Manifestação

Lisboa recebe caminhada pelo fim da violência contra mulheres e crianças

Mulheres migrantes, também afetadas por esta realidade, organizam caminhada em protesto e alerta

Novembro 25, 2025

Luana Ferreira, advogada e líder do Comitê de Direitos da Mulher do Grupo Mulheres do Brasil. Crédito: Acervo pessoal.

Assinala-se hoje, 25, o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, com números preocupantes em Portugal.

Até o dia 15 deste mês, contabilizam-se pelo menos 24 mulheres assassinadas neste ano, a maioria dos casos por feminicídio.

A APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), apoiou, em média, 20 mulheres por dia, com idades entre 18 e 64 anos, faixa etária que representa mais de 60% das vítimas.

Além disso, foram identificados pedidos de ajuda para 5.451 crianças e jovens de até 17 anos, assim como para 3.765 mulheres com mais de 65 anos.

Para marcar a data, o Grupo Mulheres do Brasil em Lisboa organiza a 8ª Caminhada pelo Fim da Violência contra Mulheres e Crianças no domingo, dia 30 de novembro, às 10h, em Belém.

O objetivo da caminhada é chamar a atenção da sociedade civil e alertar os órgãos decisores para a necessidade de prevenção e proteção das vítimas.

Segundo Luana Ferreira, advogada e líder do Comitê de Direitos da Mulher do Grupo, em depoimento para a Agência Lusa, mulheres imigrantes também são vítimas dessa realidade.

“A intenção da marcha é a conscientização, para que todas as que passam por isso saibam que não estão sozinhas. Quem se sente coagido a procurar apoio encontra aqui uma base de suporte”.

De acordo com a APAV, o número de vítimas aumentou mais de 11% nos últimos três anos, contrariando a expectativa da associação de queda ou estabilização dos números. Daniel Cotrim, assessor técnico da direção da associação, afirma que “não existe uma estabilidade nos dados”.

Segundo Cotrim, o aumento das queixas pode ser explicado pelo fato de que “as mulheres estão mais informadas, mais atentas aos seus direitos e, portanto, querem romper e sair das relações abusivas, da violência em contexto de intimidade”.

Ele alerta ainda que a violência tem se tornado “mais letal e rápida na escalada”, passando em pouco tempo de agressões emocionais e físicas para tentativas de homicídio.

Luana reforça a gravidade da situação ao afirmar que “quando há vítimas de violência, é sinal de que a sociedade falhou”.

Programação da 8ª Caminhada pelo Fim da Violência contra Mulheres e Crianças

Domingo, 30 de novembro de 2025

9h30 Concentração no Jardim da Torre de Belém

10h Início da caminhada

11h30 Retorno ao ponto de encontro e início do acolhimento (com distribuição gratuita de água e frutas)

12h30 Encerramento

Evento aberto a todos.

Traje: de preferência roupa laranja, preta e branca.

Contato: lisboa@grupomulheresdobrasillisboa

susana@revistaentrerios.pt