Empreendedorismo

Em vez de roupas industrializadas, cresce o interesse por peças com história e propósito

O mundo da moda está atento à mudança das consumidoras, mais interessadas em saber sobre a origem das peças e os processos de produção

Março 31, 2026

Crédito: Anh Nguyen/Pexels.
Em vez de roupas industrializadas, cresce o interesse por peças com história e propósito. Crédito: Anh Nguyen/Pexels

Moda autoral é aquela que se destaca por vários motivos, entre os quais o fato de não ser feita para seguir tendências ou chamar a atenção de algoritmos. Ao contrário, é um negócio de criação própria, exclusiva e em pequena escala. Quem opta por consumir criações autorais são mulheres que escolhem roupas que precisam ser mais do que ‘apenas’ bonitas. Elas querem prestigiar, também, designers independentes e com identidade nacional, que expressam e carregam em suas peças autenticidade e história, muitas vezes de superação, e que agregam valor ao produto.

Importantes feiras de moda vêm incluindo criadores emergentes em seus calendários, como as de Milão e de Paris, encerradas no mês passado, e a do Rio de Janeiro, de 15 a 18 deste mês. A Rio Fashion Week, por exemplo, incluiu marcas autorais — como Argalji (carioca, desenvolve inéditas técnicas de modelagem e é considerada expoente da criação de mãos próprias), Hisha (destaque para bordados feitos à mão por mulheres mineiras) e Karoline Vitto, estilista brasileira que apresentou sua coleção na Feira de Londres este ano e cuja meta ultrapassa a confecção de peças diferenciadas. A estilista busca, também, fazer roupas para a diversidade de corpos femininos.

A inserção dessas marcas em passarelas importantes não acontece por acaso. O mundo da moda está atento à mudança das consumidoras, mais interessadas em saber sobre a origem das peças e os processos de produção. Em vez de roupas industrializadas e com pouca diferenciação estética, cresce o interesse por peças com história, assinatura e propósito. Um dos grandes representantes desse estilo é o Ateliê Milena Guerke, com peças de crochê feitas à mão.

Outra é Monica Sampaio, fundadora da Santa Resistência, que “produz roupas atemporais, cortadas e costuradas com calma, respeitando uma cadeia de produção justa e consciente”, como ela define. Mônica é engenheira elétrica e ex-militar que, um dia, aposentou-se e resolveu criar uma moda que representasse mulheres negras com autenticidade, força e afeto.

O que une essas criadoras? A consciência de que vestir é dialogar com diversidade, ancestralidade, regionalidade e inovação ao mesmo tempo.

E o que une quem veste a moda autoral? A certeza de que a roupa pode ser extensão daquilo que pensamos, defendemos e valorizamos. Afinal, estilo não depende de dinheiro nem se compra — constrói-se.

Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.

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