Depois que nasce uma mãe
- Brasil
Maio 6, 2026
“Sou mãe de uma menina, a Helena, de 5 anos. Minha filha é muito madura para a idade, e isso me encanta e acalma. Às vezes, acho que a Helena, na sua tão pequena idade, nos dá grandes lições de vida. E, assim, ensinando e aprendendo, a gente vai se adequando à nova vivência, com outros ritmos, outras prioridades, outras urgências”
Ninguém te conta exatamente como acontece. Não há um parto para dar à luz uma mãe, um marco dividindo o antes e o depois. Mas em algum momento — pode ser no primeiro olhar, colinho ou choro; pode ser semanas depois, no silêncio de uma madrugada — nasce uma mãe. E, nesse momento, você se dá conta de que ganhou uma nova forma de olhar o mundo, uma força que não sabia possuir, uma capacidade ampliada de amar, sentir e proteger.
Continua a mesma, mas mudou muito. Paradoxal, não é? Entendedoras entenderão.
A ideia romantizada da maternidade como plenitude e paraíso entra em conflito com a culpa, em vários momentos. Sempre trabalhando, nós, mães, nos culpamos por achar que nunca fazemos o suficiente, apesar de fazermos muito.
O ‘eu’ de uma mãe passa a ser atravessado por alguém que depende totalmente dela. Essa dependência, ao mesmo tempo, comove e dá medo. Pode levar a cansaço físico, emocional e existencial. Um cansaço que convive com o amor mais intenso que já se sentiu na vida. Esse é o outro lado da maternidade, me- nos falado, mais sutil, porém importante: a reconstrução da própria identidade.
Sou mãe de uma menina, a Helena, de 5 anos. Minha filha é muito madura para a idade, e isso me encanta e acalma. Esperta, antenada, inteligente, é um orgulho para a nossa família. Sinto que ela já tem uma ‘vida própria’, com origem na escola, que ama, e em todo o ambiente estudantil. É bem sociável, tranquila, não tem crise. Às vezes, acho que a Helena, na sua tão pequena idade, nos dá grandes lições de vida. E, assim, ensinando e aprendendo, a gente vai se adequando à nova vivência, com outros ritmos, outras prioridades, outras urgências.
Ser mãe não apaga ser mulher. Só transforma. Às vezes, lentamente, quase imperceptível. A mulher que emerge desse processo não é maior ou menor — é ela mesma, só que outra.
E talvez o maior desafio — e também a maior liberdade — esteja justamente aí: permitir-se não voltar a ser quem era, mas descobrir quem se tornou.
Porque, depois que nasce uma mãe, não existe retorno.
Só existe caminho.
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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