Do clássico Xutos & Pontapés ao hip-hop de Carlão: o que esperar dos artistas portugueses no Rock in Rio Lisboa 2026
Evento reúne diferentes gerações da música portuguesa
- Lisboa
Junho 27, 2026
O Rock in Rio Lisboa 2026 abrirá espaço para a música portuguesa ao reunir artistas consagrados e nomes da nova geração. No sábado (27) e no domingo (28), o festival apresentará um panorama da produção musical do país, passando pelo rock que ajudou a construir a identidade cultural de Portugal, pelo hip-hop, pela música urbana, pela eletrônica e por estilos que dialogam com o fado, a kizomba e o pop contemporâneo.
O principal destaque da programação nacional será o Xutos & Pontapés. Além do show, a banda assumirá, pela primeira vez, a curadoria do Palco Music Valley com o projeto Classe de 79, reunindo grupos que marcaram o surgimento do rock português no fim dos anos 1970 e no início da década de 1980. Ao longo do fim de semana, artistas veteranos dividirão espaço com representantes da cena alternativa e urbana, mostrando a diversidade da música produzida em Portugal.
Xutos & Pontapés
Poucas bandas ocupam um lugar tão importante na história da música portuguesa quanto o Xutos & Pontapés. Formado no fim de 1978, o grupo transformou músicas como A minha casinha, Ai se ele cai e Homem do Leme em verdadeiros hinos nacionais, mantendo uma conexão com diferentes gerações de fãs ao longo de quase cinco décadas.
No Rock in Rio Lisboa 2026, a banda viverá um momento inédito ao assumir a curadoria do Palco Music Valley. Batizado de Classe de 79, o projeto homenageia a geração responsável por consolidar o rock português e reunirá, além do Xutos & Pontapés, nomes como GNR, UHF e Táxi em uma celebração da história do gênero no país.
GNR
Fundado no Porto, em 1980, o GNR (Grupo Novo Rock) tornou-se uma das bandas mais influentes do rock português ao combinar elementos do rock, do pop, do punk e da new wave com letras marcadas pela ironia, pelo humor e pela crítica social. Clássicos como Dunas, Pronúncia do norte e Efectivamente permanecem entre os maiores sucessos da música portuguesa.
Liderado pelo vocalista Rui Reininho, o grupo construiu uma trajetória de mais de quatro décadas sem perder relevância. A presença de palco é uma das principais marcas da banda, considerada uma das representantes da geração que impulsionou o rock português nos anos 1980.
UHF
Também formada em 1978, a UHF é considerada uma das pioneiras do rock português e uma das responsáveis pelo chamado boom do rock, movimento que transformou a cena musical do país na década de 1980. Sob a liderança de António Manuel Ribeiro, a banda ganhou notoriedade por letras em português que abordam temas sociais e políticos, combinadas a uma sonoridade inspirada no punk e no rock de garagem.
Canções como Cavalos de corrida, Rua do Carmo e Sou Benfica consolidaram o grupo como uma referência do gênero. Ainda em atividade, a UHF chega ao festival mantendo a reputação de uma das bandas mais longevas e influentes da história do rock português.
Jafumega
O Jafumega faz parte da geração responsável pela consolidação do pop-rock português. Embora tenha passado por mudanças na formação ao longo dos anos, a banda preserva integrantes históricos, como Luís Portugal, José Nogueira e Mário Barreiros, mantendo vivo o repertório que marcou diferentes fases da música portuguesa.
Atualmente, o grupo se apresenta acompanhado por músicos convidados, preservando a identidade construída desde os anos 1980 e reforçando seu papel como uma das formações mais tradicionais do pop-rock do país.
Bateu Matou
Representante da música contemporânea portuguesa, o Bateu Matou reúne Ivo Costa, Quim Albergaria e Riot (Rui Pité) em um projeto que mistura percussão, produção eletrônica e influências de diferentes estilos musicais. O trio ficou conhecido por unir tradição e experimentação, criando uma identidade própria dentro da cena alternativa portuguesa.
Desde a estreia, o grupo acumula apresentações em importantes festivais europeus e prepara novos lançamentos para 2026. No Rock in Rio Lisboa, levará ao público um espetáculo marcado pela força da percussão e pela fusão entre música eletrônica e elementos da cultura lusófona.
Bia Caboz
Entre os novos talentos portugueses, Bia Caboz se destaca por explorar novos caminhos para o fado. Natural da Ilha da Madeira e criada em Lisboa, a cantora ganhou projeção nacional com Sentir saudade, música gravada em parceria com o DJ Kura que alcançou milhões de reproduções nas plataformas de streaming.
Sua proposta artística mistura o fado com música eletrônica, pop, afrobeat, samba e sonoridades urbanas, aproximando a tradição portuguesa de novos públicos dentro e fora do país.
Carlão
Nome de destaque da música urbana portuguesa, Carlão ganhou projeção nacional como integrante fundador do Da Weasel, grupo que ajudou a popularizar o hip-hop em Portugal. Em carreira solo, consolidou um repertório que reúne crítica social, reflexões pessoais e diferentes influências musicais, transitando entre o rap, ritmos africanos e música eletrônica.
Após o retorno do Da Weasel aos palcos e novos lançamentos nos últimos anos, o artista prepara um álbum inédito previsto para 2026. No Rock in Rio Lisboa, apresentará um show que percorre diferentes momentos de sua trajetória e evidencia a evolução da música urbana portuguesa.
Irina Barros
Uma das principais revelações da kizomba e do zouk em Portugal, Irina Barros construiu a carreira influenciada por suas raízes angolanas e cabo-verdianas. A cantora iniciou sua trajetória profissional em 2012 e conquistou espaço na cena musical ao combinar pop, música africana e ritmos urbanos.
Ao longo da carreira, colaborou com artistas como Matias Damásio, Nelson Freitas e Deejay Telio. Sucessos como Só love, certificada com disco de platina em Portugal, ajudaram a consolidá-la como uma das vozes mais promissoras da música lusófona contemporânea.
Valete
Reconhecido como um dos maiores nomes do rap português, Valete construiu uma carreira marcada pelo discurso político, pela crítica social e pela defesa dos valores da cultura hip-hop. Desde o fim dos anos 1990, tornou-se referência para diferentes gerações de artistas do gênero.
O rapper prepara o lançamento do álbum Em movimento, seu primeiro trabalho de estúdio em muitos anos. O projeto mantém a proposta de apresentar músicas com forte teor social e reforça a presença do hip-hop como um dos pilares da música portuguesa contemporânea.
Karetus
A dupla Karetus levará ao festival um espetáculo voltado para a música eletrônica. Formado por Carlos Silva e André Reis, o projeto tornou-se conhecido por incorporar influências da cultura lusófona em produções voltadas para as pistas de dança.
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Os artistas defendem o conceito de Full flavour, que privilegia a mistura de estilos sem se prender a rótulos musicais. Com apresentações marcadas pelo uso de tecnologia e performances de alta intensidade, o Karetus representa a vertente eletrônica da programação portuguesa do Rock in Rio Lisboa 2026.
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