Comércio Exterior

Em meio ao tarifaço americano, Brasil expande exportações e comemora ampliação dos negócios com a União Europeia

Enquanto exportações para a UE subiram US$3,1 bilhões no primeiro semestre, elas caíram US$22,6 bilhões no mesmo período para os Estados Unidos

Julho 17, 2026

Presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, se mostrou otimista com o aumento das exportações brasileiras no primeiro semestre de 2026. Crédito: Renan Araujo

Na quarta-feira (15), os Estados Unidos anunciaram oficialmente a volta do tarifaço de 25% sobre diversos produtos brasileiros a partir de quarta (22). Na lista, estão etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados, papel, bens de capital, entre muitos outros.

Mas se as novas tarifas trazem preocupação para o governo e para o setor produtivo brasileiro, por outro lado, o país tem diversificado a quantidade de países exportadores e, com isso, já vem colhendo frutos.

Segundo a ApexBrasil, o Brasil exportou US$3,1 bilhões de dólares a mais em produtos e serviços para o bloco europeu na comparação entre o primeiro semestre de 2026 e o mesmo período do ano passado. Apenas entre maio e junho, foram US$2 bilhões a mais em vendas, um efeito direto do Acordo entre o Mercosul e União Europeia implantado em 1º de maio.

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No outro lado da balança, com o tarifaço, o Brasil deixou de exportar US$2,6 bilhões de dólares para os EUA no primeiro semestre de 2026. “O mercado americano é muito importante para o Brasil e seguimos trabalhando junto com as entidades setoriais americanas para reverter isso. Os empresários americanos e brasileiros não querem a tarifa, ela atrapalha os negócios e não é bom para o consumidor americano. A gente vê até mesmo o aumento da inflação nos Estados Unidos”, disse Laudemir Muller, presidente da ApexBrasil, em entrevista exclusiva à EntreRios

Além disso, entre as 2,5 mil empresas exportadoras para os Estados Unidos acompanhadas pela Apex, 72% delas já conseguiram diversificar seus mercados e passaram a vender para países com quem não tinham relações comerciais anteriormente. “Isso explica o desempenho bastante positivo das exportações brasileiras no primeiro semestre, passando de US$166 bilhões para US$185 bilhões nesse ano, um aumento de 11,44%”, detalhou. Muller ainda destacou que o Brasil aumentou as exportações para a China em US$10,5 bilhões e para a Índia em US$2,5 bilhões.

União Europeia

Presente em Lisboa para o evento de abertura do escritório da Fiocruz em Lisboa, Muller destacou que o grande benefício do acordo entre Mercosul e UE é a remoção de barreiras tarifárias que permitem a melhoria do ambiente de negócios, de cooperação e investimentos.

“A gente tem a expectativa de que o complexo industrial e econômico brasileiro possa se conectar com empresas europeias e africanas para desenvolverem novos produtos, melhorarem o ambiente de inovação e melhorarem seus sistemas de saúde”, frisou, em referência às cooperações desenvolvidas também com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

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Para ele, ainda há um desafio e um grande potencial para ser explorado, uma vez que a União Europeia importa US$20 bilhões em produtos e serviços para a área da saúde, enquanto o Brasil exporta apenas US$470 milhões.

“A presença física da Fiocruz aqui, o desenvolvimento do ambiente de inovação com a ApexBrasil e esse novo olhar para o Brasil vão permitir que os europeus possam se conectar, conhecer e enxergar as imensas oportunidades existentes no complexo de saúde, no desenvolvimento de tecnologias, de vacinas e na medicina como um todo”, reitera.

Ele explica que a Apex também possui parcerias com entidades setoriais, como a Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi) para a produção de medicamentos, ajudarão no impulsionamento de negócios de mais de 100 empresas do setor, sendo 50 delas pequenas e médias.

“A Fiocruz promove todo o complexo econômico e industrial da saúde brasileira e a presença dela aqui nos dará mais possibilidades para que a gente tracione ainda mais os negócios das empresas ligadas à saúde. Aqui ela está próxima de um ambiente de inovação até mesmo para gerar tecnologias que podem melhorar o sistema de saúde no Brasil”, ressalta.

renan@revistaentrerios.pt

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