Esporte

Lesões complicam o desafio de Ancelotti de formar uma seleção brasileira competitiva

Sem Rodrygo e Militão, machucados, lista do treinador para a Copa tem outros nomes importantes que ainda precisam passar pela peneira do departamento médico

Abril 30, 2026

Seleção brasileira. Crédito: Reprodução Instagram
Seleção Brasileira. Crédito: Reprodução Instagram

Contusão de craque sempre rendeu resenha e reza. Marcou o mundo o choro de Romário, cortado a poucos dias da Copa da França, em 1998, devido a uma lesão na panturrilha. A imagem não sai da cabeça: o atacante de uniforme azul, mãos postas diante do nariz, barba por fazer, olhos cheios de lágrimas. Ou, tempos depois, este sim um case de sucesso, o joelho de Ronaldo Fenômeno comoveu o torcedor, saturou o noticiário por dois anos, foi tema de discussão e oração até o desfecho feliz, com a superação e o protagonismo na conquista do penta na Copa de 2002. E hoje, quem mais se incomoda com um joelho ou um músculo estourado? Carlo Ancelotti.

A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 ganhou, no Brasil, um tempero cruel que aumenta o suspense em torno da lista de 26 convocados a ser anunciada no dia 18 de maio. Alguns dos nomes preferidos do treinador estão no departamento médico, sem chance ou dependendo de um milagre da medicina: Rodrygo, Militão e Estevão são os mais recentes protagonistas dos pesadelos de Ancelotti. Rodrygo, que rompeu o menisco e o ligamento cruzado anterior do joelho direito, foi o primeiro a dar adeus ao sonho. Já Militão teve o corte do Mundial definido pelo bisturi do cirurgião que operou sua coxa esquerda no último dia 28. E nenhum ser humano, por mais otimista que seja, acredita na recuperação de Estevão, com lesão gravíssima na coxa direita.

Não bastasse o trio contundido muito em cima do laço, não dá para depositar fé na plena reabilitação física de nomes como Alysson, Gabriel Magalhães, Bruno Guimarães e Raphinha, vítimas de lesões bem recentes. O pacote de problemas faz despencar a confiança em uma seleção brasileira que já não vinha entusiasmando o torcedor. Tanto que, convenhamos, essas contusões até alimentaram o noticiário esportivo, mas não viraram assunto nas mesas dos bares ou no recreio das escolas – um descaso, por sinal, que merecerá ser tema para outra coluna, se, no dia da estreia do Brasil, 13 de junho, contra Marrocos, em Nova Jersey, nenhuma rua do país do futebol estiver decorada em verde e amarelo.

Famoso por tirar soluções e improvisos da cartola, Ancelotti está, aos 66 anos, diante de um dos mais difíceis desafios da carreira vitoriosa. A missão de resgatar o entusiasmo da torcida brasileira, com uma seleção competitiva, que jogue o fino da bola, nunca pareceu fácil. E, agora, na contagem regressiva para a Copa, as opções, que já eram escassas, ainda precisam passar pela peneira do departamento médico e da preparação física. Sem falar na falta de um líder, já que o candidato ao posto nos últimos anos, Neymar, não desembucha, não embala, não se emenda, não convence nem mesmo quem deveria idolatrá-lo, a torcida de seu clube, o Santos.

A lista de preferidos de Ancelotti é a que tem mais jogadores machucados ou recém-recuperados de contusões graves, mas é bom lembrar que o problema das lesões não tem o Brasil como endereço fixo. O mundo do futebol vem experimentando uma pandemia de contusões às vésperas da Copa. Além dos brasileiros já citados, a relação de atletas lesionados, que só cresce, tem também Lamine Yamal (Espanha), Mbappé (França), Modric (Croácia), Cristian Romero (Argentina), Rodri (Espanha), Arda Guler (Turquia), Mohamed Salah (Egito) e Rúben Dias (Portugal). Se faltam nomes nessa lista, ou minha memória me traiu, ou mais alguém se machucou antes que eu colocasse um ponto final no texto.

É assunto pra muita resenha. E reza.

Marluci Martins. Crédito: Divulgação