Frases de António José Seguro que marcaram a campanha presidencial
O que o novo presidente pensa, o que propõe e como vê o futuro do país: sempre atento, ele destaca como prioridade oferecer apoios concretos às vítimas do mau tempo
- Lisboa
Fevereiro 9, 2026
Chegou discreto, com poucos apoios e sem ser o candidato do seu partido, o PS, apesar de ter contado com o seu apoio posterior. Mas o seu discurso conciliador agradou aos portugueses, num tempo de radicalização e cisões partidárias.
Desde o anúncio da candidatura, em junho de 2025, à eleição, António José Seguro fez história. É o Presidente da República eleito com o maior número de votos em 50 anos de democracia, ao superar o líder histórico Mário Soares eleito em 1991.
Um desempenho surpreendente. As suas ideias mais marcantes referidas ao longo da campanha foram reforçadas no discurso de vitória: “Os vencedores hoje são os portugueses e a democracia, a afirmação de um Portugal plural e unido”.
Rejeito ser “um contrapoder” ou oposição ao governo, porém avisou que será um “Presidente exigente”, assegurando que não será por si que a legislatura será interrompida”
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A primeira mensagem foi para as vitimas do mau tempo, prometeu que não as esquecerá nem abandonará e disse que irá visitar as zonas afetadas para ver se os apoios chegam. O socialista vincou que “a solidariedade dos portugueses foi heroica”, mas “não pode nunca substituir a responsabilidade do Estado”.
Quanto a desentendimentos disse que eles ficam na campanha “Este é o momento para derrotarmos o medo e erguermos a esperança”.
Sobre a sua ausência da política por 11 anos disse que “Afastei-me quando podia dividir, volto agora para unir. Sei o que está em jogo e sei como defender Portugal com firmeza e respeito. Não preciso de aprender no cargo, chego preparado”, assegurou no discurso de apresentação da candidatura à Presidência da República.

Já no discurso de vitória prometeu ser o presidente de “todos, todos, todos os portugueses”
Apesar do seu cargo ser institucional, ele já deixou um recado ao Governo de Luís Montenegro, prometendo que não irá aceitar burocracias no que diz respeito aos apoios anunciados para as regiões afetadas pelo mau tempo.
Disse ainda que não há desculpas: Portugal tem uma oportunidade única para que os partidos políticos, o Parlamento e o Governo encontrem soluções duradouras para resolver os graves problemas que enfrentamos na saúde, no acesso à habitação, na criação de oportunidades para os jovens, no combate à desigualdade entre homens e mulheres, na diminuição da pobreza, na criação de riqueza e de melhores condições de vida para todos os portugueses”, alertou.
“Comigo não ficará tudo na mesma”, prometeu. Estarei vigilante. Farei as perguntas difíceis e exigirei as respostas que o país precisa. E em Belém, os interesses ficam à porta. A transparência e a ética são inegociáveis”.
“A minha liberdade é a garantia da minha independência”, frisou, voltando a prometer lealdade e cooperação institucional com o Governo. “Jamais serei um contrapoder, mas serei um presidente exigente com as soluções e com os resultados”.
Ao longo da intervenção, Seguro contestou a ideia de que “os políticos são todos iguais”, defendendo que essa generalização fragiliza a democracia e contribui para o afastamento dos cidadãos da vida pública.
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A defesa da democracia esteve no centro da sua mensagem, com um apelo claro ao combate aos extremismos e à preservação do equilíbrio institucional.
Numa reflexão sobre o atual contexto político, Seguro alertou para sinais de crescente polarização e perda de empatia na sociedade portuguesa, sublinhando a importância de preservar a solidariedade, a coesão social e os valores humanistas que caracterizam a democracia portuguesa.
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