Luísa Sonza fala sobre shows em Portugal, carreira e saúde mental: “Estou na fase mais bonita da vida”
Em bate-papo exclusivo com a EntreRios, a cantora também revelou detalhes do novo álbum
- Lisboa
Outubro 30, 2025
Aos 27 anos, Luísa Sonza é referência do cenário pop latino. Após encerrar sua primeira turnê pelos Estados Unidos, a artista aterrissa em Portugal para dois shows na sexta-feira (31), em Lisboa, e sábado ( 1º), no Porto.
A menina de Tuparendi, no interior do Rio Grande do Sul, vem conquistando plateias: são mais de oito bilhões de streams, hits que dominaram o Brasil nos últimos anos, três indicações ao Grammy Latino e uma parceria com a americana Mariah Carey.
Se apresentar novamente no país tem um peso diferente para Luísa. “A primeira vez que vi que estava em primeiro lugar no Spotify daqui, fiquei ‘meu Deus, é real!’. Tem um sabor especial”, diz, em entrevista exclusiva à EntreRios.
Acompanhe o bate-papo!
Você está de volta a Portugal para mais dois shows. Sente que o país já se tornou um lugar especial na sua história?
Totalmente. Eu amo Portugal, sinto um carinho genuíno daqui, sabe? Não é só um público que gosta das músicas, é um público que me acolhe, que me recebe de uma forma muito verdadeira. Portugal já virou um pedaço importante da minha vida, sem dúvida.

O público português tem respondido de forma muito calorosa ao seu trabalho (tanto que alcançou o primeiro lugar no Spotify Portugal em 2024 com a música Sagrado Profano). O sucesso aqui tem um peso diferente na sua trajetória?
Nossa, tem sim. Porque quando você sai do Brasil e vê que a sua música atravessou, que ela faz sentido em outro país, em outra cultura… isso é muito forte. Eu lembro da primeira vez que vi que estava em primeiro no Spotify daqui, fiquei ‘meu Deus, é real’. Tem um sabor especial e mostra que o que sinto consegue chegar em qualquer lugar.
Ao mesmo tempo, você vem construindo uma carreira internacional. Como tem vivido esse processo de expansão?
Eu não enxergo esse movimento como uma ‘construção de carreira internacional’. Eu vejo como uma expansão natural, orgânica. E o maior desafio (que eu particularmente gosto) é que você meio que começa do zero em alguns lugares, e aí precisa se reinventar. Eu amo isso. Amo cada passo: estar em shows fora do meu país, colaborar com artistas que eu sempre admirei… é uma conquista enorme.
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A recente parceria com Mariah Carey em Type Dangerous foi um sonho realizado?
Esse convite foi completamente inesperado. Eu lembro que quando recebi a notícia, a minha reação foi meio de choque mesmo. Foi tudo muito rápido, sabe? Um colega nosso, o Joseph [o produtor Joseph “Screwface” Charles], apareceu com essa história de que a Mariah estava querendo fazer um remix com alguém do Brasil e que tinham mostrado umas coisas minhas pra ela.
Pelo que entendi, ouviram a música que eu tinha feito com a Demi [Lovato] e ela curtiu. A real é que no começo eu desconfiei bastante (risos). Mas mesmo assim fui, gravei super rápido, escrevi minha parte de um dia pro outro, sem contar pra ninguém.

A música brasileira vive uma fase de forte projeção internacional. Como você enxerga esse movimento?
Eu acho maravilhoso. Nossa música é extremamente rica, criativa, diversa e com muitos estilos diferentes e únicos. Tem uma geração inteira que está mostrando para o mundo a potência que o Brasil tem. Eu tenho muito orgulho de fazer parte desse movimento.
Você começou a cantar ainda criança, saiu do interior, conquistou seu espaço, alcançou o topo das paradas… Quando olha para essa trajetória, o que enxerga?
Quando eu paro pra pensar na minha trajetória, eu vejo uma menina do interior, de Tuparendi, que sonhava muito alto e que acreditava que era possível chegar num lugar que, na época, parecia meio impossível. Eu comecei a cantar muito cedo, com uma vontade enorme de me expressar, de colocar pra fora tudo o que eu sentia. E, de alguma forma, essa força me trouxe até aqui.
Não foi uma jornada simples…
No meio do caminho, eu também vejo todas as dores, as cicatrizes, os tombos que eu levei. Nada foi fácil. Eu precisei enfrentar muita coisa, precisei me provar muitas vezes, precisei lidar com uma exposição que, em alguns momentos, me machucou muito. Mas, ao mesmo tempo, cada dificuldade me fez criar casca, me fez me entender melhor, me fez também ter mais compaixão por mim mesma.
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O álbum Escândalo Íntimo, lançado em agosto de 2023, é reflexo dessa maturidade?
Escândalo Íntimo foi um divisor de águas na minha vida. Foi o álbum em que eu me permiti ser totalmente vulnerável, sem filtro, sem medo de mostrar as minhas fragilidades. Ter esse trabalho reconhecido, ver ele chegar em tanta gente, somar mais de um bilhão de streams, ganhar indicações… isso tudo é muito surreal para aquela menina lá de trás.
Eu olho para trás com orgulho e gratidão, porque tudo (o bom e o ruim) me trouxe até a artista que eu sou hoje. E, apesar de já ter vivido tanta coisa, ainda estou só começando a escrever essa história.

Você já chegou a fazer detox digital para cuidar da saúde mental. Hoje em dia, como olha para esse percurso?
Foi essencial. Hoje eu filtro o que chega até mim, porque a Internet pode ser muito tóxica e temos que usar ela de forma correta para não adoecer a gente, sabe?
Vejo muitos comentários dizendo que você está na fase mais bonita da vida. Concorda?
Eu acho que sim (risos)! Não é só sobre beleza física, é sobre estar bem por dentro. Eu acho que quando a gente está mais em paz, mais feliz, isso transparece. E talvez seja isso que as pessoas estão vendo em mim agora.
Recentemente, você comentou que se tornou uma pessoa “assustada”. É difícil voltar a confiar no ser humano — inclusive na mídia?
Eu tento não perder a capacidade de confiar, porque eu não quero me fechar. Hoje eu só escolho melhor as pessoas e os espaços onde eu me coloco.
Após Escândalo Íntimo, o que vem por aí?
O meu próximo álbum já está em processo de finalização e eu estou muito animada. Passei um tempo fora, em Los Angeles, trabalhando com pessoas incríveis e vai ser um projeto mais maduro e profundo na maturação dos sentimentos.
Serviço – Luísa Sonza em Portugal
Lisboa
Quando: 31 de outubro (sexta-feira)
Onde: Sagres Campo Pequeno
Início do show: 21h30
Ingressos a partir de 40 euros, disponíveis em: https://ticketline.sapo.pt/evento/luisa-sonza-94111
Porto
Quando: 1º de novembro (sábado)
Onde: Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota
Início do show: 21h30
Ingressos a partir de 45 euros, disponíveis em: https://ticketline.sapo.pt/evento/luisa-sonza-94112
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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