Lucas Paquetá tem qualidade, profissionalismo e carisma de sobra para deitar e rolar no futebol brasileiro
O jogador deixou o modesto West Ham para regressar ao Flamengo, que desembolsou o maior valor numa transferência no país: 42 milhões de euros
- Lisboa
Março 20, 2026
Para pontuar logo de início: Romário, campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1994, é, disparado, o reforço mais impactante (com larga vantagem) da história do futebol brasileiro. Aos 29 anos, trocou o Barcelona pelo Flamengo, em 1995. Dois poderosos. E fez tudo isso no auge. Ponto. Nem sequer há discussão, por favor.
Lucas Paquetá, aos 28 anos, deixa o modesto West Ham para regressar ao time rubro-negro. Sim, um golaço do clube carioca, que desembolsou o maior valor de sempre numa transferência no país: 42 milhões de euros (pouco mais de R$ 260 milhões, na cotação atual). Honestamente, vale cada centavo.
Desconsiderando os pesos pesados (nacionais) que voltaram ao Brasil já perto do fim de carreira, como Ronaldo Fenômeno (Corinthians, 2009), Ronaldinho Gaúcho (Flamengo, 2011) e Kaká (São Paulo, 2014), ainda assim Paquetá está um pouco atrás de Alexandre Pato.
Com apenas 23 anos, Pato deixou o gigante Milan para fechar com o recém-bicampeão mundial Corinthians, em 2013, por aproximadamente 15 milhões de euros (R$ 40 milhões, na época). Eram outros tempos. Outros valores. Outra cotação. Justo contextualizar.
É verdade que Pato, quando voltou ao Brasil, vinha de algumas lesões e caminhava para deixar de ser aquele fora de série que chegou a fazer com que os consagrados Cafu, Nesta e Maldini acreditassem estar diante de “um dos maiores atacantes de todos os tempos”.
O atacante revelado pelo Inter vestiu, no Timão, a histórica camisa 7 de Marcelinho Carioca e foi uma completa decepção. Uma passagem digna de esquecer. Entretanto, levando em conta essencialmente o momento (!) da contratação, ainda acaba por ser mais contundente do que a de Paquetá, hoje no Flamengo.
Dito isso, Lucas Paquetá, mesmo que não tenha o currículo, a grife e o talento de Alexandre Pato — sem falar, claro, nas posições diferentes em campo —, seguramente tem qualidade, profissionalismo e carisma de sobra para deitar e rolar no futebol brasileiro, especialmente defendendo a equipe mais bem organizada (dentro e fora de campo) da América do Sul.
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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