Carlos Eduardo Prazeres. Crédito: Jodan Alves
Carlos Eduardo Prazeres, fundador da orquestra. Crédito: Jodan Alves

A participação em um dos maiores festivais de música de Portugal representa um marco na trajetória da orquestra e de seus integrantes. Para Prazeres, a apresentação simboliza o reconhecimento de um trabalho construído ao longo de 15 anos.

“Eu não tenho palavras. Isso é um sonho para essas crianças. Imagina você sair de uma favela no Rio de Janeiro e participar do mais importante festival de música daqui. Para a gente, é um prêmio, um reconhecimento ao trabalho sem igual. As histórias de transformação que o projeto fez na vida dessas crianças são tocantes. Tem aluno estudando luteria em Cremona para voltar ao Brasil e criar uma escola. Crianças que tinham tudo para estar ligadas ao crime hoje vivem da música. Isso é uma transformação maravilhosa na vida delas”, afirmou à EntreRios.

A origem da Orquestra Maré do Amanhã também está diretamente ligada à memória de Armando Prazeres, maestro português que dedicou parte da carreira a levar música para escolas e comunidades populares. Após o sequestro e assassinato do pai, Prazeres decidiu dar continuidade ao legado de uma forma diferente, justamente na Maré, local onde o carro do maestro foi encontrado depois do crime.

“Foi meu pai quem inspirou tudo isso. Eu não queria mais continuar fazendo o trabalho que ele fazia da mesma forma. Resolvi ir para a Maré e fazer renascer ali o sonho dele. Eu não tinha uma orquestra, tinha um grupo de crianças de 10, 12 anos. Hoje nós somos uma orquestra”, relembrou o fundador.

Debora Choi. Crédito: Divulgação
Debora Choi no Complexo da Maré no Rio de Janeiro. Crédito: Divulgação

Entre essas crianças estava a violoncelista Débora Choi, que integra a Orquestra Maré do Amanhã desde o início do projeto e atualmente também atua como professora. Ela conta que entrou na iniciativa aos 12 anos e encontrou na música um caminho que mudou sua vida.

“É muito gostoso pensar nos 16 anos que eu estou na orquestra e nos frutos que já colhi, que venho colhendo e ainda vou colher. Eu comecei a tocar violoncelo porque não tinha nada para fazer em casa e me apaixonei. O Carlos sempre dizia que o violoncelo é o instrumento que mais se assemelha à voz humana. Quando você escuta, é como se estivesse conversando com uma pessoa. É um som tão confortável que a gente simplesmente se deixa levar”, disse.

Hoje, sua trajetória representa um dos muitos exemplos de como a música se tornou instrumento de transformação social para jovens da Maré.

Maré do Amanhã. Crédito: Divulgação
A nova geração de alunos da “Maré do Amanhã”. Crédito: Divulgação

Além da apresentação no NOS Alive, a Orquestra Maré do Amanhã celebra outro marco em sua trajetória durante a passagem por Portugal. Na segunda (13), às 18h30, acontece, na Livraria da Travessa Lisboa, o lançamento do livro Concerto para um sonho, escrito pela jornalista Hérica Marmo. A obra reúne a história da orquestra e relatos de transformação vividos por crianças e jovens que tiveram suas vidas impactadas pelo projeto social.

Serviço: 

Orquestra Maré do Amanhã no NOS Alive 2026
Data: quinta (9)
Local: Passeio Marítimo de Algés, Oeiras

jordan@revistaentrerios.pt

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