Estudantes brasileiros de escolas públicas participam de intercâmbio histórico em Portugal
Projeto educacional promove reflexão crítica sobre a formação da identidade brasileira e aproxima jovens de diferentes culturas
- Lisboa
Novembro 25, 2025
Com grupos que embarcaram nos dias 5 e 15 de novembro, 125 estudantes de escolas públicas da Bahia, Pernambuco, Paraná e São Paulo participaram, em Lisboa, da 9ª edição do projeto Era Uma Vez… Brasil, que promoveu uma imersão de dez dias dedicada à compreensão histórica das conexões entre as heranças africanas, indígenas e europeias na formação da identidade brasileira.
A viagem marcou a etapa final de um processo pedagógico desenvolvido ao longo de todo o ano letivo no Brasil, envolvendo pesquisas, debates, produção audiovisual e criação de histórias em quadrinhos.
O objetivo foi recontar a história do país sob uma perspectiva não tradicional, valorizando a contribuição dos povos africanos e indígenas na construção da sociedade brasileira e destacando figuras protagonistas frequentemente invisibilizadas.
O grupo da Bahia foi composto por 24 estudantes e quatro professores, representando Salvador, Camaçari, Jacobina e Mata de São João.
Também participaram da edição estudantes de outras onze cidades brasileiras: Areiópolis, Brodowski, Lençóis Paulista, Macatuba, Paraguaçu Paulista, Quatá, Ribeirão Preto e Serrana, em São Paulo; Recife e Belo Jardim, em Pernambuco; e Paranaguá, no Paraná. Para a maioria dos jovens, esta foi a primeira experiência internacional.
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A etapa em Portugal encerrou o ciclo formativo que discutiu o tema Quem conta a nossa história? A participação indígena e afro-brasileira na formação do Brasil. Ao longo do ano, os estudantes produziram 28 curtas-metragens e um livro com 100 HQs.
Esses materiais foram apresentados durante a viagem em escolas públicas portuguesas, onde também se discutiram as diferenças sociais entre Brasil e Portugal, os métodos de ensino e as distintas percepções sobre o processo colonial.

Segundo Marici Vila, representante do projeto, o intercâmbio é um momento decisivo dentro da metodologia de estudo:
“A convivência entre jovens portugueses, cabo-verdianos, moçambicanos e brasileiros é muito rica, porque eles podem apresentar suas visões e análises sobre a história. É um momento de desconstrução e de construção de novos olhares para um mundo melhor”.
Marici ressaltou ainda a importância de expor os estudantes portugueses a perspectivas que ultrapassem o ponto de vista do país colonizador, ampliando a compreensão sobre os efeitos da colonização na história global.
Durante a viagem, o grupo percorreu importantes pontos históricos e culturais de Lisboa e região. Palácios, castelos, monumentos e museus foram apresentados por guias portugueses, permitindo que os jovens contrastassem diferentes interpretações históricas — especialmente no que se refere à escravidão, ao comércio atlântico e à expansão marítima europeia.
A estudante Maria Júlia Brandão da Silva, 14 anos, de Ribeirão Preto (SP), relatou: “A minha experiência com o Era Uma Vez Brasil foi muito legal. Nas escolas, conheci pessoas incríveis e pude debater diferenças sociais entre Brasil e Portugal. Também convivi com estudantes de outros estados, como a Bahia, o que ampliou minha conexão e minha troca cultural”.
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Outra participante, Isabela Martins, também de 14 anos e de Ribeirão Preto, destacou o impacto das visitas e discussões: “Estou achando muito interessante ver como os portugueses enxergam a colonização. Eles aprendem que foi somente uma colonização, sem todas as consequências que a gente estuda no Brasil. Gostei bastante das conversas na escola e das visitas aos museus e palácios, que nos transportam para aquela época e ajudam a entender como isso tudo afetou a colonização”.
Criado há nove anos, o Era Uma Vez… Brasil já beneficiou mais de 22,6 mil adolescentes de mais de 500 escolas públicas em 35 municípios de seis estados brasileiros.