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Em Sintra, Grada Kilomba apresenta sua maior exposição e revisita as origens

“O Fundo do Mundo” reúne obras inéditas, reflete sobre crise climática, colonialismo e memória coletiva em uma experiência imersiva em Sintra

Junho 6, 2026

Grada Kilomba. Crédito: Jordan Alves e Divulgação
A artista volta à cidade onde cresceu para inaugurar exposição histórica. Crédito: Jordan Alves

O que o fundo do mar revelaria se toda a água desaparecesse amanhã? É a partir dessa pergunta que a artista portuguesa Grada Kilomba constrói O Fundo do Mundo, sua primeira grande exposição individual em Portugal, apresentada na Albuquerque Foundation, em Sintra. Considerada uma das artistas mais relevantes de sua geração, Kilomba cria uma paisagem futurista onde memória, matéria e história se encontram.

“Eu olho para o fundo do mundo como o lugar que é um arquivo da existência humana”, afirma.

A exposição parte da questão filosófica: “O que é que o oceano, o fundo do oceano, nos diria amanhã, se esvaziado de água hoje?”, convidando o público a contemplar um cenário em que o desaparecimento das águas revelaria marcas profundas da trajetória humana.

Exposição Grada Kilomba. Crédito: Jordan Alves
Grada Kilomba volta a Sintra com um “palco” de reflexão sobre a humanidade. Crédito: Jordan Alves

Nas obras, o oceano se transforma em testemunha silenciosa da violência histórica e contemporânea.

“Iria revelar corredores de corpos humanos entre continentes, iria revelar a história da escravatura, do colonialismo, mas também iria revelar os conflitos atuais, as guerras, a exploração de terra que leva ao absoluto desaparecimento da vegetação e de água”, explica a artista.

Para Kilomba, o fundo do mar é um arquivo que expõe “a violência cíclica” e o conceito de “repetição histórica”. “A história é contínua e espiralada e roda em torno de questões que se repetem”, diz. A mostra aborda temas como ocupação territorial, exploração de recursos naturais, migrações forçadas e políticas de desumanização, mas faz isso por meio de uma linguagem contemplativa, onde a beleza e o grotesco coexistem.

Grada Kilomba e Jacopo Crivelli Visconti. Crédito: Jordan Alves
Jacopo Crivelli Visconti, curador da exposição, e Grada Kilomba. Crédito: Jordan Alves

Embora sua produção dialogue com experiências globais, o Brasil ocupa um lugar especial em sua trajetória.

“O meu trabalho geralmente é um trabalho do mundo. Eu não tenho uma âncora particular com a língua portuguesa e o Brasil tem sido um lugar muito especial para mim onde eu tenho sido recebida continuamente”, diz Grada.

Segundo a artista, algumas das exposições mais importantes de sua trajetória aconteceram em território brasileiro. “Tem sido, de facto, extremamente importante”, resume, destacando a relação construída com o público e as instituições culturais do país.

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O retorno a Sintra, onde cresceu, acrescenta uma dimensão íntima ao projeto. “É a minha maior exposição até à data”, afirma Kilomba sobre a mostra, que reúne obras inéditas e ocupa o novo museu da Albuquerque Foundation.

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A artista destaca a diversidade da região e a presença de comunidades da diáspora como elementos que transformam o significado das obras.

“Ter corrido o mundo e voltar aqui com estas obras a um lugar onde eu nasci, cresci e construí toda uma exposição e um programa público que abraça as pessoas e o público é extremamente importante para mim”.

Mais do que observar, o visitante é convidado a participar da experiência. “Faz parte da prática artística trazer o coletivo para dentro da obra, trazer o público a habitar as obras, a coreografar o seu corpo dentro das obras”, conclui.

O Fundo do Mundo, de Grada Kilomba, está em exibição na Albuquerque Foundation, em Sintra, até 26 de setembro. O espaço abre de terça a domingo, das 10h às 18h, na Rua António dos Reis, 189, 2710-302. Os bilhetes custam 8 ou 10 euros, com entrada gratuita para crianças até aos 12 anos.

jordan@revistaentrerios.pt

 

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