Natalidade volta a subir em Portugal após 10 anos; imigração é fator-chave
Lisboa e Porto concentram os maiores números de nascidos. Um detalhe chama a atenção: quase 30% dos bebês são filhos de mães estrangeiras
- Lisboa
Março 21, 2026
Durante anos, falar de natalidade na Europa significou referir-se a berços vazios em países com populações envelhecidas. Em 2025, Portugal contrariou essa tendência.
O país registrou 87.708 nascimentos — o maior número da última década. Os dados são do Programa Nacional de Rastreio Neonatal, que contabiliza os recém-nascidos submetidos ao teste do pezinho. Foi registrado o nascimento de mais 3 mil bebês em relação ao ano anterior (2024). Lisboa e Porto concentram os maiores números de nascidos, em oposição à Madeira e a Santarém, que registraram queda. Um detalhe chama a atenção: quase 30% dos bebês são filhos de mães estrangeiras. A imigração tornou-se um motor da natalidade portuguesa.
Mulheres de países africanos de língua portuguesa, da Ásia e da América Latina — entre as quais, muitas brasileiras — dividem o equilíbrio demográfico. Na União Europeia (UE), a taxa de fecundidade caiu para 1,38 filho por mulher em 2023, uma das mais baixas da história. Em países como Alemanha, Itália e Espanha, mais de 20% das mulheres chegam aos 50 anos sem filhos. A maternidade deixou de ser destino automático e passou a ser decisão.
Carreira, alto custo de vida, insegurança econômica, desigualdade no trabalho doméstico, mudanças culturais e ansiedade em relação ao futuro explicam o crescimento do número de mulheres que optam por não gerar herdeiros. A idade média do primeiro parto na UE já é de 29,8 anos e continua se elevando.
Em Portugal, outra mudança acompanha esse cenário: mais gestantes recorrem ao setor privado. Hospitais como Luz e Lusíadas lideram os partos fora do Serviço Nacional de Saúde, embora a Maternidade Alfredo da Costa siga como referência pública.
Entre números e escolhas, o aumento dos nascimentos não sinaliza um retorno ao passado, mas um novo desenho social.
Brasil também evita filhos
•Menor taxa de fecundidade da história (Censo 2022 – IBGE)
•Queda contínua desde os anos 1960, quando a média era de seis filhos por mãe
•Mulheres com maior escolaridade têm menos filhos
•Maternidade cada vez mais tardia ou recusada, tendência semelhante à europeia