Jogadores do Hearts participam de um treino no Estádio da Luz, em Lisboa, Portugal, em 5 de agosto de 2026. O Hearts enfrentará o Benfica no jogo de ida da 3ª fase de qualificação da Liga Europa da UEFA, em 6 de agosto. Foto: Lusa / EPA/ANTONIO COTRIM
“Tem Liga Portugal começando, tem final da Supercopa da UEFA, Campeonato Espanhol, Premier League, Taça Libertadores da América, gol, cartão, discussão e cerveja. Vai dar para seguir a vida”
Depois de 104 jogos de futebol em 16 cidades de três países, com o fuso restabelecido e as olheiras, enfim, amenizadas, o torcedor ainda enfrenta a crise de abstinência imposta pelo fim da Copa do Mundo. Alguma camisa da seleção nacional talvez esteja até esquecida no cesto de roupa suja e, para aliviar as sequelas dessa saudade quase depressiva, o noticiário esportivo avisa: existe vida no ‘planeta bola’, sim, e ela está bem ali, no estádio pertinho de casa. Tem Liga Portugal começando, tem final da Supercopa da UEFA, Campeonato Espanhol, Premier League, Taça Libertadores da América, gol, cartão, discussão e cerveja. Vai dar para seguir a vida.
O português, ainda choroso com a última Copa de um dos maiores jogadores da história, Cristiano Ronaldo — o único a marcar gols em seis Mundiais —, pode ir enxugando as lágrimas da nostalgia, porque a temporada já começou. A Águia do Benfica, por exemplo, decolou antes dos demais clubes, praticamente no apagar das luzes do MetLife Stadium, nos Estados Unidos, porque disputa a pré-eliminatória da Liga Europa e terá de jogar todas as quintas-feiras até o fim deste mês de agosto, se quiser continuar nas competições europeias. Bom para o torcedor encarnado, que ganha um programa garantido durante a semana; péssimo para o clube, que em breve será massacrado pelo desgaste físico e emocional imposto pelo calendário.
Por falar em Liga Europa, o mundo tem novamente encontro marcado no dia 12 de agosto, quando o vencedor da última edição da competição, o Aston Villa, enfrenta, em Salzburgo, na Áustria, o Paris Saint-Germain, campeão da Champions League. Em jogo, o troféu da Supercopa da UEFA.
O futebol é assim: dinâmico, capaz de eternizar tanto uma eliminação precoce em Copa do Mundo quanto a despedida de um gênio, mas oferecendo, quase simultaneamente, em troca da tristeza, um farto cardápio de opções para que se possa seguir em frente e viver novos fusos, olheiras e alegrias. E, quando, enfim, numa rara pausa dessa euforia, olha-se para trás, é possível perceber, num relance, como foi bonito sobreviver a cada derrota e a cada vitória. No fim, tudo vira história.
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.