Entrevista

Flávia Lins e Silva fala sobre a chegada da consagrada coleção “Diário de Pilar” a Portugal

Autora brasileira conquistou leitores com aventuras que cruzam mitologia, cultura e consciência ambiental

Maio 2, 2026

Flávia Lins e Silva e Lina Flor Mac Niven. Crédito. Conspiração
Flávia Lins e Silva e a atriz Lina Flor Mac Niven que vive Pilar no filme Diário de Pilar na Amazônia Crédito: Conspiração Filmes

A escritora brasileira Flávia Lins e Silva, um dos nomes mais relevantes da literatura infantojuvenil contemporânea, celebra a chegada da consagrada coleção Diário de Pilar a Portugal, ampliando o alcance de uma obra que já conquistou milhões de leitores ao longo de 25 anos. Criadora de uma personagem curiosa, aventureira e profundamente conectada com diferentes culturas, a autora construiu uma trajetória sólida entre a televisão e os livros, consolidando-se como uma referência na narrativa para jovens leitores.

Com títulos traduzidos em diversos países e uma forte presença também no audiovisual, incluindo a recente adaptação cinematográfica Diário de Pilar na Amazónia, Flávia vê agora o público português abraçar as aventuras da personagem. Pilar, que já passou pelos palcos com adaptações teatrais em Oeiras, agora ganha novo fôlego com o lançamento de Diário de Pilar no Egito, previsto para quinta-feira (7). Entre viagens pela Amazônia, Grécia e agora Egito, a autora combina entretenimento, educação e temas urgentes, como a preservação ambiental e a valorização das culturas. Além da série Diário de Pilar, a escritora criou  D.P.A., Os Detetives do Prédio Azul, outro sucesso da televisão, do streaming e também do cinema.

Como tem sido o retorno do público com o Diário de Pilar?
Tem sido maravilhoso. Recebo muito carinho nas redes sociais, muitas mensagens das crianças, perguntas, vídeos. É muito bonito ver essa troca. A Pilar existe há 25 anos e continua viva, atual, dialogando com novas gerações.

A temática da Amazônia, por exemplo, é muito presente. Isso é intencional?

Sim, totalmente. A Amazônia é urgente. Eu sinto essa necessidade de falar sobre isso. Inclusive, foi lançado um filme inspirado nesse universo, que está lindíssimo, com produção da Disney. Foi todo filmado na Amazônia e no Rio de Janeiro e eu estou muito feliz com esse projeto e torcendo pra ele ser levado para Portugal.

Diário de Pilar no Egito. Crédito: Divulgação
Diário de Pilar no Egito chega às livrarias em Portugal na quinta (7). Crédito: Divulgação

Os livros da Pilar chegam a Portugal em breve. Como foi esse processo?

Foi muito especial. A tradução foi feita pelo Rui Lagartinho, um amigo querido e muito talentoso. Mesmo sendo o mesmo idioma, há diferenças de vocabulário e sonoridade, e foi muito divertido acompanhar essas escolhas. Estou muito satisfeita com a edição portuguesa.

E a sua ligação com Portugal já é antiga.
Sim, eu já trabalhei bastante com projetos portugueses, como séries para o Canal Panda e livros em parceria com autores locais. Também vivi experiências pessoais que acabaram inspirando histórias, como o livro O Mistério da Meia Malcheirosa  (escrito em parceria com Maria Inês Almeida), inspirado nas roupas penduradas nas janelas.

O que podemos esperar dos novos lançamentos da Pilar em Portugal?
Agora chega Diário de Pilar no Egito, uma aventura incrível em que ela encontra Tutankhamon, enfrenta deuses e explora pirâmides. Antes disso, os leitores já puderam conhecer as histórias na Amazônia e na Grécia, lançadas recentemente, que também foram adaptadas para o teatro em Portugal.

Diário de Pilar na Grécia (teatro). Crédito: Divulgação
Diário de Pilar na Grécia foi encenado no teatro, em Oeiras, com Miriam Freeland e Roberto Bomtempo. Crédito: Divulgação

Como vê o futuro da literatura infantil?
Acho que ela precisa cada vez mais se conectar com temas urgentes, mas de forma acessível e envolvente. Estou trabalhando, por exemplo, num novo livro chamado Maia e a turma da terra, inspirado em aulas de horta que conheci em Portugal. Precisamos sair do discurso e partir para a ação, reconectar as crianças com a natureza.

Como é a sua rotina de escrita?
Eu preciso de concentração total. Escrevo cerca de quatro horas por dia, desconectada de tudo e sem WhatsApp, sem distrações. Entro realmente num outro mundo. Essa disciplina é essencial para conseguir produzir.

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Depois de tantos anos entre televisão e literatura, onde está o seu foco hoje?
Hoje quero me dedicar principalmente aos livros. A televisão foi muito importante na minha trajetória, mas agora estou apaixonada por esse ritmo mais autoral, mais íntimo da escrita.

Diário de Pilar. Crédito. Divulgação
Diário de Pilar na Grécia e Diário de Pilar na Amazónia já nas livrarias em Portugal. Crédito: Divulgação

Há novos projetos com a Pilar no horizonte?
Sim! Estou escrevendo Pilar em Portugal, que deve sair no próximo ano. Tenho estudado muito a história e a mitologia portuguesa que é fascinante. Quero trazer tudo isso para os leitores de forma envolvente.

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O que deseja que os leitores levem das histórias da Pilar?
Que se abram para o mundo. Que tenham curiosidade pelo outro, pelo diferente, pelas culturas. A literatura é uma forma maravilhosa de viajar  e eu quero que as crianças façam essas viagens comigo. Eu fui uma criança que viaja muito com os livros.

jordan@revistaentrerios.pt

 

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