Grupo português especializado em varejo escolhe o Brasil para nova fase de expansão internacional
Foco está em pequenas e médias empresas e em segmentos pouco explorados no varejo nacional
- Lisboa
Março 6, 2026
O Brasil passou a integrar de forma oficial a estratégia de expansão internacional do Retail Mind Group, uma consultoria portuguesa especializada em gestão e desenvolvimento de marcas no varejo. Presente no país desde 2023, a empresa iniciou uma nova fase de atuação ao estruturar sua operação local sob a liderança da executiva Manoela Whitaker, responsável por conduzir o planejamento e a consolidação dos negócios no mercado brasileiro.
A escolha do Brasil está diretamente relacionada à dimensão do mercado consumidor e ao atual momento do varejo nacional, caracterizado por ajustes, maior seletividade e busca por modelos de crescimento mais eficientes. Segundo a companhia, em entrevista à Agência DC News, a atuação no país não prevê a operação direta de marcas, mas sim a oferta de consultoria estratégica para empresas interessadas em expandir suas atividades de forma organizada, tanto no mercado interno quanto no exterior.
Neste primeiro momento, a operação brasileira está concentrada no Estado de São Paulo, principal polo econômico do país e tradicional porta de entrada para redes nacionais e internacionais. A atuação inicial se limita à gestão e à expansão de marcas, enquanto projetos ligados ao desenvolvimento imobiliário no varejo devem ficar para uma etapa posterior.
A avaliação da empresa é de que o mercado brasileiro apresenta oportunidades relevantes, sobretudo para marcas de pequeno e médio porte que ainda não estruturaram processos formais de crescimento. A estratégia adotada se distancia de movimentos acelerados ou pouco planejados. “Queremos montar um portfólio estratégico, não uma expansão desenfreada das marcas”, afirmou Manoela, em entrevista à Agência DC News.
No Brasil, a consultoria direciona seus esforços principalmente a empresas que atuam em lojas de rua ou no e-commerce e que buscam ingressar em shopping centers ou ampliar sua presença geográfica. “Na expansão nacional, buscamos empresas e marcas boutique de pequeno porte, que estejam começando a crescer com mais qualificação”, explicou a executiva.
Entre os segmentos considerados prioritários estão alimentação e bebidas (food & beverage), entretenimento, moda esportiva e beleza. De acordo com a avaliação da empresa, esses setores ainda apresentam lacunas relevantes nos centros comerciais, especialmente em um contexto de vacância e de reconfiguração do mix de lojas em shoppings brasileiros.
Além da expansão no mercado interno, a internacionalização de marcas brasileiras figura como um dos principais eixos da atuação no país. A consultoria afirma ter identificado um interesse crescente de grupos estrangeiros em negócios locais e já recebeu consultas sobre a viabilidade de levar marcas brasileiras para outros mercados.
“O Brasil é a bola da vez”, resumiu Manoela ao comentar o apetite internacional por empresas nacionais. Segundo ela, a proposta é criar uma via de mão dupla: apoiar companhias brasileiras interessadas em chegar à Europa ou à América Latina e, ao mesmo tempo, assessorar grupos estrangeiros que desejam acessar o consumidor brasileiro.
Embora, por ora, a atuação no país esteja restrita à gestão de marcas, a empresa não descarta ampliar suas frentes de negócio no médio prazo.
“Atuamos com um ecossistema integrado em outros mercados e sabemos que o Brasil tem grande potencial. Por isso, é possível que a gente avalie antecipar a chegada dessas outras áreas”, afirmou a executiva.
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Fundada em 2012, em Portugal, a consultoria atua nas áreas de gestão, expansão e desenvolvimento de marcas no varejo, com presença em países da Europa e da América Latina. Ao longo de sua trajetória, participou da abertura de cerca de três mil pontos de venda e da expansão de mais de 150 marcas em diferentes mercados.
Entre 2020 e 2025, a empresa registrou crescimento expressivo, sustentado por um modelo que integra consultoria estratégica, franchising, fusões e aquisições e desenvolvimento de ativos comerciais. No Brasil, a expectativa é alcançar o ponto de equilíbrio financeiro ainda no primeiro ano de operação e consolidar um portfólio de contratos até o fim de 2026.
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