As dificuldades enfrentadas por imigrantes para regularizar a situação em Portugal já são amplamente conhecidas. Filas, demora na análise de processos e incertezas fazem parte da rotina de milhares de pessoas. Um novo documentário, porém, busca ir além das estatísticas e mostrar o impacto humano por trás da burocracia.
Lançado recentemente, o média-metragem Vida de Imigrante, com cerca de 50 minutos e dividido em três partes, reúne os relatos de oito brasileiros que tiveram a vida interrompida ou profundamente afetada por falhas nos processos de regularização conduzidos pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).
A produção é assinada pela advogada Priscila Nazareth Ferreira, que percorreu Portugal de norte a sul para ouvir personagens que enfrentaram dificuldades para obter documentos, trabalhar, estudar e reconstruir a própria vida no país. A proposta é colocar rosto e voz em uma realidade que costuma aparecer apenas em números e debates sobre imigração.
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“Este documentário é um espelho: revela pessoas reais que cumprem a lei, contribuem para a economia e, ainda assim, permanecem presas a atrasos que não deveriam existir. O objetivo é devolver humanidade ao debate. Tornou-se evidente para mim que a burocracia tem impacto real na saúde, no trabalho e na dignidade de estrangeiros que aqui vivem”, afirma em entrevista à EntreRios.
Uma das histórias é a da brasileira Amanda Abreu que tem buscado promover mobilização internacional em torno da causa já foi contada aqui pela EntreRios.
O documentário evidencia como a demora e as falhas nos processos de regularização afetam diferentes aspectos da vida dos imigrantes. Os relatos mostram consequências que vão do acesso à saúde e à educação ao mercado de trabalho e à qualidade de vida. Entre os problemas apontados estão processos atrasados, sem andamento e até mesmo extraviados.
“Pessoas que cobertas pela legislação continuam à espera de uma autorização de residência quando o governo não opera dentro do caminho da legalidade. Bastava que houvesse organização, eficiência e cumprimento, cumprimento daquilo que é o rigor da legislação. Quando a gente fala o respeito à lei, eu não estou me referindo apenas à imigração, eu estou falando sobre seres humanos que precisam ser vistos dessa maneira e não apenas do ponto de vista dos números”, afirma a profissional.
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