Evacuação da AIMA em Lisboa: sindicato alerta para riscos a trabalhadores e imigrantes
STM alerta para clima de insegurança e instabilidade no atendimento a imigrantes e defende criação de carreira específica para técnicos da agência
- Porto
Julho 24, 2025
Após a evacuação do posto da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) no bairro dos Anjos, em Lisboa, na última quarta-feira (23), o Sindicato dos Técnicos de Migração (STM) voltou a cobrar melhores condições de segurança para os trabalhadores da instituição.
Em comunicado enviado a EntreRios, o sindicato afirmou que a situação colocou em risco “a integridade física quer dos utentes quer dos funcionários” e reforçou o apelo por medidas urgentes para proteger quem atua na linha de frente do atendimento à população migrante.
A evacuação ocorreu por volta das 14h50, após os seguranças do posto, localizado na Rua Álvaro Coutinho, receberem uma chamada anônima alertando para a possível presença de uma bomba no edifício.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) isolou o quarteirão e mobilizou uma equipe especializada do Centro de Inativação de Explosivos e Segurança em Subsolo. Depois de cerca de uma hora de inspeção, a ameaça foi descartada e não foram encontrados engenhos explosivos.
A rua foi reaberta às 15h55, mas os atendimentos agendados para imigrantes foram suspensos, sem previsão de reagendamento.
Segundo o STM, além da suposta bomba, “dois indivíduos terão se apresentado munidos de armas de fogo” no local. A entidade relaciona o episódio ao que classifica como “falta de informação da AIMA às centenas de imigrantes que aguardam o seu cartão de residência” e ao “clima de tensão que se tem vindo a sentir nestas comunidades”.
O sindicato afirma ainda que a insegurança tem levado funcionários a migrarem para outros serviços “onde se sentem mais apoiados e seguros”.
No comunicado, o STM defende a criação de uma carreira específica para os técnicos de migração, que reconheça os riscos a que estão sujeitos e valorize seu papel num sistema que considera essencial para uma “migração mais ordeira, regular e humanista”.
“Este assunto exige ser tratado com dignidade, com respostas não apenas em relação aos que nos procuram, mas protegendo e salvaguardando os que diariamente dão o seu melhor”, conclui a Direção Nacional do sindicato.