Inovação

Ex-funcionárias da Aima, brasileiras desenvolvem solução para ajudar na regularização de imigrantes

A Immigra Hub terá versões em português e inglês; saiba mais

Fevereiro 8, 2026

Camila Gaspar e Camila Brito querem aprimorar os serviços da Aima para ajudar os imigrantes. Crédito: Divulgação

As brasileiras Camila Brito e Camila Gaspar trabalhavam na Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima) e viam o descontentamento dos milhares de imigrantes que buscavam regularizar a sua situação em Portugal. Os diversos atrasos, falhas e ineficiências do sistema também as incomodava e traziam aflições em comum.

Com isso, elas tiveram a ideia de criar uma solução que pudesse agilizar o processo e ajudar os imigrantes. Em janeiro de 2025, surgiu a Immigra Hub, startup govtech que oferece uma plataforma para oferecer informações e orientações estratégicas sobre os serviços de imigração em Portugal.

“Já trabalhei muito com imigrantes e a partir do momento em que conhecemos o que se passa do lado de lá e de cá foi mais fácil pensar em uma estratégia para buscar resolver as maiores necessidades do setor público e da vida dos imigrantes”, detalhou Camila Gaspar, cofundadora e diretora de serviços e tecnologia e investigadora em políticas públicas que mora em Portugal há três anos.

Camila Brito, cofundadora e diretora institucional e de parcerias, é investigadora internacionalista que mora em Portugal há 23 anos e falou sobre os desafios que observa no país.

“Ao chegar aqui encontro problemas diferentes dos que estava acostumada no Brasil e percebi, junto à minha sócia, que não podíamos nos conformar com a situação atual. A gente criou uma linha de pensamento para ir além das reclamações até que criamos a Immigra Hub”, descreveu.

Elas afirmam que um dos principais problemas é a falta de informação objetiva, que começa já pelas informações disponibilizadas nos sites dos órgãos públicos. Com a falta de informação, muitas pessoas procuravam o atendimento das unidades da Aima, mas acabam muitas vezes saindo “mais perdidas do que entraram”.

“As pessoas estão naturalmente desesperadas e vão em busca de informações em todos os serviços, o que acaba por sobrelotar os atendimentos, o que torna o serviço mais fragmentado do que já é”, detalhar Brito.

LEIA MAIS: Nova plataforma oferece orientações para imigrantes em Portugal

Elas ressaltam, porém, que apenas disponibilizar informações não é o suficiente, por se tratar de um problema “sistêmico” e apontam questões como a falta de literacia digital, para a compreensão das informações disponibilizadas, e também da disponibilização de recursos e soluções tecnológicas para modernizar o sistema.

Segundo elas, isso também ajudaria a superar a questão da mão de obra disponível para atendimento. “Não é que temos pouca mão de obra mas se for uma mão de obra bem gerida, em conjunto com a organização das informações, o sistema pode ser eficaz”, destaca Brito.

O objetivo é oferecer um serviço que respeite os cidadãos e também os próprios servidores da Aima. “Garantir o acesso a esses serviços públicos é um direito de todos. O direito à informação e à acessibilidade digitalizada. O que estamos fazendo atravessa o nosso público inicial, de imigrantes, e pode beneficiar e melhorar o sistema para todos os cidadãos”, ressalta Gaspar.

Elas afirmam que as primeiras impressões sobre a solução têm sido muito positivas. Elas também estão buscando construir parcerias e acordos com instituições e empresas para alavancar a solução.

“Queremos trabalhar no sentido de comunidade. Esse não é um tema muito debatido a nível tecnológico e das startups, porque a imigração não é vista como um nicho. Mas temos percebido que não estamos sozinhas e que outras pessoas também nos ajudam a construir pontes e conhecimentos”, afirma Brito.

Plataforma terá guideline

Com a identificação do problema, as sócias se aprofundaram em como utilizar a tecnologia para desenvolver uma plataforma efetiva. Com isso, estão desenvolvendo um guideline com informações sobre como se regularizar em Portugal, que tipos de documentos são necessários, onde é possível obter mais informações, entre outros. A plataforma terá versões em português e inglês.

“Queremos que a pessoa possa entender o que a lei pede, possa acessar o serviço e conseguir o agendamento necessário”, diz Gaspar. O objetivo é também construir parcerias tecnológicas para o aprimoramento do software.

Para além disso, também há o IMMI, um chatbot em que a pessoa pode entrar em contato diretamente para tirar dúvidas, fazer consultorias e receber orientações de forma totalmente gratuita.

LEIA MAIS: Aima vai abrir aos sábados; confira as novidades

Caso seja necessário, há ainda a conexão direta com advogados de imigração e profissionais especializados. Uma primeira versão já foi apresentada no último Web Summit. O objetivo é que a tecnologia seja lançada até março. Até lá o foco é aprimorar e fazer os testes necessários em órgãos públicos.

Para o futuro, o plano é oferecer consultorias a pequenas e médias empresas, sobretudo do interior do país, interessadas em colaborar com o processo de regularização de imigrantes.

“Queremos colaborar para formalizar e diminuir a insegurança e a exploração dos trabalhadores, com a regularização de documentos na Segurança Social, para depois conseguir a regularização plena. É algo que também beneficia os próprios empregadores”, destaca Gaspar.

renan@revistaentrerios.sapo.pt

renan@revistaentrerios.pt

Lisboa