Lisboa ganha exposição imperdível com Dior, McQueen e obras-primas
Mostra Gulbenkian, que ocorre entre abril e junho, reúne 240 peças, grandes estilistas e obras históricas
- Lisboa
Abril 26, 2026
A Fundação Calouste Gulbenkian apresenta, até 21 de junho de 2026, uma das exposições mais ambiciosas dos últimos anos ao reunir, em um mesmo espaço, cerca de 100 obras de sua coleção e aproximadamente 140 criações de alta-costura assinadas por alguns dos maiores nomes da moda internacional.
Batizada de Arte & Moda, a mostra ocupa a Galeria Principal da sede da Fundação, em Lisboa, e propõe um diálogo entre arte e moda por meio de conexões estéticas, históricas e simbólicas construídas ao longo dos séculos.
Entre os destaques estão peças de Christian Dior, Cristóbal Balenciaga, Yves Saint Laurent, Gianni Versace, Jean Paul Gaultier, Vivienne Westwood, Guo Pei e Alexander McQueen. A produção portuguesa também ganha espaço com criações da dupla Alves/Gonçalves, José António Tenente, Maria Gambina, Nuno Gama e Nuno Baltazar.
Os interessados podem aproveitar a exposição de domingo a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, das 10h às 21h. O espaço fecha às terças-feiras.
O ingresso normal custa 8 euros, com gratuidade e descontos para públicos específicos, incluindo jovens, idosos, menores de 18 anos e portadores de cartões culturais. Aos domingos, a entrada é gratuita a partir das 14h, conforme as regras da instituição.
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Com curadoria de Eloy Martínez de la Pera Celada, especialista espanhol na relação entre arte e moda, a exposição apresenta Gulbenkian como um verdadeiro “colecionador da beleza”.
O percurso revela ainda como ele e sua esposa acompanhavam as transformações estéticas de seu tempo, demonstrando interesse tanto pelas belas-artes quanto pelo universo do vestuário e do design.
Calouste Sarkis Gulbenkian foi um colecionador de arte e filantropo de origem armênia, nascido no Império Otomano. Ao longo da vida, reuniu uma coleção singular, considerada uma das mais importantes do mundo, com mais de seis mil peças que vão do Egito Antigo à arte moderna europeia, passando pela arte islâmica, pelo Renascimento italiano, pela arte francesa do século XVIII e pelos grandes mestres da pintura. Naturalizado britânico em 1902, morreu em Lisboa, em 1955. Em testamento, determinou que fosse criada na capital portuguesa uma fundação internacional com seu nome.
Segundo o curador, foram quatro anos de trabalho para reunir 140 peças de alta-costura capazes de dialogar com obras de mestres como Rembrandt, Peter Paul Rubens, Claude Monet e Edgar Degas, além de esculturas, peças arqueológicas e artes decorativas do acervo Gulbenkian. “Precisávamos ter moda que fosse ao nível das obras de arte. Moda que pudesse dialogar com Rubens, com Carpaccio e com as peças egípcias.”
Exposição propõe leitura inédita entre moda e arte
A proposta central da mostra é evidenciar como a moda e a arte compartilham, ao longo da história, um mesmo impulso criativo: o de construir narrativas visuais e simbólicas.
A partir dessa premissa, o visitante percorre diferentes épocas, do Antigo Egito ao século XX, estabelecendo pontes entre pinturas, esculturas, objetos decorativos e peças de vestuário contemporâneo.
A curadoria busca mostrar como roupas, tecidos, adornos e estilos dialogam com a pintura, a escultura, a cerâmica e outras formas artísticas ao longo dos séculos.
Segundo Pera Celada, a moda, transformada em sistema de signos e símbolos, inscreve-se no próprio território da arte, espaço em que beleza, técnica e ideia se encontram. “Quando vemos os sarcófagos dos faraós, isso já era alta-costura.”

Para o historiador da arte, o vestuário constitui, em muitos casos, a primeira chave interpretativa de um retrato. O traje revela posição social, gestos e época. Um vestido pode falar com mais precisão do que um documento, revelando quem foram e como desejaram ser lembradas determinadas figuras históricas.
Além de sua dimensão funcional, o vestuário também é um signo social e cultural. Assim como a arte, a moda torna-se uma narradora privilegiada da história de cada cultura e de cada civilização. Quando caminham juntas, arte e moda multiplicam seu poder expressivo.
Afinidades inesperadas entre moda e arte
A narrativa da exposição está estruturada em torno de um sistema de correspondências visuais. Cada seção propõe um diálogo entre peças históricas e obras de arte, de um lado, e vestuário histórico ou criações contemporâneas, de outro.
Dessa forma, criações de Dior, Balenciaga, Yves Saint Laurent, Versace, Jean Paul Gaultier, Vivienne Westwood, Guo Pei e Alexander McQueen aparecem lado a lado com obras clássicas do acervo Gulbenkian, criando aproximações inesperadas. Também há destaque para os criadores portugueses.

Entre os exemplos anunciados pela organização, um bordado de Sarah Burton para Givenchy encontra afinidades com uma caixa japonesa laqueada do século XIX; um tom azul da Hermès reverbera em retrato de Pierre-Auguste Renoir; um vestido Delphos de Mariano Fortuny e os plissados de Azzedine Alaïa dialogam com as divindades etéreas pintadas por Edward Burne-Jones.
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O verde Nilo, cor que dominou a moda em meados do século XIX, aparece tanto em uma delicada jarra de porcelana chinesa do período Qianlong quanto em um vestido de Pierre Balmain.
A exposição apresenta-se, assim, como uma metáfora visual do próprio museu: um espaço em que Oriente e Ocidente, o antigo e o contemporâneo, o artístico e o cotidiano dialogam em busca de sentido.
A mostra estabelece, portanto, um encontro entre obras-primas da Coleção Gulbenkian e algumas das mais belas criações da alta-costura dos últimos 150 anos.
As peças de alta-costura pertencem a importantes instituições, como o MUDE – Museu do Design, o Museo del Traje de Madrid, o Museu Nacional do Traje de Lisboa, além de coleções da Givenchy e da Fundação Azzedine Alaïa.
Como complemento à mostra, foi lançado um catálogo de luxo em capa dura, com 344 páginas, desenvolvido ao longo de cinco anos. A publicação apresenta, lado a lado, fotografias das obras do museu e das criações de moda, reforçando visualmente o conceito central da exposição.
Serviço
Local: Fundação Calouste Gulbenkian
Endereço: Avenida de Berna, 45 A, Lisboa
Período: de 18 de abril a 21 de junho de 2026
Horários:
Domingo a sexta-feira: 10h às 18h
Sábado: 10h às 21h
Fechado às terças-feiras
Ingresso: 8 euros
Descontos:
25% – menores de 30 anos
20% – Lisboa Card e Cartão Ciência Viva
10% – maiores de 65 anos, Lisbon Sightseeing e City Sightseeing
Com Cartão Gulbenkian:
Entrada gratuita para menores de 30 anos aos sábados, das 18h às 21h, em todas as exposições (retirada presencial)
50% – menores de 30 anos
20% – maiores de 65 anos
10% – de 30 a 64 anos
Entrada gratuita:
Domingos a partir das 14h
Menores de 18 anos
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