Déficit de atenção e uso excessivo de telas: quando um potencializa o outro
Assim como ataques de pânico podem ser confundidos com infarto, sintomas do vício em telas também podem se confundir com TDAH
- Lisboa
Junho 21, 2026
Quantas vezes ouvimos o relato de pessoas que vão ao hospital achando que estão tendo um infarto diante de um ataque de pânico. O mesmo pode suceder com a confusão entre sintomas idênticos pelo vício do uso continuado de telas e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
O TDAH é um transtorno neurobiológico grave, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que causa prejuízos ao portador e para quem convive com ele. Costuma ter origem genética e é diagnosticado geralmente na infância.
Atualmente afeta cada vez mais crianças e adolescentes, e mesmo adultos têm sido diagnosticados em idade mais avançada. Os sinais envolvem dificuldades de comportamento, aprendizado e regulação emocional: impulsividade, agitação, dificuldade de concentração, ansiedade, irritabilidade e, em alguns casos, depressão.
LEIA TAMBÉM O estresse pós-traumático decorrente dos conflitos
Fatores como consumo de álcool e nicotina na gestação podem influenciar, e o ambiente familiar também pode agravar sintomas, embora não se possa dizer que seja a causa.
O uso exagerado de dispositivos digitais estimula o cérebro de forma intensa. Quando esse estímulo é interrompido, costuma surgir irritação ou inquietação, dificuldade de manter o foco.
O excesso de informação pode gerar a sensação de “névoa mental” e prejudicar a memória. Jovens que usam muito esses dispositivos têm maior probabilidade de apresentar sintomas parecidos com os do TDAH.
Em relação a esse vício, podemos dizer que pessoas com TDAH se sentem mais atraídas do que o normal pelos aparelhos digitais e os estímulos que eles proporcionam. Não é que a tecnologia seja a causa direta do TDAH, mas seu uso excessivo pode piorar o quadro.
Para pais e educadores, o aumento do uso de telas é um desafio a mais na identificação do TDAH, pois confundir os diagnósticos pode levar ao tratamento errado.
LEIA TAMBÉM Ler está na moda? Saiba por que Portugal está vendendo mais livros
Uma forma simples de diferenciar é fazer um detox digital, diminuindo o uso de mídias, videogames, redes sociais e tudo o que é digital por algumas semanas. Se o humor e a concentração melhorarem, isso pode indicar que o principal problema é a dependência de telas.
Se os sintomas persistirem, é importante buscar avaliação profissional e investigar um possível TDAH.
susana@revistaentrerios.pt