Levantamento aponta que quase 3 mil brasileiros foram barrados ao tentar entrar na União Europeia
Número representa um aumento de 14% em relação a 2024. Portugal e Irlanda estão entre os principais países que mais barraram brasileiros em 2025
- Lisboa
Maio 21, 2026
Um estudo da Eurostat, gabinete de estatística da União Europeia, mostrou que 2.910 brasileiros tiveram a sua entrada barrada na União Europeia em 2025, sendo 2.610 em aeroportos, 40 pelo mar e 180 por terra.
Isso coloca o país entre o 12º com mais pessoas impedidas de entrar no continente. Em 2024, foram barrados 2.690 cidadãos brasileiros, ou seja, houve um aumento de 14% no ano passado. Confira aqui o levantamento completo.
Já em Portugal, o país lidera o total e cidadãos deportados, com 750 casos, todos eles por meio de aeroportos. Em seguida, vêm Angola (395) e Cabo Verde (95). Ao todo, o país europeu barrou a entrada de 2.135 pessoas, um aumento de 22,7% em relação a 2024, quando 1.740 pessoas foram impedidas de entrar.
O Brasil ainda aparece em destaque entre os cidadãos impedidos de entrar na Irlanda, com 725 casos, sendo 700 por aeroportos, 15 por terra e 10 por mar. O país está atrás apenas da Albania, com 1.280 casos, e a frente da Somália, com 615.
Portugal e Irlanda estão entre os países europeus que mais recebem brasileiros no continente. Em Portugal, existem mais de 500 mil brasileiros legalizados, enquanto na Irlanda são mais de 60 mil.
Ao todo, a União Europeia impediu a entrada de 132,6 mil pessoas no continente, um aumento de 7,1% em relação a 2024. Entre os principais motivos estavam o motivo e condições de estadia não justificadas com 30,3%, a permanência para além dos três meses permitidos na região com 16,9% e a falta de vistos ou autorizações de residência com 15,3%.
Também foram divulgados o total de cidadãos que foram deportados e tiveram que sair da União Europeia. Ao todo, foram 491.950 pessoas nessa situação, um aumento de 5,8% em relação a 2024. Portugal está entre os países com maiores avanços nesse sentido com 23.450 notificações, um aumento de mais de 31 vezes em relação a 2024.
Os números acompanham o enorme crescimento no número de envios de notificações de abandono voluntário que foi divulgado no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) em abril. O número representa um total de 5% das notificações de todo o bloco econômico.
O Brasil está em 13º entre todas as nacionalidades que apresentaram maior aumento no número de cidadãos que saíram da União Europeia para um país terceiro, com 3.050 casos em 2025.
Portugal tem aumentado as políticas de restrição e de fiscalização de imigrantes ilegais. Para isso, reforçou a chamada polícia de imigrantes, a Unidade Nacional de Fronteiras e Estrangeiros (UNEF), que tem feito batidas pelo país para checar a documentação de imigrantes, aumento o número do envio de notificações de abandono voluntário para imigrantes que não tiveram suas autorizações de residência renovadas e quer aprovar uma lei para acelerar os processos de deportação de estrangeiros.
Para além disso, o país tem instalado um novo sistema eletrônico de controle de fronteiras que tem exigido a realização de reconhecimento facial e biometria de todos os cidadãos de fora da União europeia, o que tem ocasionado grandes filas de espera nos aeroportos.
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O sistema ainda permite um controle de informações dos passageiros e também tem sido implantado por outros países do bloco.
O bloco econômico ainda deve exigir, a partir de outubro, o ETIAS (Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem), uma autorização de entrada digital para todos os cidadãos de países terceiros que entram no Espaço Schengen.
Ele será exigido em 30 países europeus e permitirá a estadia de até 90 dias a cada 180 dias. Ele será vinculado diretamente ao passaporte e terá validade de três anos.
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