A sexta-feira (10) do NOS Alive foi um daqueles dias em que o rock tomou conta do Passeio Marítimo de Algés do primeiro ao último acorde. Depois de uma sequência de concertos que passou pela energia das mexicanas The Warning, pela intensidade de Skunk Anansie e pela sofisticação sonora dos Wolf Alice, coube ao Foo Fighters fechar a noite com um espetáculo à altura da expectativa criada desde o anúncio da banda como principal cabeça de cartaz.
Quando Dave Grohl entrou em palco, às 22h45, o recinto já estava completamente rendido às guitarras. Bastaram os primeiros acordes para transformar a multidão num enorme coro, confirmando aquilo que os Foo Fighters construíram ao longo de três décadas: um repertório capaz de atravessar gerações e uma reputação de banda feita para grandes festivais.
Zara Larsson faz da madrugada um dos grandes momentos do NOS Alive 2026
Ao longo de quase três horas, os norte-americanos desfilaram sucessos como All My Life, The Pretender, Times Like These, Learn to Fly, Best of You, My Hero e Everlong, num alinhamento pensado para manter a intensidade do início ao fim. Entre uma música e outra, Dave Grohl fez aquilo que se tornou uma das suas marcas registadas: conversou com o público, agradeceu o carinho português, brincou, contou histórias e transformou um concerto para dezenas de milhares de pessoas numa experiência surpreendentemente próxima.
O vocalista voltou a demonstrar porque continua a ser uma das figuras mais carismáticas do rock. Sempre em movimento, percorreu o palco de um lado ao outro, incentivou o público a cantar praticamente todas as canções e fez questão de destacar a energia da plateia portuguesa, que respondeu durante toda a atuação com refrões cantados em uníssono.

A noite ganhou ainda mais significado por marcar o regresso dos Foo Fighters a Portugal. A atuação mostrou uma banda em plena forma, com um som poderoso, uma secção rítmica sólida e guitarras que alternaram entre momentos de maior peso e passagens mais melódicas, numa viagem pela extensa carreira do grupo.
Foo Fighters no NOS Alive: confira 7 curiosidades sobre a banda, de filme de terror a pegadinhas
Antes deles, o Palco NOS já tinha oferecido um percurso por diferentes gerações do rock. As irmãs Daniela, Paulina e Alejandra Villarreal, das The Warning, abriram o dia com um concerto marcado pela atitude e pela força do hard rock contemporâneo. Skunk Anansie confirmou, mais uma vez, o magnetismo de Skin, protagonista de uma atuação intensa, política e explosiva, enquanto os Wolf Alice mostraram porque continuam a ser uma das bandas mais respeitadas da cena alternativa britânica, equilibrando delicadeza e distorção numa atuação envolvente.
A sequência acabou por funcionar como uma preparação natural para os Foo Fighters. Cada concerto acrescentou uma camada diferente ao dia mais rock desta edição do NOS Alive, culminando numa atuação que reuniu milhares de pessoas numa celebração coletiva das guitarras, dos grandes refrões e da energia dos concertos ao vivo.
Quando as luzes se acenderam e Everlong ecoou pela última vez em Algés, ficou a sensação de que o Palco NOS tinha vivido um dos momentos mais marcantes da edição de 2026. Num festival cada vez mais eclético, a sexta-feira provou que o rock continua a ter um lugar privilegiado no NOS Alive e que, quando os Foo Fighters sobem ao palco, esse lugar transforma-se numa autêntica festa.
flavio@revistaentrerios.pt