Imigrantes são essenciais para preservar força de trabalho em Portugal, aponta relatório
Estudo da Colabor destaca que a mão de obra estrangeira ajudou a compensar a redução da população economicamente ativa no país
- Lisboa
Maio 30, 2026
O relatório “Emprego em Portugal – Diagnóstico e Recomendações de Política Pública e Estratégias Empresariais”, elaborado pelo Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social (Colabor) apontou que a imigração e o aumento da sua participação no mercado de trabalho são fatores que contribuem para a expansão da mão de obra e para o crescimento econômico nacional.
Isso acontece em um cenário que contrasta com o déficit da força de trabalho ocasionado pelas baixas taxas de natalidade, o envelhecimento da população e a emigração de portugueses. O material foi produzido em parceria com a Fundação Manuel António da Mota, a Confederação Empresarial da Região do Minho, DST Group, Mota-Engil e Sonae.
“A entrada de pessoas em idade ativa no mercado de trabalho via imigração é um dos fatores que mais contribuíram positivamente para aumentar a força de trabalho no país e que contrariam o declínio da natalidade”, afirma trecho do texto.
A capacidade de integrar a mão-de-obra estrangeira e promover políticas para fixar imigrantes no país está entre os três principais desafios apontados no relatório.
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Segundo o documento, a falta de mão-de-obra é um problema que pode se intensificar nos próximos anos caso não sejam feitas medidas para aumentar a natalidade, mobilizar a população inativa potencialmente ativa, moderar a emigração e dinamizar a imigração.
O documento aponta que o índice da população ativa e de taxa de atividade das pessoas entre 25 e 64 anos apresentava declínio até 2014, quando começou a crescer especialmente impulsionado pelo aumento da taxa de imigrantes no país.
Desde 2020, a quantidade de pessoas que passam a morar em Portugal é maior que o índice daqueles que saem do território luso, o que representa um incremento para a população ativa total. Hoje, a mão de obra estrangeira já representa 10% do total da força de trabalho no país.
“Tendo em conta o contributo dos fluxos migratórios para a força de trabalho do país, é necessário atrair e reter força de trabalho imigrante e simultaneamente reter trabalhadores residentes (tanto portugueses como pessoas que adquiriram recentemente a cidadania, bem como os trabalhadores imigrantes e suas famílias)”, ressalta.
Apesar disso, o relatório faz um alerta quanto aos níveis salariais baixos, vínculos laborais precários associados aos estrangeiros, incluindo a exploração do trabalho migrante e o aumento de pessoas na economia informal, a discriminação nos recrutamentos a vagas de emprego e as dificuldades no reconhecimento de habilitações escolares, qualificações profissionais e mesmo experiência profissional adquirida no país de origem.
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O texto destaca que tem havido aumento significativo do número de reconhecimentos de graus acadêmicos superiores estrangeiros em Portugal (aumento de 351,7% entre 2008 e 2018), mas que é preciso ampliar esse alcance a mais pessoas.
“A população estrangeira (…) registra maiores níveis de sobrequalificação face aos cidadãos nacionais, tem níveis salariais inferiores e maiores índices de precariedade, mantendo ainda uma maior representação em profissões e setores menos bem pagos (construção civil, serviços às empresas, turismo, restauração, limpezas e serviços domésticos, e setor primário). Esta situação não se aplica aos trabalhadores com nacionalidades da Europa Ocidental e do Sul”, destaca o texto.
Entre as melhorias estão a adoção de mais políticas públicas e medidas para promover a integração dos imigrantes, além de solucionar a morosidade no sistema de regularização e do acesso a vistos de trabalho que traz um “aumento da vulnerabilidade dos trabalhadores imigrantes”.
“Alguns dos problemas residem na falta de recursos físicos, tecnológicos e humanos da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima), bem como em falhas na regularização de imigrantes (falta de clareza nas regras, dificuldade no acesso à informação, elevada burocracia e centralização excessiva dos serviços)”, ressalta o documento.
O Colabor ainda aponta que Portugal lançou em 2024 um Plano Nacional para as Migrações que inclui um eixo dedicado à atração de mão de obra estrangeira. Apesar disso, destaca que não há um compromisso entre o governo e os parceiros sociais para a integração de imigrantes no mercado de trabalho, com ampla participação de investidores, empresas, sindicatos e associações.
O texto ainda recomenda que é necessário investir em um programa inicial de acolhimento dos imigrantes e suas famílias, envolvendo apoio na formação, aprendizagem da língua e na procura de emprego, descentralizar os programas para o desenvolvimento de ações por parte dos municípios, com o envolvimento de redes associativas das comunidades imigrantes e o desenvolvimento de técnicos de ligação que possam fazer conexões entre as demandas do muno empresarial e os órgãos de Estado ligados à imigração.
Há ainda recomendações voltadas para que as empresas também desenvolvam programas e mecanismos de integração.
Saldo positivo na Segurança Social
O documento destaca que o aumento do saldo da Segurança Social previsto para 2026 é de 702 milhões de euros, chegando a um saldo total de 4,63 bilhões de euros, 17,8% acima do valor estimado para 2024.
Isso se dá em grande parte por conta das contribuições da mão de obra imigrante, que possui um saldo positivo na relação entre contribuições (1,86 bilhões de euros em 2022) e os gastos com prestações sociais (256,8 milhões em 2022).
Confira o documento na íntegra aqui.
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