Esporte

Lesão de Neymar: Santos mentiu ou errou?

Exame derruba versão do clube de que jogador tinha só um edema

Maio 28, 2026

Neymar. Crédito: Reprodução Instagram
Neymar. Crédito: Reprodução Instagram

Alguém precisa explicar por que, com tantos recursos da medicina, levou-se dez dias para descobrir que Neymar tem uma lesão grau 2 na panturrilha. O departamento médico do Santos, que entregou o jogador à CBF com o diagnóstico de um simples edema, derrapou feio. Errou ou mentiu? Não dá pra avaliar qual das opções é a pior. Ambas desaguam no campo infértil da esculhambação, em um cenário que envolve dois elementos seríssimos: um jogador de fama internacional e uma seleção pentacampeã mundial. Bastava uma ressonância magnética. Tem no SUS, gente. Tem na clínica da esquina. Tem em vários hospitais de Santos, do Brasil, do mundo.

Agora que Neymar está no grupo, fica difícil tirá-lo. Basta lembrar o estresse causado pelo corte de Romário na Copa da França, em 1998, também por causa de uma lesão na panturrilha – um trauma histórico para ele, a torcida, o time e a comissão técnica. Vinte e oito anos depois, o coordenador executivo geral de seleções masculinas, Rodrigo Caetano, tem confiança na recuperação de Neymar: “Ele segue tratando, e vamos levar até o fim. Ele vai ficar bom para a Copa”, diz o dirigente, em conversa com a coluna, ainda com esperança de contar com o atacante na estreia contra Marrocos, no dia 13 de junho: “Pode ser que sim. Não sabemos ainda”.

Neymar vai precisar de duas ou três semanas de tratamento. O que significa que ficará fora dos dois amistosos antes da Copa – contra Panamá (31 de maio) e Egito (6 de junho). É até possível que se recupere em tempo recorde e, derrubando meu pessimismo, consiga estar em campo na estreia, como sonha Rodrigo Caetano. Mas, em que condições? Mancando? Arrastando-se? Salvador da pátria já sabemos que ele não deverá ser. Resta descobrir o que ele vai somar a um grupo em condições físicas muito à frente da sua.

O ortopedista José Luiz Runco, médico da seleção brasileira em quatro Copas do Mundo (2002, 2006, 2010 e 2014), não arrisca um prognóstico, mas, experiente, garante que a decisão em relação a Neymar não pode ser somente médica: “Existe todo um envolvimento de jogadores e comissão técnica para as avaliações das condições físicas do atleta e emocionais de todo o grupo”, afirma à coluna, destacando que há possibilidade de recuperação: “Teoricamente, sim. Mas depende da evolução”.

É certo somente que a lesão grau 2 na panturrilha mantém Neymar como protagonista da seleção, mas apenas pelas dúvidas sobre sua recuperação clínica e física. Detalhes tão banais que poderiam ter sido evitados no longínquo dia 17 de maio, quando o jogador sentiu a panturrilha na derrota do Santos por 3 a 0 para o Coritiba. Já era. Agora é tarde.

Marluci Martins. Crédito: Divulgação