ENTREVISTA

Julia Mestre volta a Portugal em turnê: “Nunca estive tão apaixonada por mim mesma”

Ex-integrante da banda Bala Desejo fala sobre a nova fase da carreira, o amor e as mulheres que a inspiram

Agosto 4, 2026

Julia Mestre. Crédito: Divulgação
Carioca fará três show no país com músicas do álbum indicado ao Grammy Latino. Crédito: Divulgação

Três anos depois de sua última passagem por Portugal, Julia Mestre está de volta para uma série de apresentações que prometem revelar diferentes facetas de uma das artistas mais criativas da nova música brasileira. Cantora, compositora, multi-instrumentista, produtora musical, atriz e diretora criativa, Julia desembarca em Lisboa, Famalicão e Paredes de Coura levando a turnê de Maravilhosamente Bem, do álbum lançado em 2025 e indicado ao Grammy Latino nas categorias de Melhor Canção em Língua Portuguesa e Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa.

Aos 30 anos recém-completados, a artista falou sobre o momento profissional, o processo de criação do próximo disco, o legado do Bala Desejo e o romantismo que inspira suas composições.

Você é constantemente citada por artistas da sua geração como uma grande referência. Como vê essa cena da música brasileira hoje?

Eu sinto que é uma geração muito forte, com narrativas próprias e pesquisas muito interessantes. A música brasileira sempre teve uma responsabilidade enorme porque a gente vem depois de gigantes, de artistas que construíram a história da nossa música. Mas eu sou muito esperançosa. Vejo uma geração olhando para o lado, admirando o trabalho dos colegas e criando com muita personalidade.

Quais deles mais inspiraram sua trajetória?

Eu começo pelas mulheres. Marina Lima e Rita Lee são referências fundamentais pela força das composições e pela personalidade artística. Também admiro muito a Cássia Eller, pela presença de palco, pela musicalidade e pelo domínio dos instrumentos. Marisa Monte também é muito importante para mim. E, claro, quando falamos de música brasileira, Caetano Veloso e Gilberto Gil aparecem naturalmente. O Gil, principalmente, me inspira pela curiosidade. Ele nunca teve medo de mudar de caminho, de experimentar novos gêneros. Acho isso fascinante.

Julia Mestre. Crédito: Divulgação
Julia Mestre lançou o novo single “Afim de Verão”. Crédito: Divulgação

Enquanto leva a turnê de Maravilhosamente Bem para o palco, você já pensa no próximo álbum. O que pode adiantar?

Não posso revelar muitos detalhes, mas sinto que será uma continuação dessa trilogia iniciada anteriormente. Ao longo do processo, já começo a me despedir um pouco das referências dos anos 1980 e sigo para uma sonoridade mais contemporânea. Acho que será um disco muito centrado nas canções, na força da letra. É um trabalho mais adulto, muito romântico e também cheio de mistério. Ainda estou vivendo esse processo de pesquisa e composição.

LEIA MAIS: Em turnê por Portugal, Vitor Kley fala sobre relação com o país, disco mais recente e sonhos de carreira

O amor continua sendo o grande combustível para escrever?

Sim. Eu adoro canções que falam de amor. Acho que esse é um sentimento universal e o desafio do compositor é justamente encontrar palavras para algo que tantas pessoas vivem. Tambem estou vivendo uma fase muito bonita de amor-próprio. Nunca estive tão apaixonada por mim mesma.

Bala Desejo. Crédito: Divulgação
Ao lado de Lucas Nunes, Dora Morelembaum e Zé Ibarra, formou a grupo “Bala Desejo”. Crédito: Divulgação

Seu trabalho tem uma estética ligada ao universo analógico. De onde vem esse fascínio?

Faço parte de uma geração muito conectada às telas e, talvez por isso, exista esse desejo de viver uma experiência mais material. Gosto da fotografia em filme, do cuidado com cada imagem, de segurar as coisas nas mãos. É quase uma forma de desacelerar. 

O Bala Desejo mudou sua vida?

Completamente. Foi um projeto que ultrapassou qualquer sonho que eu tinha. Viajamos pelo mundo inteiro, fizemos mais de 200 shows e foi ali que percebi que viver de música era realmente a minha profissão. Existe uma Julia antes e depois do Bala Desejo. Cresci muito como artista e tudo isso influenciou profundamente o meu trabalho solo. Hoje é bonito olhar para os caminhos de cada integrante e perceber como cada personalidade ajudou a construir aquele projeto.

Julia Mestre show. Crédito: Divulgação
A carioca é cantora, compositora, multi-instrumentista, produtora musical e atriz. Crédito: Divulgação

LEIA MAIS: Landrick lança o álbum mais pessoal da carreira e faz reflexão sobre o amor na era do celular

O que o público português pode esperar desses shows?

Serão três apresentações completamente diferentes. Em Lisboa vou apresentar o show completo da turnê, com banda e toda a energia do álbum. Em Famalicão será um concerto acústico, só eu e o violão, em um formato muito íntimo. Já Paredes de Coura será minha estreia no festival e estou muito animada. Sempre ouvi dizer que é um dos mais especiais de Portugal.

Olhando para o futuro, qual seu maior sonho?

Continuar criando. Quero olhar para trás daqui a muitos anos e ver uma discografia grande, cheia de fases diferentes. Artistas como Gilberto Gil e Caetano Veloso me inspiram porque seguem curiosos e produzindo. Meu sonho é nunca perder essa vontade de pesquisar, de aprender e de transformar tudo isso em música.

Onde assistir Julia Mestre

Na quinta (13), ela sobe ao palco da Casa Capitão, em Lisboa, acompanhada por sua banda, apresentando o espetáculo completo de Maravilhosamente Bem. Na sexta (14), participa do Devesa Sunset, em Famalicão, em formato acústico, revelando as histórias por trás das canções. Já no sábado (15), faz sua estreia no Vodafone Paredes de Coura, um dos festivais mais emblemáticos de Portugal.

jordan@revistaentrerios.pt

jordan@revistaentrerios.pt