Entrevista

Giovanna Antonelli: “O envelhecimento traz mais liberdade. A liberdade de não precisar provar nada”

A atriz estreia o filme Rio de Sangue em abril,  empreende em marca própria de moda e beleza, faz palestras sobre bem-viver, lança tendências e reposiciona o papel da mulher

Abril 3, 2026

Giovanna Antonneli. Credito: Vinicius Mochizuki
Giovanna Antonneli estreia nos cinemas dia 16 de abril "Rio de Sangue". Credito: Vinicius Mochizuki

Desde os primeiros papéis de destaque, Giovanna Antonelli mostrou que nunca foi apenas uma atriz de novelas. Ao longo de quase três décadas de carreira, ela atravessou gerações, influenciou o comportamento, lançou tendências e, sobretudo, reposicionou a mulher como centro da própria história. Agora em abril, Giovanna estreia o filme Rio de sangue e comemora o ótimo momento do cinema brasileiro. “Cultura é investimento”, afirma. No longa dirigido por Gustavo Bonafé, ela faz o papel de uma policial, somando mais uma mulher forte e complexa em sua galeria de personagens. 

Com 50 anos recém-completos em março, a atriz vive um momento de maturidade criativa e pessoal. Com uma trajetória sólida como empresária, transformou sua visibilidade em marca, criando negócios no setor de beleza e moda, com produtos que dialogam com a imagem de mulher prática, elegante e contemporânea.  

Giovanna Antonelli e Alice Wegmann. Crédito: Bárbara Vale
Giovanna Antonelli e Alice Wegmann estrelam o longa “Rio de sangue”. Crédito: Bárbara Vale

A Giovanna empreendedora entendeu cedo que fama sem visão estratégica é passageira — e que protagonismo também se exerce fora das telas. Com facilidade para falar e defender pontos de vista sobre bem-viver nas redes sociais, hoje tem uma agenda crescente de palestras e iniciativas com impacto social. Ela projeta 2026 como um ano de expansão com propósito. “Não é sobre fazer mais, é sobre fazer com sentido”, afirma. 

   “Os ‘nãos’ ouvidos pela vida não encerram um caminho, eles testam o quanto eu acredito em mim”, ensina.

Para ela, ouvir recusas é parte essencial do processo de amadurecimento e fortalecimento pessoal e profissional. A fama chegou cedo, mas a reinvenção é um movimento natural. “Carreira longa se constrói com movimento e ação”, diz a atriz, que gosta de escolher projetos que a desafiam artisticamente. Essa disciplina, silenciosa e pouco visível, foi decisiva. “Ela sustenta tudo. Foram muitos anos de trabalho constante, estudo e escolhas feitas longe dos holofotes”, reflete.

Giovanna Antonelli Crédito: Divulgação/TV Globo
Giovanna Antonelli e os figurinos marcantes de suas personagens nas novelas.  Crédito: Divulgação/TV Globo

Nas redes sociais, Giovanna mantém presença próxima e consciente, equilibrando exposição e privacidade. Compartilha momentos pontuais ao lado do marido, o diretor Leonardo Nogueira, e dos filhos, Pietro, de 20 anos, e as gêmeas Sofia e Antônia, de 15, sem abrir mão do controle da própria narrativa. “Positividade não é ingenuidade, é escolha. Comunicar com intenção, hoje, é posicionamento”, afirma. Para ela, imagem não tem segredo: exige cuidado, responsabilidade e coerência com aquilo que se comunica.

Fora das telas, o olhar atento para a saúde física e mental faz parte da rotina. Equilíbrio, descanso, alimentação, movimento e meditação são prioridades. “Mas, principalmente, vivo uma vida bem vivida”, resume. Sobre o tempo que passa e o desejo feminino, não titubeia: “O envelhecimento traz mais liberdade. A liberdade de não precisar provar nada”. Para Giovanna, falar sobre desejo feminino é autonomia e evolução social, não provocação.

Giovanna Antonelli durante férias. Crédito: Reprodução @giovannaantonelli
Giovanna Antonelli durante férias em família. Crédito: Reprodução Instagram @giovannaantonelli

A maternidade reorganizou as prioridades. “Meus filhos são as coisas mais importantes da minha vida. A partir disso, organizo tudo”, conta. Criá-los longe da superexposição sempre foi uma escolha consciente. “Eles precisam viver a própria história, não misturo com a minha vida pública”. O primogênito já segue essa cartilha e os passos dos pais. Pietro, o mais velho de Giovanna com o ator Murilo Benício, integra o elenco de Preto no branco, longa dirigido por Caio César. 

Giovanna Antonelli. Crédito: Claudio Belizario
A atriz se dedica também a carreira como empresária. Crédito: Claudio Belizario

A atriz tornou-se referência de uma geração que não aceita desaparecer. Pelo contrário, sua forte presença nas redes reafirma que envelhecer pode ser sinônimo de potência, não de invisibilidade. Há algo de muito próprio na forma como ela conduz a própria carreira. Não espera convites, constrói oportunidades. Escolhe personagens com impacto social, envolve-se nos projetos, pensa como produtora e comunica como empresária. Em um mercado controlado por homens, destaca-se por ocupar espaços com naturalidade e autoridade.

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Mais do que uma estrela de novelas, Giovanna se consolidou como símbolo da mulher brasileira contemporânea: multifacetada, independente, afetiva, trabalhadora e dona da própria narrativa. Se nas telas emociona milhões, fora delas inspira uma nova geração a entender que sucesso não é acaso — é construção e persistência.

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Morar fora do Brasil não está descartado, e Portugal é uma possibilidade por ser um país com o qual mantém uma forte conexão afetiva e criativa. “Trocar, aprender, criar. Esses movimentos que ampliam o olhar me alimentam”, diz. Para uma artista que construiu sua relevância ao longo do tempo, o futuro é continuidade consciente.

Rio de sangue

Rio de Sangue. Crédito. Bárbara Vale
“Rio de Sangue” chega aos cinemas do Brasil dia 16 de abril. Crédito. Bárbara Vale

O filme conta a história de Patrícia Trindade, uma policial afastada após uma operação fracassada, que passa a ser ameaçada pelo narcotráfico. Para se proteger e tentar reconstruir a relação com a filha, Luiza, vivida por Alice Wegmann, ela deixa São Paulo e vai para Santarém, no Pará, onde enfrenta chefões do garimpo ilegal. 

Além de Giovanna e Alice, o elenco conta com Felipe Simas, Antônio Calloni, Sérgio Menezes, Fidélis Baniwa e Ravel Andrade. A produção promete equilibrar cenas de ação com um forte núcleo emocional, destacando não apenas o vínculo entre mãe e filha. Estreia nos cinemas em 16 de abril.

“Fazer Rio de sangue foi uma experiência intensa. Fisicamente exigente, emocionalmente profunda. Filmar na Amazônia muda o corpo, o ritmo e o olhar. É um filme que atravessa quem faz, não só quem assiste”, sentencia.

A empreendedora

Giovanna Antonneli. Credito: Divulgação
Giovanna Antonelli faz palestras: “Comunicação e posicionamento”. Credito: Divulgação

Como empresária, você já seguiu a razão quando a intuição dizia o contrário? Deu certo ou virou aprendizado?

Já segui e, quando não deu certo, virou aprendizado. Hoje escuto razão e intuição juntas.

O que a empresária aprendeu com a atriz, e vice-versa?

A atriz me ensinou presença, e a empresária, estratégia com escuta ativa. Quando tudo caminha junto, o resultado é mais sólido.

Você diz que “aprender a vender” é convencer, inspirar e fazer alguém mudar de ideia. Qual é a venda que as pessoas precisam fazer hoje?

Simplesmente acreditar que podem assumir o próprio protagonismo. Isso te faz ir para um outro patamar. 

Nas suas palestras, o que mais te chama atenção no retorno do público?

Quando a pessoa se enxerga ali. Em algo que parece simples, mas organiza uma bagunça interna. Muita gente sai dizendo: “Era isso!”. E quando vira clareza, vira movimento. Aí a palestra deixa de ser discurso e passa a ser experiência. No fundo, as pessoas querem direção, porque fórmulas mágicas não existem.

jordan@revistaentrerios.pt

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