Com mais de 40 milhões de streams acumulados ao longo da carreira, o cantor angolano Landrick inicia uma nova fase com o lançamento da primeira parte de Onde Está Meu Amor?, seu trabalho mais ambicioso e pessoal até agora. Dividido em dois capítulos, o álbum acompanha as diferentes fases de um relacionamento, mostrando que o fim de uma história nem sempre representa o fim do amor. A primeira parte reúne cinco faixas que abordam paixão, saudade e desilusões, incluindo o sucesso “Grandes Amores Não Acabam Juntos”, que já ultrapassou 1 milhão de visualizações no YouTube, além do destaque “Namora com o Telefone”.
Misturando a identidade da Kizomba com influências de R&B, Zouk e Afropop, Landrick entrega um projeto marcado pela maturidade artística e por letras que refletem situações vividas por casais de diferentes gerações. Em entrevista à EntreRios, o artista falou sobre a inspiração para o álbum, sua visão sobre o amor, a força da música africana, os sonhos de carreira e ainda revelou o desejo mais emocionante da vida pessoal: ver seu filho conquistar independência. O cantor se apresenta no dia 13 de agosto no festival Sol da Caparica.
“Onde Está Meu Amor?” é uma pergunta que desperta curiosidade. Onde está o seu amor?
O meu amor está na falta da conexão sincera com a minha parceira. Mas não entendam isso como uma realidade isolada. Porque, no fundo, acabamos por viver problemas similares. Claro, cada um com a sua nuance, cada um com a sua particularidade. Então, Onde Está Meu Amor? é aquela pergunta retórica, mas é, sobretudo, expor algumas situações que acabam por causar um certo desconforto nos relacionamentos.
Você acredita que hoje os casais estão cada vez mais desconectados por causa da tecnologia?
Exatamente. Namora com o Telefone fala justamente sobre isso. Sobre problemas que quase todos nós vivemos por causa da demasiada atenção que damos aos telemóveis. Ao invés de olharmo-nos nos olhos, ao invés de nos conectarmos mais, de conversarmos, de termos tempo de qualidade. Hoje em dia, cada um está agarrado ao seu ecrã, quando devia estar agarrado à família. Este álbum é um álbum de reflexão.

Você se considera um homem romântico?
Eu sou romântico do meu jeito. O meu jeito romântico é preocupar-me com a minha parceira, saber se realmente ela está boa. Demonstrar através de ações. Eu não sou muito de oferecer flores, confesso. Mas as minhas flores traduzem-se naquela atenção, naquele carinho, naquela chamada, naquele abraço. É por aí o meu romantismo.
O que o público vai encontrar neste novo trabalho?
O público vai encontrar realmente músicas eternas. Músicas para dançar, músicas para amar, músicas para refletir. Músicas que vão, com toda certeza, melhorar o nosso dia e as nossas vidas.
Você divide sua rotina entre Angola e Portugal. Como é essa relação?
Eu tenho dito que sou nômade. Não tenho um paradeiro fixo. Estou sempre de um lugar para o outro em função do trabalho. Às vezes estou em Portugal, outras vezes em Angola. Cheguei essa semana a Lisboa. Estive um tempo no meu país (Angola) para matar saudades da família e, ao mesmo tempo, promover o álbum.
Você acredita que a música africana vive um momento de maior reconhecimento internacional?
A África tem um potencial inquestionável no que toca à música e tantas outras coisas. Claro que enfrentamos muitos desafios, mas fico muito feliz com o profissionalismo que os artistas africanos têm atingido. Também sou muito grato a todos os que vieram antes de nós e abriram esse caminho. Acho muito importante mantermos sempre a nossa essência. Podemos beber um bocadinho de outras influências, mas é a nossa musicalidade que vai continuar a destacar-nos pelo mundo afora.
Existe algum feat dos sonhos que você ainda gostaria de realizar?
Já fiz uma das colaborações dos meus sonhos com um grande artista da República Democrática do Congo. Mas eu gostava muito de cantar com uma das maiores referências que tenho na música, que infelizmente já não faz parte do mundo dos vivos: Michael Jackson. Fogo… gostava muito. Hoje procuro conectar-me mais comigo mesmo, trabalhar forte e de forma inteligente. Tenho a certeza de que o futuro ainda me vai presentear com coisas que nem imagino.
E qual é o seu maior sonho fora da música?
Ver os meus filhos, mas o meu filho em especial. Ele tem atrasos na fala. O meu sonho é vê-lo a falar cada vez melhor, conquistar a sua independência e estar cercado de pessoas que o amem e o entendam. Quero que a sociedade abrace não só o meu filho, mas todas as crianças e pessoas que tenham alguma debilidade no desenvolvimento. Eu quero ver a minha família feliz. É isso.
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