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“Não há ninguém amedrontado com ameaças externas”, diz Gilmar Mendes após tarifa de Trump

Ministro do STF, Gilmar Mendes comenta, sem citar diretamente os EUA, que o Brasil enfrentou ataques às instituições com firmeza e transparência. Taxação de 50% imposta por Trump a produtos brasileiros tem impacto político e econômico

Julho 11, 2025

Ministro do STF, Gilmar Mendes destacou a força das instituições brasileiras quando questionado sobre 'tarifaço' de Trump. Crédito: Jordan Alves.

Diante da nova crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos — provocada pela tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros — o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, destacou a maturidade institucional do país.

Em entrevista exclusiva à EntreRios, o magistrado, ao ser questionado sobre os ataques do ex-presidente americano às instituições brasileiras e sua defesa de Jair Bolsonaro, preferiu não comentar assuntos internos dos EUA, mas ressaltou: “O Brasil deu respostas sérias e relevantes aos nossos problemas”.

A declaração foi feita após o anúncio de Trump, que classificou a nova tarifa como uma resposta política à “perseguição” judicial contra Bolsonaro. A medida, que entra em vigor em 1º de agosto, atinge setores estratégicos do agronegócio brasileiro, como carne bovina, soja, café e suco de laranja, e provocou reações imediatas do governo Lula e de entidades empresariais.

Sem citar diretamente o ex-presidente americano, Gilmar Mendes usou como exemplo os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 para reforçar a robustez institucional do Brasil.

Nós punimos os responsáveis por aqueles danos ao Supremo, ao Palácio do Planalto e ao Congresso Nacional. Agora nós estamos investigando os responsáveis ou mentores por uma suposta ou eventual tentativa de golpe”.

Questionado sobre a ofensiva de Trump contra o Judiciário brasileiro e o apoio declarado a Bolsonaro, Gilmar reiterou que o país não deve se encolher diante de pressões externas.

Não precisamos ter, portanto, nenhum complexo de vira-lata. Os processos são públicos, as investigações demonstram cabalmente aquilo tudo que ocorreu”.

Reações ao ‘tarifaço’ de Trump

A nova tarifa anunciada por Trump, sem respaldo técnico ou econômico, foi condenada pelo Itamaraty como uma interferência indevida nos assuntos internos do Brasil.

O governo sublinhou que decisões do Judiciário são independentes e que a Presidência da República não pode interferir em investigações. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou a medida “inoportuna, injustificável e politicamente motivada” e alertou para o risco de uma escalada comercial.

A taxação ocorre poucos dias após a cúpula dos Brics, no Rio de Janeiro, onde Lula defendeu uma nova ordem econômica global, mais autônoma em relação ao dólar e ao poder americano. Em Brasília, o governo brasileiro já estuda medidas de retaliação e reorientação de sua política comercial.

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Gilmar Mendes, ao comentar o contexto institucional e das últimas eleições presidenciais, afirmou que o Brasil é hoje um exemplo democrático.

O mundo todo acompanha com muita transparência esse processo. […] Não há ninguém amedrontado com ameaças externas. O Brasil seguirá o seu curso, são 40 anos de democracia e hoje acredito que é um bom exemplo para o mundo. Enquanto muitos países lidam com problemas sérios nesta seara, Cortes são fechadas ou cooptadas […] nós seguimos a nossa caminhada na defesa do Estado de direito”.

flavio@revistaentrerios.pt