O dia 13 de julho é uma data especial para os fãs de rock no Brasil. Embora seja conhecido como Dia Mundial do Rock, a celebração acontece praticamente apenas no país. A escolha da data surgiu como uma homenagem ao Live Aid, megafestival beneficente realizado em 13 de julho de 1985, e ganhou popularidade nos anos 1990 após ser adotada por rádios paulistas dedicadas ao gênero.
Idealizado pelos músicos Bob Geldof e Midge Ure, o Live Aid mobilizou o mundo da música para arrecadar recursos destinados ao combate à fome na Etiópia, que enfrentava uma grave crise humanitária. O evento aconteceu simultaneamente no Estádio de Wembley, em Londres, e no John F. Kennedy Stadium, na Filadélfia, reunindo nomes como Queen, David Bowie, Led Zeppelin, Madonna, U2, Paul McCartney, Elton John e The Who. Com apresentações de cerca de 15 a 20 minutos, o festival foi transmitido para mais de 100 países e alcançou uma audiência estimada em quase dois bilhões de pessoas, tornando-se um dos maiores eventos musicais da história.
A associação do dia 13 de julho ao rock também é atribuída a uma declaração de Phil Collins, um dos artistas que participou do Live Aid nos dois continentes. Na ocasião, ele sugeriu que a data fosse lembrada como o “Dia Mundial do Rock”. A ideia não foi adotada internacionalmente, mas acabou sendo abraçada no Brasil e permanece viva até hoje. Relembre abaixo!
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Londres – Inglaterra
A sede inglesa do Live Aid foi o Estádio de Wembley, em Londres, que naquele dia recebeu mais de 72 mil pessoas. Entre 12h e 22h, o público presente viu 23 concertos, incluindo nomes como Elton John, David Bowie e Paul McCartney. Porém, o Queen roubou a cena. A banda britânica subiu ao palco por volta das 18h40 e tocou seis músicas, incluindo clássicos como Bohemian Rhapsody e We Are The Champions. Considerado por fãs e críticos como um dos concertos mais marcantes de todos os tempos, o show foi retratado na cinebiografia Bohemian Rhapsody (2018).
Horas depois, o vocalista Freddie Mercury e o guitarrista Brian May voltaram ao palco para uma performance da faixa Is This The World Created…?. O dia foi encerrado com a Band Aid, que reuniu no palco Paul McCartney, George Michael, Bono Vox (U2) e vários músicos que se apresentaram antes. Eles cantaram juntos Do They Know It’s Christmas?, música lançada pelos organizadores do festival.
Filadélfia – Estados Unidos
Quase 90 mil pessoas tomaram o John F. Kennedy Stadium, na Filadélfia, para a edição norte-americana do Live Aid. A programação contou com mais performances que na Inglaterra: 35, com atrações como Led Zeppelin — com Phil Collins na bateria — , Black Sabbath — em uma reunião com o vocalista Ozzy Osbourne — e os Beach Boys. Por volta das 22h15, a plateia recebeu um encontro de peso: um concerto em conjunto de Mick Jagger e Tina Turner. Cinco músicas foram cantadas pela dupla, como State of Shock e It’s Only Rock & Roll (But I Like It).
O ato final nos Estados Unidos foi uma performance de We Are the World, do supergrupo USA for Africa, reunindo nomes como Lionel Richie — coautor da canção —, Bob Dylan, Patti LaBelle, entre outros. Apesar de ter composto a música e ser convidado, Michael Jackson não participou do show pois, segundo sua assessoria, estava focado no trabalho em estúdio.
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Evento teve arrecadação milionária
Assistido por mais de 1,5 bilhão de pessoas em 100 países, o Live Aid arrecadou cerca de 127 milhões de dólares em doações e vendas de ingressos nos dois locais em que foi sediado. Com o single Do They Know It’s Christmas? — lançado meses antes — na soma, os valores passam de 245 milhões de dólares, destinados à crise de fome vivida na Etiópia. 40 anos depois, em uma entrevista de 2025 à Billboard, o fundador do festival, Bob Geldof, refletiu sobre a influência do rock no propósito do evento.
“É essa sensação de estar lá e de estar conectado. Todos simplesmente sentiram essa sensação de humanidade, estávamos todos conversando uns com os outros sobre um problema comum e usando uma linguagem comum, a língua franca do rock ‘n’ roll. O rock ‘n’ roll vai além da linguagem. É uma atitude, um sentimento, e é universal”, disse Geldof.
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