Portugal já faz parte da geografia afetiva e musical de Martins. Depois de conquistar o público português em apresentações esgotadas e dividir o palco com Almério, incluindo uma passagem pelo Rock in Rio Lisboa, o cantor, compositor e violonista pernambucano retorna ao país com a turnê Versões, inspirada no álbum Ao Vivo na Casa da Estação da Luz. Desta vez, a viagem ganha um ingrediente especial: a participação de Salvador Sobral no show que acontece no dia 11 de julho, na Casa Capitão, em Lisboa. A parceria nasceu da admiração mútua e de um encontro durante a turnê do artista português pelo Brasil, amizade que acabou rendendo também uma colaboração inédita em estúdio. Em entrevista à EntreRios, Martins fala sobre esse encontro musical, a forte ligação com Portugal, suas influências, o novo momento da carreira e a forma como o amor e a cultura popular nordestina seguem inspirando suas composições. Confira abaixo!
Como surgiu a participação de Salvador Sobral no show em Lisboa?
Conheci o Salvador quando ele estava em turnê pelo Brasil e passou por Recife. Fui convidado para participar de um show dele e, desde então, viramos amigos. Eu admiro muito o trabalho dele, acho um intérprete extraordinário, e por isso quis convidá-lo para participar do meu show em Lisboa. Ele aceitou na hora, e isso me deixou muito feliz.
Essa amizade também resultou em uma parceria musical?
Sim. O Salvador está gravando um disco dedicado apenas a compositores brasileiros e me pediu uma canção. Eu tinha uma música composta com Juliano Holanda, mostrei para ele, e ele gostou tanto que decidiu gravá-la no novo álbum. Foi um encontro muito bonito através da música.

O que o público português pode esperar da turnê Versões?
É um projeto que nasceu do carinho do público. Há muito tempo eu gravava versões de músicas nas redes sociais e as pessoas sempre pediam um disco inteiro assim. Resolvi fazer esse trabalho ao vivo, misturando clássicos da música brasileira com canções minhas. O resultado ficou muito afetivo e é exatamente essa atmosfera que quero levar para Portugal.
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Você já criou uma relação especial com o público português?
Sim, principalmente em Lisboa e no Porto. Sempre fui recebido com muito carinho e isso aquece o coração. Tem muitos brasileiros vivendo aqui, muitos pernambucanos também, então sempre digo brincando que Lisboa parece uma colônia de Recife.
O repertório reúne apenas releituras?
Não. Eu canto músicas que fizeram parte da minha formação artística, de compositores que influenciaram minha trajetória, mas também incluo canções autorais. Acho bonito colocar essas músicas para conversar entre si.
Quais foram suas principais influências musicais?
Minha formação começou muito ligada à poesia popular do Sertão de Pernambuco, aos cantadores de viola, emboladores e repentistas. Depois vieram artistas como Alceu Valença, Caetano Veloso, Cátia de França e toda a riqueza da MPB. Mais tarde, descobrir o Manguebeat mudou completamente minha forma de enxergar a música e me fez acreditar que eu também poderia ser artista.
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Seu próximo trabalho seguirá esse caminho?
Sim. Quero fazer um disco muito voltado para as linguagens da cultura popular de Pernambuco, principalmente da Zona da Mata Norte. A ideia é trazer esses ritmos tradicionais para uma sonoridade mais contemporânea, sem perder a essência.
Sobre o que você costuma escrever nas suas composições?
A maioria das minhas músicas fala sobre relações, encontros, desencontros, amor e desamor. Nem sempre são histórias minhas. Gosto muito de observar as pessoas e transformar essas experiências em canções. Mas também gosto de inserir questões do nosso tempo, inclusive políticas, de forma sutil.
Você acredita que amor e política podem caminhar juntos na música?
Com certeza. Gosto muito de uma frase do Chico César: “O amor é um ato revolucionário”. Acho isso muito verdadeiro. É possível falar de amor e, ao mesmo tempo, fazer uma reflexão sobre o mundo em que vivemos.
Você acredita no amor romântico?
Acredito, sim. O amor romântico tem essa força da paixão, e acho bonito viver isso. Mas também acredito que existem muitas outras formas de amar.
E o amor ajuda na criação?
Ajuda, mas também deixa a gente confortável (risos). Curiosamente, as músicas mais viscerais costumam nascer quando não estou tão bem. Mesmo assim, prefiro estar vivendo o amor. Acho que, no fim das contas, é ele que salva a gente. O amor, a empatia e a capacidade de enxergar poesia nas coisas simples são fundamentais.
Serviço:
Lisboa | Casa Capitão
Sábado (11/07), às 21h
Bilhetes: 16,50 euros
Porto | Casa da Música
Quarta (15/07), às 21h30
Bilhetes: 18 euros (sentado) ou 16 euros (em pé)
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