LUTA NACIONAL

Morre António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa

Autor de mais de 30 romances e referência literária internacional tinha 83 anos

Março 5, 2026

António Lobo Antunes_Mário Rio Cruz.
António Lobo Antunes 1942 - 2026. Crédito: Mário Rio Cruz/Lusa

O escritor português António Lobo Antunes morreu nesta quinta (05), aos 83 anos. A informação foi  confirmada pela editora Dom Quixote. Considerado um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, o autor construiu uma obra marcante com mais de 30 romances e leitores em diversas partes do mundo. Entre suas frases célebres está: “são precisas muitas mulheres para esquecer uma mulher inteligente”.

Com uma obra traduzida em várias línguas, Lobo Antunes publicou títulos de destaque como Conhecimento do Inferno, Manual dos Inquisidores, Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo e Eu Hei-de Amar uma Pedra. Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, construiu um universo literário próprio, marcado por narrativas fragmentadas, múltiplas vozes e uma escrita exigente que ajudou a renovar a ficção portuguesa contemporânea.

António Lobo Antunes. Crédito_Toni Albir
António Lobo Antunes. Crédito: Toni Albir/Lusa

Frequentemente apontado como um dos grandes candidatos ao Prémio Nobel da Literatura, o escritor também era conhecido pelo rigor no processo criativo: escrevia à mão, com caligrafia miúda, antes de passar os textos a limpo em folhas A4.

LEIA MAIS: Fundação Calouste Gulbenkian lança concurso para integração de imigrantes

Nascido em Lisboa em 1º de setembro de 1942, se formou em Medicina pela Universidade de Lisboa em 1969  onde se especializou em psiquiatria, profissão que exerceu no Hospital Miguel Bombarda antes de se dedicar integralmente à literatura em 1985.

Estreou na ficção com Memória de Elefante, em 1979, seguido no mesmo ano por Os Cus de Judas. Ao longo da carreira, recebeu distinções importantes, como o Prémio União Latina em 2003, o Grande Colar da Ordem de Sant’Iago da Espada em 2004 e a Ordem da Liberdade em 2019, além do grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras concedido pela França.

LEIA MAIS: Teatro: “Uma vida de amizade” já é um sucesso em Portugal

Sua morte marca o desaparecimento de uma das figuras mais importantes da literatura portuguesa das últimas décadas.

António Lobo Antunes
Homenagem da editora Dom Quixote há António Lobo Antunes. Crédito: Divulgação

Leia o comunicado oficial da editora:

SOBRE A MORTE DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES

Foi com profunda tristeza que recebemos a notícia, esta manhã, da morte de António Lobo Antunes, nome maior da literatura portuguesa, autor de romances que ficarão para sempre na memória dos seus incontáveis leitores e admiradores, espalhados pelo mundo.

A Dom Quixote, que se compromete a continuar a trabalhar e a promover a sua obra, cuja importância ultrapassou fronteiras, premiada e distinguida um pouco por todo o mundo, despede-se do grande escritor português, o verdadeiro escritor, que dedicou toda a sua vida aos livros e à literatura, prestando-lhe a devida e mais que merecida homenagem e deixando sentidas condolências à sua família, aos seus amigos, à sua editora e aos seus leitores.

Foi a partir do olhar atento de António Lobo Antunes que nasceram alguns dos mais importantes romances da literatura portuguesa contemporânea, seja sobre a guerra colonial, onde esteve presente, seja sobre o Portugal que se lhe seguiu, tão bem retratado nas páginas dos seus livros.

Publicado e traduzido em praticamente todo o mundo, múltiplas vezes colocado na lista de candidatos ao Prémio Nobel de Literatura, António deixa-nos um vazio que muito dificilmente voltará a ser preenchido.

A Dom Quixote estava a trabalhar num novo livro de António Lobo Antunes e anuncia que publicará já em Abril um inédito, não de prosa, o seu género favorito, mas de poesia, onde estarão reunidos os poemas que António Lobo Antunes foi escrevendo ao longo da sua vida. Ele que sempre lamentou não ter sido poeta.

Ficam hoje mais pobres a cultura e a literatura portuguesas. Ficamos mais pobres todos nós. Persistirá, forte e desafiante, a sua palavra.



jordan@revistaentrerios.pt

Leia também