Fintech brasileira lança solução para ligar o PIX ao MB Way e a qualquer sistema de pagamentos do mundo
A PagBrasil lançou o RoamingPay, uma plataforma que conecta sistemas de pagamento instantâneo entre países e espera alcançar Portugal ainda este ano
- Lisboa
Junho 11, 2026
Pagar a conta com PIX em uma padaria em Lisboa, em um restaurante em Buenos Aires ou em um mercado em Kuala Lumpur, tudo a partir do app de um banco brasileiro sem taxas surpresa. Esta é a promessa do RoamingPay, novo produto da PagBrasil, fintech brasileira especializada em pagamentos digitais, que tem Portugal como um dos seus mercados estratégicos.
A ideia é que, em breve, o brasileiro que está em Portugal possa pagar com PIX diretamente nas maquininhas de cartão com a opção de pagamento pelo MB Way ou multibanco. O mesmo acontece com turistas em outros países e com estrangeiros que visitem o Brasil.
O produto foi lançado em abril e foi, segundo Alex Hoffmann, co-fundador e CEO da PagBrasil, um grande sucesso na Argentina. “Quando lançamos o produto, no primeiro dia os argentinos receberam a notificação de que poderiam pagar no Brasil utilizando os recursos de seus próprios bancos e muita gente utilizou o serviço”, afirma. Além de Argentina e do Brasil, o Paraguai também já utiliza o serviço.
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A empresa, que opera há 15 anos no mercado, verificou que havia uma demanda constante de pagamento por parte de brasileiros que visitavam países estrangeiros, como Uruguai, Argentina e Paraguai e precisavam utilizar o cartão de crédito internacional ou realizar o câmbio para a moeda local.
Alex explica que cada país possui seus sistemas de pagamentos regionais, o que dificulta para que a aceitação do PIX em mais estabelecimentos aconteça de forma mais ampla. O objetivo, segundo ele, é começar pela América Latina e expandir para a Europa e para o Sudoeste Asiático.
“Cada país busca a sua soberania de pagamento. Nossa ideia é conectar todos os sistemas regionais ou nacionais que são fechados internamente para que eles conversem entre si, é promover essa interoperabilidade”, explica.
Segundo o executivo, já há conversas com instituições financeiras para a ampliação da solução. “Portugal é naturalmente um mercado estratégico por conta da grande quantidade de brasileiros. Estamos conversando com os cinco principais bancos brasileiros e também com os principais europeus para que isso possa ser utilizado nas duas pontas”, diz. A expectativa a empresa é alcançar 10 países ainda este ano e gerar um volume de US$ 600 milhões neste período.
Para Alex, a ideia é muito diferente do que os estabelecimentos que aceitam PIX em outros países, já que só é possível pagar em locais com terminais habilitados para isso. “Os brasileiros acabam utilizando em locais mais turísticos como hotéis e restaurantes, mas isso não é aceito em comércios menores no interior dos países, por exemplo. Queremos que a pessoa não precise viajar com cartão ou dinheiro, que possa usar apenas o aplicativo do banco, mas para isso precisa chegar em todos os lugares”, ressalta ele.
A empresa também possui soluções de pagamento como o PIX internacional, em que realizou parcerias com varejistas de países como Uruguai, Peru, Espanha, Chile e Estados Unidos, Sudeste Asiático além de um produto que permite que turistas estrangeiros de Paraguai, Argentina, Uruguai e Peru possam utilizar o PIX em território brasileiro.
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Ambos ainda seguem em funcionamento, mas a ideia é que, com o RoamingPay, o usuário abra o aplicativo do banco brasileiro e possa utilizar o PIX em qualquer terminal de pagamento disponível, especialmente para locais mais remotos, como em pequenos comércios ou no interior de Portugal, por exemplo.
“O lojista não precisa fazer nada. Ele já aceita o sistema que tem, não há qualquer impacto“, reforça. A lógica, segundo ele é a mesma do roaming, que permite que uma pessoa utilize os serviços de internet móvel em outros países sem a necessidade de um outro chip.
A PagBrasil funciona como a processadora de pagamentos e agente de câmbio que recebe o dinheiro do PIX, realiza o câmbio da moeda e repassa ao comerciante, fazendo a liquidação dos QR Codes de pagamento e a conexão entre todas as instituições financeiras envolvidas.
Segundo Alex, a conversão de moedas é feita na hora da compra e inclui o IOF de 3,5%, com spread menor do que a cotação de cartões de crédito, por exemplo. “Tudo é informado no ato da compra. Existe toda a questão de comodidade, de previsibilidade e também se torna mais barato para o usuário”, aponta.
Interoperabilidade como visão política
O CEO da PagBrasil também enxerga a possibilidade de oferecer a interoperabilidade como uma maneira de promover a soberania de cada país. Ele afirma que a premissa do RoamingPay de promover conversas entre empresas e sistemas financeiros está em sintonia com parcerias como o Acordo Mercosul-União Europeia.
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“Não adianta Mercosul e União Europeia fazerem um acordo se você utilizar meios de pagamento que são dominados majoritariamente pelo dólar, como é o caso do Swift ou com o uso de cartões de crédito com bandeiras norte-americanas. Mesmo se você tiver tarifas zero no comércio exterior, você fica dependente de formas de pagamento que não são europeias nem sul-americanas”, analisa, ressaltando que a própria União Europeia tem falado muito sobre a questão de soberania e independência nos sistemas financeiros e de pagamento.
Para ele, promover a integração de sistemas e a utilização de meios de pagamento próprios é essencial. “Ninguém quer que o Banco Central de um país dite as regras do seu sistema de pagamentos. O mundo é fragmentado e conectar iniciativas locais faz muito mais sentido. Essa é a nossa motivação. A gente entende que o pagamento conta-a-conta é o futuro e que a utilização dos cartões de crédito são do passado”, finalizou.
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