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Isabél Zuaa, de “O Agente Secreto”: “As oportunidades nunca são iguais para atrizes negras”

Em entrevista à EntreRios a atriz fala sobre momento brilhante da carreira e os planos profissionais para o ano

Abril 25, 2026

Isabel Zuua. Crédito. Helena Cooper.
Isabel Zuaa. Crédito: Helena Cooper.

A atriz portuguesa Isabél Zuaa, 38 anos, vive um momento de grandeza. Integrante do elenco de O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho vencedor do Globo de Ouro e nomeado para disputar quatro categorias do Oscar, ela esteve em Los Angeles no dia 15 de março, na 98ª cerimônia da Academia. Isabél, que interpreta a refugiada angolana Teresa Victória, vê o momento como parte de um percurso construído com consciência, coletividade e tempo. Uma construção tão valiosa quanto os prêmios.

Nascida em Lisboa, Isabél é filha de mãe angolana e pai guineense, e cresceu em Loures em um ambiente marcado pela dança e música. Teve a vida cercada de referências brasileiras. “A minha relação com o Brasil vem desde a infância. Minha casa era cheia de pessoas que acompanhavam as novelas, viam filmes e ouviam música do país. Eu brincava imitando personagens de folhetins, a gente vivia aquilo”.

Isabél Zuaa. Crédito: Joni Riccos
Isabél Zuaa com make up de Sara Menitra e styling de Drucaa. Crédito: Joni Riccos

O Brasil deixaria de ser para ela apenas imaginário para se tornar experiência real aos 22 anos, quando começou um intercâmbio na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). “Eu queria estudar com pessoas negras. Em Portugal, não tive essa oportunidade, e isso faz diferença”.

No Rio ela frequentou aulas, ensaios, praias, oficinas em comunidades, debates. “Foi um período de muita potência. Fui encontrando meus pares”. Vieram testes, filmes, prêmios — inclusive o Kikito em Gramado, em 2020, por Um animal amarelo, de Felipe Bragança. Por outro lado, ela reconhece que estar potente não garante igualdade profissional. “As oportunidades nunca são iguais para atrizes negras. Isso é um dado concreto”.

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Isabél Zuaa com o vestido de penha Maia para o Oscar 2026. Crédito Joanna Correia

Hoje, diz que não espera o telefone tocar e sempre faz a ocasião acontecer. Escolhe trabalhar menos, com mais retorno e sentido. “Não quero títulos sensacionalistas. Quero estar ativa na cultura”. Estar na entrega do Oscar, embora histórica, foi vivida com os pés no chão — e divertida memória.

“A gente ensaiava agradecimento do Oscar na faculdade.Tem até um vídeo meu subindo em um vaso sanitário e fazendo discurso”, conta, rindo.

O vestido para o Oscar foi escolhido estrategicamente: “A roupa comunica. Por isso, quero decidir o vestuário com um designer do Brasil ou da diáspora africana, que dialogam diretamente comigo”. Para Isabél, “uma mulher negra feliz e potente é um ato político”.

A espiritualidade está em sua casa, em um “altar” com símbolos: Iemanjá, Iansã, Santa Sara Kali, Ganesha, Nina Simone. “As amigas dizem que é uma casa ecumênica.” E assim, entre banhos de ervas, rituais simples e silêncio, a atriz cuida da mente e do corpo.

Isabél Zuaa. Crédito: Helena Cooper
Isabél Zuaa relembra da infância quando imitava as atrizes das novelas brasileira. Crédito: Helena Cooper

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Isábel trabalha em um longa luso-brasileiro, sobre o qual ainda não pode falar muito, em que atuará como consultora e preparadora de elenco. Também finaliza o espetáculo solo Som, matéria, coração, que estreia no dia 13 de junho, em Guimarães, e faz turnê pelo país.

“É um espetáculo sobre corpo, memória e expectativa”. Cada apresentação terá um final diferente. Eu aprendi que não preciso entregar tudo para todo mundo”

A atriz prioriza honrar grandes artistas negras que vieram antes e abrir caminhos para quem vem depois. “Quero sair inteira dos processos, com saúde, alegria, profundidade e sem pressa”.

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O Agente Secreto já é premiado

Isabel Zuaa em O Agente Secreto. Crédito: Divulgação
Isabel Zuaa em “O Agente Secreto”. Crédito: Divulgação

Lançado em mais de 90 países, o filme é um fenômeno de público e crítica. No Brasil, levou mais de 1,5 milhão aos cinemas. Ganhou projeção mundial ao vencer o Globo de Ouro de Melhor Filme Internacional e receber 4 indicações ao Oscar, igualando o recorde de Cidade de Deus (2002).

Concorreu como Melhor Elenco, Melhor Filme Internacional, Melhor Filme e Melhor Ator — indicação de Wagner Moura, primeiro brasileiro a disputar nessa categoria por sua atuação como Marcelo, professor perseguido na ditadura. A obra também se destacou por ser a única finalista falada integralmente em outro idioma que não o inglês.

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