Histórias reais

Documentário dá voz a brasileiros que tiveram a vida paralisada por atrasos da AIMA

Com histórias marcadas por atrasos, incertezas e longos processos, oito brasileiros revelam como a ineficiência dos serviços de imigração afetou seus planos em Portugal

Julho 14, 2026

Brasileiros contam como suas vidas foram impactadas pela ineficiência dos serviços de imigração

As dificuldades enfrentadas por imigrantes para regularizar a situação em Portugal já são amplamente conhecidas. Filas, demora na análise de processos e incertezas fazem parte da rotina de milhares de pessoas. Um novo documentário, porém, busca ir além das estatísticas e mostrar o impacto humano por trás da burocracia.

Lançado recentemente, o média-metragem Vida de Imigrante, com cerca de 50 minutos e dividido em três partes, reúne os relatos de oito brasileiros que tiveram a vida interrompida ou profundamente afetada por falhas nos processos de regularização conduzidos pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

A produção é assinada pela advogada Priscila Nazareth Ferreira, que percorreu Portugal de norte a sul para ouvir personagens que enfrentaram dificuldades para obter documentos, trabalhar, estudar e reconstruir a própria vida no país. A proposta é colocar rosto e voz em uma realidade que costuma aparecer apenas em números e debates sobre imigração.

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“Este documentário é um espelho: revela pessoas reais que cumprem a lei, contribuem para a economia e, ainda assim, permanecem presas a atrasos que não deveriam existir. O objetivo é devolver humanidade ao debate. Tornou-se evidente para mim que a burocracia tem impacto real na saúde, no trabalho e na dignidade de estrangeiros que aqui vivem”, afirma em entrevista à EntreRios.

Uma das histórias é a da brasileira Amanda Abreu que tem buscado promover mobilização internacional em torno da causa já foi contada aqui pela EntreRios.

O documentário evidencia como a demora e as falhas nos processos de regularização afetam diferentes aspectos da vida dos imigrantes. Os relatos mostram consequências que vão do acesso à saúde e à educação ao mercado de trabalho e à qualidade de vida. Entre os problemas apontados estão processos atrasados, sem andamento e até mesmo extraviados.

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“Pessoas que cobertas pela legislação continuam à espera de uma autorização de residência quando o governo não opera dentro do caminho da legalidade. Bastava que houvesse organização, eficiência e cumprimento, cumprimento daquilo que é o rigor da legislação. Quando a gente fala o respeito à lei, eu não estou me referindo apenas à imigração, eu estou falando sobre seres humanos que precisam ser vistos dessa maneira e não apenas do ponto de vista dos números”, afirma a profissional.

renan@revistaentrerios.pt

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